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Ibovespa Amplia Queda após Eleição e Fecha na Mínima desde Janeiro

O índice foi pressionado pelas expectativas acerca da decisão do Copom, que definirá a taxa de juros amanhã

10 min

O Ibovespa fechou em baixa nesta terça-feira (03), perdendo o patamar de 165 mil pontos no pior momento, baseado no forte recuo da Petrobras e da Vale, mas também debilitado por incertezas no mercado sobre o boato da economia do país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,42%, a 165.528,92 pontos, mínimo de fechamento desde 19 de janeiro. No pior momento do dia, alcançou 164.446,53 pontos. Na máxima, marcou 168.005,46 pontos.

O volume financeiro somou R$42,62 bilhões, em pregão marcado por ajustes ao movimento de ativos brasileiros no exterior na véspera, após a semana começar com a B3 fechada em razão do feriado de Dia de Finados.

O Ibovespa fechou em queda em todas as sessões a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de outubro. No último pregão antes do desfecho das urnas, estava acima de 205 mil pontos.

Estrategistas do BTG Pactual decidiram reduzir o risco da carteira de ações 10 SIM recomendado para novembro, enviado em relatório a clientes nesta terça-feira, citando perspectivas incertas, enquanto aguardam alguma direção sobre a política econômica dos próximos quatro anos.

“Neste momento, os mercados aguardam o novo ministério do presidente Lula, especialmente quem comandará a economia, e quaisquer sinais de medidas fiscais que possam ao menos reduzir o ritmo de crescimento das despesas”, afirmaram no documento.

De acordo com a equipe do BTG, a maioria dos participantes do mercado, incluindo a equipe do banco, não espera ajustes estruturais nas contas fiscais, como as avaliações atuais mostradas claramente.

“No entanto, dado o nível atual de estresse, mesmo pequenos ajustes podem ajudar a estabilizar o mercado e os juros de longo prazo”, afirmaram.

Para a equipe do BB Investimentos, apesar do Ibovespa voltar a negociar com desconto relevante em relação aos mercados emergentes, avaliações mais atrativas não garantem, isoladamente, uma recuperação sustentada.

“A acomodação dos preços dependerá da incorporação de novas perspectivas macroeconômicas às projeções das companhias, em um período não quais repiques podem ocorrer, mas a tendência ainda exige atenção”, aponta no relatório.

Nos últimos dias, a informação de que Lula conseguiu se reunir com um dos pais do Plano Real, André Lara Resende, que defendeu um novo regime de comissões que incluiria uma limitação dos juros básicos no país, repercutiu mal entre agentes financeiros.

A informação foi negada por membros do governo e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou nesta terça-feira que nomeações de novos diretores do BC serão feitas com “rigor técnico” e com “diferentes perfis”.

Pessoas próximas a Lula também afirmaram que ele provavelmente avançará algum tempo para tomar uma decisão sobre o ministro da Fazenda.

“Isso traz um pouco de ansiedade”, afirmou o operador sênior Thiago Gentil, da Blue3 Investimentos, destacando que ainda há muito ajuste de posição, com investidores também esperando alguma sinalização no âmbito fiscal.

“Enquanto não sai nada disso, realmente o mercado fica muito, muito tenso”, afirmou.

Pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central terça-feira refletiu nesta desconfiança no mercado sobre o novo mandato petista, mostrando orientações nas perspectivas para inflação e atividade econômica em 2026 e 2027.

O relatório também mostrou que os agentes passaram a enxergar uma taxa Selic de 13,50% ao final do ano, de 13,25% anteriormente, e de 12,50% para o final de 2027, de 11,75%.

A decisão de juros do BC na quarta-feira é considerada um dos principais eventos da agenda local na semana, principalmente como sinalizações sobre os próximos movimentos de política monetária.

A maioria das estimativas de economistas em pesquisa da Reuters aponta manutenção da Selic em 13,75% ao ano.

Mas a temporada de balanços corporativos também ganha fôlego e o foco deve ficar voltado principalmente para as perspectivas dos executivos.

Nesta terça-feira, Itaú Unibanco, BB Seguridade, Isa Energia, Marcopolo e RD Saúde estão entre as companhias com resultados após o fechamento.

No exterior, os investidores aguardam o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com particular indicação de que os democratas conquistarão a Câmara dos Deputados dos republicanos, enquanto o controle do Senado permanece incerto.

O índice norte-americano S&P 500 fechou em alta de 0,36%.

Destaques

• PETROBRAS PN caiu 3,79% e PETROBRAS ON recuou 3,65%, tendo como pano de fundo a forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional na véspera, quando o barril do Brent fechou com declínio de 7,6%, e continuidade do declínio nesta terça-feira, quando a commodity encerrou o dia cotada a US$103,60, em baixa de 1,12%. No pior momento, as PNs tombaram 6,75% e as ONs despencaram 6,6%. Os ADRs da estatal já foram recuperados na véspera em Nova York. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram nesta terça-feira que a produção de petróleo do Brasil registrou seu quarto recorde mensal consecutivo em setembro.

