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Antigo Shopping Melancía de Rivera É Vendido por R$ 35,9 Milhões; Havan Fica Fora do Negócio

Leilão extrajudicial quase dobrou o lance mínimo de R$ 20,4 milhões; Havan ficou de fora da operação, e o terreno deverá ter um futuro ligado à logística

4 min

O antigo shopping Melancía de Rivera mudou de mãos. No fim de julho, o complexo foi leiloado de forma extrajudicial em Montevidéu. O empreendimento chegou a ser o segundo centro comercial da cidade fronteiriça.

A disputa deixou dois dados importantes: o preço quase dobrou o valor mínimo de venda, e o comprador final não foi Luciano Hang, dono da rede brasileira Havan, que havia demonstrado interesse pelo terreno meses atrás.

A operação, conduzida pela empresa Mario Stefanoli em sua sede, na rua Uruguay, incluiu dois registros imobiliários.

O principal, de número 25.335, corresponde ao edifício do shopping propriamente dito: 95.292 metros quadrados de terreno e cerca de 28.000 metros quadrados de área construída entre o centro comercial e o estacionamento, com lojas, praça de alimentação, área de carga e descarga e depósitos.

O imóvel foi levado a leilão com lance mínimo de US$ 4 milhões (cerca de R$ 20,5 milhões) e, finalmente, vendido por US$ 7 milhões (cerca de R$ 35,9 milhões).

O segundo registro, de número 25.336, corresponde ao antigo terminal rodoviário vizinho ao shopping, com 4.723 metros quadrados de terreno e 1.450 metros quadrados de área construída.

O lote foi levado a leilão sem lance mínimo e arrematado por US$ 190 mil (cerca de R$ 975 mil) por uma empresa de Montevidéu.

No leilão do principal registro imobiliário, quem apresentou lances foi o Banco BBVA, que defendeu o crédito que detinha sobre o imóvel. Isso significa que o banco não disputou o ativo para ficar com ele como investimento, mas para evitar que fosse vendido por um valor de liquidação muito abaixo do que considerava razoável.

Os nomes das empresas que participaram da disputa não foram revelados, e o próprio banco preferiu manter o sigilo ao ser consultado pela Forbes Uruguay.

Mas a história não termina com o leilão. Segundo informações obtidas pela Forbes Uruguay junto a fontes próximas à operação, o BBVA já fechou um acordo para transferir o imóvel a uma empresa uruguaia do setor de logística, que tem um projeto próprio para o terreno.

A mesma fonte afirmou que alguns galpões do complexo, que até então eram cedidos para uso por organizações sem fins lucrativos da cidade de Rivera, já começaram a ser desocupados.

Nas próximas semanas, espera-se que a área comece a ser cercada, movimento que costuma anteceder o início das obras. O destino do antigo terminal rodoviário, por outro lado, deverá ser diferente daquele reservado ao shopping.

Antigo terminal rodoviário de Rivera
Antigo terminal rodoviário de Rivera

O próprio intendente de Rivera, o colorado Richard Sander, deu indícios desse processo na quarta-feira, 5 de agosto, durante um ato público.

“Nos próximos meses haverá uma empresa muito importante onde ficava o Melancía. Ainda não posso dizer o nome, mas nos próximos meses também haverá mudanças com a continuação da Avenida Sarandí”, afirmou.

“Será importante para os moradores de Rivera porque haverá empregos e muitas outras coisas com a chegada de empresários de outros países que vêm para se instalar ali”, acrescentou.

O fechamento depois de um final em aberto

O novo capítulo do Melancía se soma a uma história que já teve um final em aberto. O shopping iniciou suas operações em novembro de 2015, após um investimento de US$ 60 milhões (cerca de R$ 306 milhões) em um terreno de 30.000 metros quadrados, com 60 lojas e dois free shops.

Pouco mais de quatro anos depois, em dezembro de 2019, entrou em recuperação judicial por dívidas não pagas.

Em janeiro de 2021, foi adquirido em um leilão judicial pela Bonivare S.A., um grupo de investimentos com capital uruguaio e acionistas de Rivera, que anunciou planos para reabri-lo e combinar o comércio local com lojas duty-free. Essa reabertura, no entanto, nunca se concretizou, e o shopping permaneceu fechado até o leilão de julho.

O interesse que o terreno havia despertado nas últimas semanas estava relacionado à rede brasileira Havan.

Seu fundador visitou Rivera no início de julho, e a empresa confirmou que avaliava, entre outras opções, instalar ali sua primeira megaloja no Uruguai, com um investimento estimado em US$ 20 milhões (R$ 102,6 milhões) e cerca de 200 postos de trabalho.

Essa possibilidade foi descartada com o resultado do leilão, e porta-vozes da companhia confirmaram à Forbes Uruguay que a empresa não participou da disputa pelo imóvel.

Reportagem publicada originalmente em Forbesuruguay.com

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