Em setembro de 2025, funcionários de uma organização ambiental sem fins lucrativos foram ao Trump National Golf Club, em Jupiter, na Flórida. Durante três dias, procuraram o que costuma interessar aos naturalistas — espécies de aves, sons de morcegos, variedades de plantas — e registraram as descobertas em um relatório de 180 páginas. O documento mal mencionava o que eles realmente buscavam: uma redução de impostos para Donald Trump.
O presidente precisava dela — e muito. A volta de Trump à Casa Branca e seu empenho em lucrar com o cargo renderam US$ 1,4 bilhão em ganhos com criptomoedas em 2025 (R$ 7,21 bilhões), segundo estimativas da Forbes. Seu império imobiliário acrescentou mais de US$ 200 milhões (R$ 1,03 bilhão) a esse valor. A conta de impostos projetada para o presidente ultrapassou US$ 500 milhões (R$ 2,58 bilhões).
Entram em cena os ambientalistas. Entre as muitas particularidades do código tributário dos Estados Unidos está uma regra que permite aos proprietários de terras reduzir seus impostos ao abrir mão do direito de construir — mesmo que mantenham a propriedade. A ideia é simples: deixar de desenvolver uma área pode preservar habitats naturais, um benefício público que pode ser considerado uma doação beneficente. O relatório de 180 páginas sustentou que o campo de golfe de Trump se qualificava como um habitat natural que merecia proteção. Em seguida, ele doou a uma organização ambiental o direito de desenvolver a área, sem abrir mão da propriedade do clube de golfe.
A manobra tem certa elegância plutocrática: para fins tributários, o Trump National se transforma em uma reserva ambiental. Para os clientes pagantes, continua sendo um campo de golfe. E para o público que arca com a conta? A vista, da estrada, de um muro bege.
Nada demonstra tanto compromisso ambiental quanto proteger uma área de um loteamento que você inventou só para fazer uma avaliação.
Para deixar a ideia mais clara, aplique a mesma lógica a uma entrada de garagem no Texas. Você manda avaliar os direitos minerais sob uma mancha de óleo como se o local pudesse abrigar um campo petrolífero, doa os direitos de perfuração a uma organização ambiental contrária à exploração e reivindica uma dedução de US$ 8 milhões (R$ 41,2 milhões). Continua com a entrada, a mancha de óleo e o carro que talvez a tenha deixado ali. Seu vizinho ainda paga para guardar o barco no local. E você pode desfilar pelo bairro como o sujeito que impediu a perfuração.
Quanto essa artimanha teria poupado ao presidente? Representantes da Casa Branca e da Trump Organization ignoraram essa e outras perguntas. É difícil chegar a um número. Mas, depois de estudar acordos semelhantes do passado e conversar com oito especialistas do setor, a Forbes estima que o presidente poderia acabar abatendo algo como US$ 825 milhões (R$ 4,25 bilhões), com uma margem de erro de algumas centenas de milhões de dólares. A economia de impostos esperada levou a Forbes a elevar em US$ 300 milhões (R$ 1,55 bilhão) sua estimativa para a fortuna de Trump.
No passado, o Internal Revenue Service (IRS, a Receita Federal dos EUA) contestou os dois principais aspectos desse tipo de acordo, conhecido como servidão de conservação: a ideia de que campos de golfe — pouco conhecidos por serem ambientalmente amigáveis — possam se qualificar como reservas naturais e a avaliação dos direitos de desenvolvimento cedidos pelos proprietários. Donald Trump conhece bem esses argumentos. Já travou disputas com o IRS sobre ambos.
Agora, ele dispõe de algo que um contribuinte comum não pode reivindicar: poder sobre o governo que está do outro lado da mesa. A Trump Organization doou a servidão em dezembro de 2025. Um mês depois, Trump processou o IRS, alegando que a agência não havia protegido suas informações fiscais durante seu primeiro mandato. Ele era, ao mesmo tempo, autor da ação e presidente, processando uma agência do governo que comandava. Trump ignorou o evidente conflito de interesses. “Tudo o que eu ganhar, vou doar 100% para a caridade”, disse.
