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Resultados da Alphabet Podem Reduzir Seu Valor de Mercado em US$ 500 Bi

Empresa divulgou investimentos pesados em Inteligência Artificial, que desagradaram os investidores e derrubaram cotações

4 min

As ações da Alphabet, controladora do Google, recuam fortemente nesta quinta-feira (29). As cotações estão em queda de 11,8% e chegaram a recuar 13,4% após a abertura. A causa foi a decepção dos investidores com os resultados. Se as ações fecharem o dia com queda superior a 9,77%, será a pior reação pós-balanço da história da empresa, que abriu capital em 2004. A confirmar-se a baixa, a Alphabet pode sofrer uma perda de US$ 500 bilhões em valor de mercado.

A receita de busca e outros cresceu 12%, para US$ 63,35 bilhões, e ficou abaixo da expectativa dos analistas pelo segundo trimestre consecutivo. O ritmo de crescimento vinha de 19% no 1T26 e 17% no 2T26.

As receitas subiram apesar de o aumento das consultas na plataforma ter sido maior em cinco anos. Executivos apontaram o câmbio como principal fator da desaceleração e disseram que o efeito será maior no quarto trimestre.

Aumento nas buscas

Philipp Schindler, diretor de negócios da Alphabet, atribuiu parte do impacto à menor monetização do Modo IA (AI Mode). Ele disse que a empresa expandiu os anúncios nos produtos AI Overviews e AI Mode, inclusive em mercados internacionais.

Segundo Schindler, a empresa também acelerou a implementação dos modelos Gemini na infraestrutura de anúncios e fez, no trimestre, a maior atualização dos anúncios de listagem de produtos em uma década. Os modelos Gemini ajudaram anunciantes a gerar mais de 1,5 bilhão de ativos de campanha, mais de sete vezes o volume do ano anterior.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,07 bilhões no trimestre. Analistas esperavam déficit de US$ 2,70 bilhões. O resultado equivale a mais de três vezes o valor estimado. É o segundo trimestre seguido de caixa negativo: no 2T26, o fluxo havia ficado negativo em US$ 5,9 bilhões, o primeiro caso desde a abertura de capital.

A Alphabet manteve a previsão de gastos de capital para 2026 entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões e afirmou que os gastos aumentarão significativamente em 2027.

O negócio de nuvem concentrou o retorno dos investimentos em IA. A receita do Google Cloud mais que dobrou e chegou a quase US$ 31 bilhões. A carteira de pedidos somou cerca de US$ 560 bilhões. A administração espera reconhecer pouco mais da metade desse valor nos próximos 24 meses.

Concorrência com a Nvidia

Parte do investimento vai para as unidades de processamento de tensores (TPUs), que concorrem com as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia. A Alphabet começou a vender os chips a clientes externos no segundo trimestre. Os contratos entram primeiro na carteira de pedidos, e a empresa precisa construir os sistemas antes de entregá-los e reconhecer a receita. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, disse na teleconferência que o dinheiro sai agora, com a formação de estoque, e entra quando a empresa entregar e faturar os sistemas aos clientes.

Parte do mercado vê a busca perder espaço para chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic. O Gemini, chatbot do próprio Google, não acompanhou o ritmo dos concorrentes e que a empresa enfrenta o dilema do inovador, entre proteger o negócio principal e aderir à disrupção.

Para analistas, os números reacendem o temor de que a inteligência artificial tire espaço da busca. Eles avaliam que a IA e os agentes podem ganhar participação da busca e do YouTube e prejudicar a narrativa de monetização da empresa.

Um analista afirmou que os receios sobre o efeito da IA, presentes entre 2023 e 2025, parecem agora se concretizar nos negócios do Google. Ele ressalvou que não se deve tirar conclusões com base em um único trimestre. Outro disse que, se os bots personalizados se popularizarem, eles podem virar o ponto de partida para o comércio, o que afeta a posição do Google.

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