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Inflação Americana Acelera em Setembro com Aumento da Gasolina

A nova aceleração dos preços aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump; o dado é divulgado a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato

4 min

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos ganhou força em setembro. A alta foi puxada principalmente pela gasolina, que ficou 7,1% mais cara no mês.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,6% no mês, depois de subir 0,4% em agosto. Em 12 meses, a inflação chegou a 3,7%, ante 3,4% no período anterior.

O resultado mensal ficou em linha com a expectativa do mercado. Na comparação anual, porém, ficou ligeiramente acima da projeção de 3,6%.

A nova aceleração dos preços aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump e o Partido Republicano. Isso porque custo de vida tem ganhado peso entre as preocupações da população. O dado é divulgado a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Pesquisas recentes mostram piora na percepção dos consumidores sobre a economia e queda na aprovação de Trump. Em levantamento Reuters/Ipsos, cerca de 78% dos americanos relacionaram a alta dos preços às políticas do presidente. Entre os fatores citados estão as tarifas de importação e o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, os números vieram acima do esperado. “Depois de algumas surpresas positivas nos últimos meses, com dados que apontavam para uma inflação menos pressionada do que o mercado imaginava, desta vez tivemos um cenário diferente: tanto o índice cheio quanto o núcleo da inflação vieram acima das expectativas.”

O especialista comenta que isso teve impacto imediato nos mercados. “Os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir, depois de uma leve acomodação nos últimos dias, o que também impulsionou o dólar e pressionou as bolsas americanas. Ou seja, os ativos de risco reagiram negativamente à divulgação”, afirma.

Ele destaca que os combustíveis continuam exercendo pressão significativa sobre a inflação. O índice de energia subiu 5,2%, enquanto os preços da gasolina avançaram 9%. Esses movimentos refletem, em parte, as tensões relacionadas ao conflito no Oriente Médio, que seguem impactando os preços internacionais de energia.

“Os custos de moradia, que representam uma parcela importante do índice de inflação, avançaram 0,4% no mês, uma alta relevante. Já os preços de carros e caminhões subiram 0,7%, reforçando a percepção de que as pressões inflacionárias continuam disseminadas.”

Inflação subjacente também avança

Sem considerar alimentos e energia, que costumam apresentar maior volatilidade, o CPI subiu 0,3% em setembro. Foi a mesma variação registrada em agosto.

Em 12 meses, o núcleo da inflação avançou 2,6%. No mês anterior, a taxa estava em 2,4%.

O Federal Reserve (Fed) acompanha principalmente o índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE) para avaliar o comportamento da inflação. A meta da autoridade monetária é de 2%.

O núcleo do PCE registrou alta anual de 3% em agosto. A diferença em relação ao CPI ocorre, entre outros motivos, porque os dois indicadores atribuem pesos distintos aos produtos e serviços consumidos pelas famílias.

Juros entram novamente no radar

A aceleração da inflação também reforça o debate sobre os próximos passos do Fed.

No mês passado, o banco central americano elevou os juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa passou para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta em três anos. O Fed também indicou que novos aumentos poderiam ocorrer nos meses seguintes.

Antes da divulgação do CPI de setembro, o mercado estimava em torno de 22% a possibilidade de uma nova alta na reunião de 27 e 28 de outubro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.

Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o resultado deve manter o Fed pressionado. “Após aumentar a taxa de juros na última reunião, em setembro, os membros do comitê deram declarações indicando que não viam necessidade de aumentos sequenciais, indicando que estavam dispostos a pular a reunião no fim do mês para voltar a aumentar juros em dezembro”. afirma Valério.

No entanto, ele explica que com a falta de indícios de um processo inflacionário benigno, o mercado de juros deverá testar essa vontade do Fed. “A divulgação do PPI amanhã permitirá ter uma melhor noção de como será a inflação de setembro medida pelo PCE, que é a meta de inflação oficial.”

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