Então veio o desfecho. Em maio, um mês depois do prazo final de 15 de abril para a entrega das declarações de imposto, o Departamento de Justiça divulgou o acordo judicial do processo de Trump contra o IRS. O documento impedia o governo de apresentar qualquer reivindicação contra Trump, sua família e seus negócios relacionada a questões já pendentes — ou que pudessem vir a ficar pendentes.
O procurador-geral Todd Blanche disse ao Congresso que o acordo não se aplica às declarações de imposto do presidente de 2025. Mas uma leitura atenta do trecho sobre questões que “pudessem vir a ficar pendentes” sugere o contrário. Isso abre a possibilidade de que Trump, que aparentemente conseguiu uma prorrogação para entregar sua declaração de 2025, tenha adotado nos últimos meses a estratégia tributária mais agressiva possível — acreditando que o IRS não poderia fazer nada a respeito.
“Isso explica muita coisa sobre por que ele está tentando obter imunidade absoluta contra o IRS”, diz um advogado tributarista especializado em servidões de conservação. “Agora tudo faz sentido.”
Há mais de 20 anos, Donald Trump estava sentado no sofá de seu apartamento na Trump Tower ao lado de Edward Russo, que se descrevia como um amante da natureza e já havia presidido o conselho de planejamento do município de Bedminster, em Nova Jersey. Trump havia gastado US$ 8 milhões (R$ 41,2 milhões) para comprar a antiga propriedade do magnata do setor automobilístico John DeLorean e queria transformá-la em um clube de golfe em Bedminster. Russo estava ali para explicar os obstáculos ambientais.
O anfitrião não gostou da lição. “Tenho US$ 6 bilhões e nenhuma cidadezinha como Bedford vai me dizer o que fazer”, disse Trump a Russo, que mais tarde relatou o episódio em um livro de memórias publicado por conta própria.
“Não é Bedford, é Bedminster”, respondeu Russo. “E o homem mais poderoso da sala é aquele que não tem nada a perder. Esse sou eu.”
Russo foi embora sem se despedir. Trump, que há muito entende o poder de transformar adversários em aliados, ligou algumas semanas depois. “Vou construir um campo de golfe e, se a única maneira de fazer isso for seguir suas regras, vou enviar um contrato que você não vai poder recusar”, disse, segundo Russo. “Vou colocar você no comando da propriedade.” Russo aceitou. O clube de golfe foi inaugurado em 2004.
Naquele mesmo ano, estreou o programa de televisão The Apprentice, dando início a uma fonte de renda que acabaria gerando centenas de milhões de dólares. Russo, que esperava limitar novas construções no clube de golfe, procurou Trump com uma ideia: estabelecer uma servidão de conservação sobre a propriedade de Bedminster, doá-la ao município e reivindicar uma dedução fiscal.
Os advogados de Trump avaliaram o plano e não gostaram, pois duvidavam que ele conseguisse o benefício fiscal. Então, segundo uma pessoa próxima à Trump Organization, o futuro presidente reuniu os advogados e ligou para Russo. “Bobagem”, disse Russo à equipe jurídica. Afirmou que já havia feito esse tipo de acordo e criticou os advogados por nunca se comprometerem com nada. “Para mim, chega”, disse Trump. “Quero que todos saiam do caminho do Ed.”
Em 29 de dezembro de 2005, Trump doou ao município de Bedminster o direito de realizar qualquer desenvolvimento futuro na propriedade. O presidente, cujo governo tomou medidas neste ano para retirar a proteção de habitats de espécies ameaçadas, disse que estava protegendo os habitats de duas aves: o papa-capim-da-grama e o maçarico-de-bico-curto.
Cerca de seis meses depois, no aniversário de 60 anos de Trump, Russo entregou o que o chefe realmente queria: uma avaliação que atribuiu à servidão o valor de US$ 39 milhões (R$ 200,85 milhões), o suficiente para reduzir a conta de impostos de Trump em cerca de US$ 14 milhões (R$ 72,1 milhões). Nada mal, considerando que Trump havia comprado toda a propriedade — com os direitos de desenvolvimento — por apenas US$ 8 milhões (R$ 41,2 milhões), além de assumir algumas obrigações com os sócios. Trump disse que aquele era o melhor presente de aniversário de sua vida.
