A poucos meses da entrada em vigor da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para janeiro de 2027, empresas brasileiras que fornecem produtos e serviços ao setor público ainda enfrentam dificuldades para compreender os efeitos da reforma tributária sobre suas operações e a formação de preços. A fase inicial de implementação do novo sistema começou em 2026, com testes e adaptação dos sistemas fiscais.
Um levantamento realizado pelo Portal de Compras Públicas revela que 80% dos fornecedores do governo não têm compreensão total de como as novas regras do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da CBS afetarão a formação de preços. Apenas 20% afirmam ter clareza total sobre os impactos do novo modelo tributário. Outros 32,6% dizem compreender as mudanças apenas parcialmente, enquanto 29,6% ainda não entendem seus efeitos e 17,8% admitem desconhecer os detalhes da nova legislação.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 31 de agosto de 2026, com 365 empresas cadastradas na plataforma.
Questionadas sobre os principais obstáculos à adaptação, 38,9% das empresas apontaram a revisão da formação de preços, enquanto 24,1% citaram a adequação de sistemas e processos fiscais. Além disso, 63,9% dos fornecedores preveem que a nova sistemática provocará aumento nos preços oferecidos ao setor público.
A falta de clareza sobre os ajustes exigidos pela reforma pode levar as empresas a elevar as margens de segurança embutidas nas propostas de licitação, como forma de se proteger contra eventuais prejuízos. A estratégia, porém, pode reduzir a competitividade dos fornecedores nas disputas por contratos públicos.
“O fornecedor público ainda não entendeu o tamanho do impacto da mudança, nem nas licitações futuras e muito menos nos contratos que já assinou. Uma fatia importante do setor não está preparada nem no conceito, nem na operação. Quem não se preparar agora corre o risco de perder margem ou competitividade”, afirma Leonardo Ladeira, CEO do Portal de Compras Públicas.
Reforma tributária pode dificultar participação de pequenas e médias empresas
O levantamento mostra que 67,4% dos fornecedores acreditam que a reforma tornará a participação em compras públicas mais complexa para pequenas e médias empresas (PMEs). Desse total, 41,1% consideram que o processo será “um pouco mais complexo”, enquanto 26,3% esperam que seja “muito mais complexo”.
Sem departamentos tributários internos estruturados, as PMEs podem enfrentar dificuldades adicionais para adaptar sistemas, revisar procedimentos fiscais e recalcular preços. Nesse contexto, 65,7% dos fornecedores afirmam que pretendem buscar apoio externo, como o de escritórios de contabilidade, consultorias ou entidades de classe, para adequar suas operações.
Outros 26,6% dizem ainda não ter decidido qual estratégia adotar. O resultado indica que mais de um quarto dos entrevistados ainda não definiu como enfrentará as mudanças, apesar da proximidade da próxima etapa de implementação do novo sistema tributário.
“A reforma tributária ainda é vista com muita incerteza pelos fornecedores do setor público. Os dados mostram que a principal preocupação não é apenas a carga tributária, mas a capacidade de formar preços corretamente e continuar competitivo nas licitações”, avalia Bruno Ladeira, cofundador do Portal de Compras Públicas.