A percepção das construtoras dos Estados Unidos segue em baixa em meio às preocupações com a acessibilidade à moradia, segundo dados recentes do Índice do Mercado Imobiliário (HMI) da Associação Nacional dos Construtores de Moradias dos Estados Unidos (NAHB).
A divulgação do Índice do Mercado Imobiliário desta segunda-feira (15) mostra uma queda de dois pontos em junho, para 35. Com isso, ficou levemente abaixo das projeções do consenso dos analistas, que miravam 36.
Trata-se do 14º mês consecutivo em que o indicador permanece abaixo de 40, uma sequência que não era observada desde 2011 e 2012, durante a crise das execuções hipotecárias.
O índice, em suma, é um levantamento da NAHB e do banco Wells Fargo que mensura a percepção das construtoras dos Estados Unidos sobre as vendas atuais de casas unifamiliares e as expectativas de vendas para os próximos seis meses.
As construtoras podem responder à pesquisa classificando suas percepções como “boas”, “regulares” ou “ruins”.
Quando o índice supera 50, isso significa que os construtores têm uma visão positiva sobre o mercado imobiliário dos EUA.
Com a leitura deste mês de junho, a NAHB frisa que a percepção das construtoras segue sendo de um mercado enfraquecido, na esteira do aumento dos custos de materiais, taxas de financiamento imobiliário ainda elevadas e os desafios de acessibilidade à moradia.
“Com o país enfrentando um déficit de aproximadamente 1,2 milhão de moradias, o sentimento das construtoras continuará fraco até que as barreiras sejam reduzidas e as condições para a construção de casas melhorem”, afirma o presidente da NAHB, Bill Owens.
“O Congresso pode ajudar aprovando o amplo pacote habitacional atualmente em tramitação no Senado, juntamente com o CONSTRUCTS Act, voltado a enfrentar a escassez de mão de obra na construção civil, e o Energy Choice Act, que busca impedir proibições estaduais e municipais ao uso de gás natural em novas residências”, completa.
Regulação e impostos aumentam pressão no mercado imobiliário dos EUA
O economista-chefe da NAHB, Robert Dietz, destaca que as políticas regulatórias consideradas custosas pela associação “estão claramente dificultando a capacidade das construtoras de ampliar a oferta de moradias”.
A entidade produziu um estudo que indica que regulamentações governamentais, impostos, taxas e outros encargos acrescentam mais de 26% ao preço de uma casa unifamiliar média.
“Reduzir gargalos nos processos de licenciamento, limites de densidade e regras de zoneamento ineficientes ajudaria a diminuir custos e apoiaria a expansão habitacional de que o país necessita”, analisa Dietz.
Mais de um terço das construtoras dos EUA cortaram preços
A pesquisa mais recente do HMI também revelou que 35% das construtoras cortaram preços neste mês de junho, uma elevação de três pontos percentuais (p.p.) ante maio.
O desconto médio seguiu sem variações, de 6%.
Por outro lado, o uso de incentivos de vendas chegou a 62%, representando alta de 1 p.p. ante maio e anotando o 15º mês consecutivo em que o indicador superou 60%.