O IRS chegou a uma conclusão diferente sobre o valor da dedução: zero. Operar um campo de golfe, argumentou o governo, não era uma atividade de conservação — certamente não algo que valesse US$ 39 milhões (R$ 200,85 milhões).
Trump enfrentou a agência por anos, segundo documentos encontrados pela Forbes. Nem a Trump Organization nem o IRS responderam às perguntas sobre a disputa. Os documentos, porém, indicam que as negociações para um acordo se estenderam pelo menos até 2011, e uma pessoa próxima à Trump Organization diz que os dois lados acabaram chegando a um entendimento. Segundo essa fonte, o IRS reduziu um pouco a dedução de Trump, como costumava fazer em disputas sobre servidões de conservação naquela época.
“Eles enfrentam problemas de pessoal”, explica Cal Bomar, que trabalhou na agência no início dos anos 2000. “Fazer uma auditoria seria impossível. Então, eles praticamente não tinham escolha a não ser chegar a um acordo.”
Trump saiu da disputa mais confiante. Havia encontrado uma estratégia tributária feita sob medida para alguém como ele: dono de grandes extensões de terra, à vontade para inflar o valor de seus ativos e disposto a enfrentar o IRS. O roteiro era simples. Ambientalistas documentavam o valor de conservação de uma propriedade. Um avaliador calculava quanto a terra poderia render se fosse dividida em lotes de luxo e, depois, subtraía algumas despesas e o valor residual da propriedade. Trump doava o direito de construir, reivindicava uma dedução beneficente e mantinha o negócio. Era um abrigo fiscal disfarçado de caridade.
Depois de Bedminster, Trump repetiu a estratégia. E repetiu. E repetiu.
De 2005 a 2025, Trump doou pelo menos cinco servidões de conservação. Em todos os casos, abriu mão dos direitos de desenvolvimento sem ceder a propriedade. Incluindo o acordo de Jupiter, a Forbes estima que essas doações poderiam proteger mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,15 bilhões) em renda da tributação, o suficiente para gerar uma economia estimada de US$ 450 milhões (R$ 2,32 bilhões) em impostos. O maior beneficiário dessa generosidade: Donald Trump.
Pelo menos dois desses acordos levaram a acusações de fraude. Em 2014 e 2015, Trump prometeu não desenvolver partes de propriedades em Nova York e na Califórnia e obteve avaliações que atribuíram aos direitos doados um valor combinado de US$ 46 milhões (R$ 236,9 milhões). Como parte de um processo mais amplo sobre a inflação do valor dos imóveis de Trump, a procuradora-geral de Nova York afirmou que a Trump Organization induziu os avaliadores ao erro nos dois trabalhos para aumentar o valor das doações. Donald Trump Jr. e Eric Trump negaram as acusações, enquanto o pai disse não saber do que se tratava, embora haja muitas evidências de que estava envolvido.
No acordo da Califórnia, que protegeu uma área de treino de golfe de 12 acres, a advogada externa de Trump sugeriu que o jurídico interno destacasse a necessidade de discrição. “Lembre-o de que, quanto maior o valor e quanto mais ele falar sobre isso, mais estará contando ao mundo o tamanho da dedução fiscal que está reivindicando”, escreveu a advogada Sheri Dillon, segundo documentos judiciais. “Neste caso, isso equivale a os contribuintes dos EUA pagarem a Donald Trump para manter a área de treino de golfe e usá-la exatamente como já usa.”
Mesmo assim, Trump deu uma coletiva de imprensa.
A ameaça de escrutínio não era apenas teórica. Segundo um relatório do Congresso divulgado em 2022, o IRS examinou por anos a servidão de conservação de Nova York. Um agente anotou duas possibilidades: rejeitar a dedução integral de US$ 21 milhões (R$ 108,15 milhões) ou reduzi-la para US$ 9 milhões (R$ 46,35 milhões). As notas do agente, citadas no relatório do Congresso, também mencionavam a possibilidade de aplicar uma penalidade aos contribuintes que usassem avaliações muito imprecisas. Em 2022, a investigação ainda estava em andamento. Quando perguntado no ano seguinte se ela continuava ativa, Trump ficou evasivo. “Que eu saiba, não”, disse no banco das testemunhas durante seu julgamento por fraude. “Talvez esteja.”