• VALE ON resgatou 2,85%, em sessão de prejuízo dos futuros do preço do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,74%, a 671 iuans (US$100,57) por tonelada.

• EMBRAER ON subiu 4,24%, após a companhia anunciar na véspera que o Ministério da Defesa Nacional da Grécia assinou um contrato para aquisição de três cargueiros KC-390 Millennium, com opções de compra para mais três unidades, por meio de um acordo governamental entre a Grécia e Portugal.

• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,48% antes da divulgação do balanço, após o fechamento. Estrategistas do BTG Pactual tiraram ações do Itaú de sua carteira de ações 10 SIM recomendado para novembro, citando exposição nas condições de crédito. No setor, BRADESCO PN caiu 2,02%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,7% e BTG PACTUAL UNIT fechou em baixa de 1,05%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT avançou 2,26%.

• COGNA caiu 12,66%, após analistas do Citi cortarem a recomendação dos papéis para venda e reduzirem o preço-alvo de R$ 2,5 para R$ 1,2, citando reflexos nos resultados. Entre os papéis do setor no Ibovespa, o YDUQS ON, que teve recomendação de compra mantida, fechou em alta de 1,23%.

• TIM ON avançou 1,46%, tendo como pano de fundo as expectativas envolvidas na venda da empresa pelo controlador. Na semana passada, o presidente-executivo da Poste Italiane afirmou que o grupo não considera a TIM Brasil um ativo estratégico da Telecom Italia. A Poste detém 87% da Telecom Italia, que por sua vez detém cerca de 68% da TIM Brasil. Nesta terça-feira, o Valor Econômico disse que a possível venda da TIM Brasil já movimenta bancos de investimento.

Dólar à vista data em alta com preocupações sobre agenda econômica do governo

O dólar fechou terça-feira em alta no Brasil, em meio a um ambiente de cautela no mercado doméstico diante de preocupações com a agenda econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou o dia com elevação de 0,74%, a R$ 5,4863.

Na volta do feriado do Dia de Finados após uma semana turbulenta para os ativos domésticos por conta do resultado das eleições, o mercado local teve mais uma sessão de perdas.

O mau humor foi alimentado por notícia publicada na coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, dizendo que o presidente Lula se encontraria com André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real.

O economista publicou recentemente um texto no qual defende um novo regime monetário que incluiria a redução programada e gradual da Selic para reduzir a dívida pública e ajustar as contas do governo sem grandes cortes de gastos. O plano do economista também propõe o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.

A informação gerou preocupação entre investidores, com analistas argumentando que a adoção de tais medidas poderia gerar efeito oposto ao esperado, enviando ainda mais a inflação e impondo risco às reservas internacionais.

O real teve um dos piores desempenhos entre uma cesta de moedas global nesta terça, perdendo apenas para o peso mexicano.

Durante a manhã desta terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta de Lara Resende tem “deficiências” e não está na mesa de discussão do governo, reforçando a defesa de um ajuste fiscal gradual. Durigan também afirmou que ainda não teve a oportunidade de conversar com Lula sobre novas restrições para o BC, mas afirmou que as nomeações de novos diretores serão feitas com “rigor técnico” e com “diferentes perfis”.

Os agentes também se posicionaram nesta sessão para a decisão de juros do Copom, na quarta-feira. A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição de Lula turvou as perspectivas de crédito mais baratas, deixando o Banco Central na posição de ponderar os riscos de inflação contra os custos de financiamento dolorosamente altos.

A pesquisa Focus divulgada nesta manhã mostrou que os economistas consultados pelo Banco Central ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na quarta-feira, mas elevaram a projeção para a taxa no final do ano para 13,50%, de 13,25% antes. Já pesquisa da Reuters apontou expectativa de manutenção da Selic no nível atual de 13,75% esta semana, após forte acontecimento negativo dos mercados à reeleição de Lula.

“Apesar da alta do dólar, a bandeira amarela da energia elétrica contribui como pressão baixista. Além disso, a perda de fôlego da atividade também é um fator que poderá ser relatado”, disse José Faria ​Júnior, no relatório da Wagner Investimentos.

No exterior, o dólar subiu antes da maioria das moedas. O foco dos agentes está nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem levar a uma mudança no controle do Congresso norte-americano. Os operadores no Polymarket veem cerca de 77% de probabilidade de os democratas conquistarem o controle de ambas as Casas do Congresso dos EUA, um resultado que pode levar a uma supervisão mais rigorosa da inteligência artificial e a uma regulamentação mais ampla das empresas.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,13%, a 101,850, às 17h35.

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