Com as questões tributárias se acumulando, Trump fechou um dos melhores negócios de sua vida. Seu hotel em Washington, D.C., localizado no mesmo quarteirão da sede do IRS, dava prejuízo havia anos. Mas, em 2022, quando o país ainda vivia a euforia pós-Covid, uma empresa de investimentos comprou o imóvel de 263 quartos por US$ 375 milhões (R$ 1,93 bilhão), o maior preço já pago por quarto na capital americana. Trump saiu com muito dinheiro e uma nova dor de cabeça tributária.
O antídoto estava no sul da Flórida, onde o presidente é dono do Trump National Doral, um resort de golfe com cerca de 665 acres. O desenvolvimento da propriedade já era limitado por um acordo de 20 anos, do qual restavam poucos anos. Para criar um senso de urgência, a Trump Organization ofereceu à cidade de Doral uma servidão de conservação sobre um dos quatro campos do resort — mas apenas se o acordo fosse fechado até o fim do ano. A Câmara Municipal convocou uma reunião de emergência, e uma figura conhecida apareceu: Ed Russo.
“Este acordo termina em duas semanas”, disse Russo aos vereadores, mencionando a possibilidade de milhares de novos quartos de hotel. “Não queremos mais nada. É simplesmente algo que a família Trump fez em outros campos. E isso faz parte dos negócios de Donald Trump.” A Câmara Municipal aceitou. Com a ajuda de um avaliador do Texas que o presidente mais tarde indicou como possível testemunha em seu julgamento por fraude em Nova York, Trump obteve uma dedução de até US$ 323 milhões (R$ 1,66 bilhão) — mais do que o dobro do que havia pago pelo resort inteiro.
Antes de ir embora, Russo destacou que a propriedade também incluía outros três campos e disse que tinha autorização para trabalhar em servidões para eles. “É impressionante que a família Trump tenha nos autorizado a seguir em frente”, disse. “Vai levar tempo, mas voltarei.”
A sequência de sorte de Trump estava apenas começando. Em agosto de 2025, um tribunal de apelações de Nova York declarou que o presidente havia cometido fraude por anos ao inflar o valor de seus ativos. Mas, em uma decisão incomum, o tribunal também anulou uma multa anterior de meio bilhão de dólares aplicada a Trump. A conclusão de fraude foi mantida. A penalidade, não.
Em poucas semanas, a empresa do presidente passou a se concentrar em outra servidão de conservação — desta vez, sobre a propriedade de Jupiter, na Flórida. Antes conhecido como Ritz-Carlton Golf Club, o local foi comprado por Trump em 2012 por US$ 5 milhões (R$ 25,75 milhões), além da assunção de US$ 49 milhões (R$ 252,35 milhões) em obrigações. Hoje, é estimado em US$ 120 milhões (R$ 618 milhões). Mas a conta muda se a terra for avaliada como possível área para casas de luxo. As autoridades locais avaliam em uma média de US$ 5,9 milhões (R$ 30,39 milhões) por acre os terrenos sob as mansões ao redor do campo, segundo análise da Forbes. Nos quatro acordos anteriores de servidão, Trump afirmou que os direitos de desenvolvimento valiam, em média, 74% do valor dos lotes da vizinhança. Aplicada a mesma lógica ao acordo de Jupiter, a dedução poderia chegar a US$ 825 milhões (R$ 4,25 bilhões).
A entidade que recebeu a doação mais recente de Trump foi o Barn Group Land Trust, uma organização sem fins lucrativos que havia feito negócios com um amigo de Eric Trump. O site da entidade destaca a proteção ambiental. Seu histórico em processos tributários, porém, sugere uma atuação menos beneficente. A Forbes encontrou seis casos em que incorporadores — entre eles, o amigo de Eric — doaram servidões de conservação ao Barn Group e depois reivindicaram deduções tão agressivas que chamaram a atenção do IRS. Em um dos casos, incorporadores teriam comprado uma propriedade por US$ 900 mil (R$ 4,64 milhões) e afirmado que a servidão doada valia US$ 61 milhões (R$ 314,15 milhões). Em outro, investidores transformaram uma propriedade de US$ 1,5 milhão (R$ 7,73 milhões) em uma doação avaliada em US$ 149 milhões (R$ 767,35 milhões).
Thomas Krebs, diretor-executivo do Barn Group, afirmou em comunicado que a organização não participa das avaliações e insistiu que sua missão é proteger áreas abertas, habitats, terras agrícolas e propriedades históricas.
Nem todos acreditam nisso. “Entrei na área ambiental para ajudar as coisas”, diz um ex-funcionário do Barn Group. “No papel, parece: ‘Ah, eles vão conservar áreas. Que ótimo.’ Mas, quando você chega aos detalhes, pensa: ‘Na verdade, não estamos protegendo nada. Estamos apenas ajudando pessoas ricas a escapar dos impostos.’”
Entre elas, uma pessoa particularmente poderosa.
Dias antes de voltar à Presidência, Donald Trump entrou na rede social Truth Social. “Tenho o prazer de anunciar que Ed Russo, especialista em meio ambiente, vai liderar minha Força-Tarefa Consultiva Ambiental, que aconselhará meu governo em iniciativas para criar bons empregos e proteger nossos recursos naturais, seguindo minha política de AR LIMPO e ÁGUA LIMPA”, escreveu o presidente. “Juntos, alcançaremos a DOMINÂNCIA ENERGÉTICA americana, reconstruiremos nossa economia e VAMOS PERFURAR, BEBÊ, VAMOS PERFURAR.”
Enquanto Russo ocupa o cargo, continua trabalhando como consultor da Trump Organization. Seu projeto atual — avançar com servidões para os outros três campos de Doral — poderia, em tese, proteger mais US$ 1 bilhão (R$ 5,15 bilhões) da tributação.
Enquanto isso, o acordo que protege Trump de questionamentos tributários continua provocando reações em Washington. “Escandalosamente impróprio”, declarou um grupo de ex-funcionários do IRS e do Departamento de Justiça. Trinta e cinco ex-juízes chamaram o acordo de “produto de conluio” e “uma fraude contra o tribunal”. Em julho, o juiz federal que supervisiona o caso decidiu que o processo havia sido apresentado “para manipular o processo judicial”. O presidente está recorrendo.
Mesmo que os tribunais acabem derrubando o acordo de Trump, é improvável que alguém no Poder Executivo queira examinar suas declarações de imposto com atenção. “Tenho muitos amigos que são funcionários de carreira do IRS e acho que estão tentando fazer a coisa certa, mas não sei quais ordens você recebe”, diz um ex-integrante da chefia jurídica da agência. “Acho que não tenho confiança de que eles possam fazer o que é certo.”
Em julho, veio a notícia de que Kenneth Kies, então principal advogado do IRS, estava deixando o cargo. O Wall Street Journal informou que ele havia entrado em conflito com a Casa Branca depois de alertar que autoridades de alto escalão não poderiam pedir legalmente ao IRS que abrisse ou encerrasse uma investigação sobre qualquer pessoa. Kies também havia criticado servidões de conservação abusivas, que se tornaram um problema tão disseminado que pessoas do setor dizem que estão começando a sobrecarregar a pauta do Tribunal Tributário dos EUA. Blanche, por sua vez, permaneceu. O procurador-geral interino que aprovou a proteção tributária de Trump assumiu o cargo de forma permanente em agosto.
Quem se beneficia das servidões de conservação de Trump além do presidente? Os proprietários ricos cujos quintais ficam ao lado dos campos agora protegidos. Em Jupiter, um deles é Eric Trump, filho do presidente. Outro é Frank Bisignano, executivo do setor financeiro.
No fim do ano passado, enquanto a Trump Organization preparava a servidão para essa propriedade, Bisignano assumiu um novo cargo: o de diretor-executivo do IRS.
*Reportagem originalmente publicada por Forbes.com