O atual patamar da Selic foi considerado o problema mais crítico por empresários da construção civil, segundo a Sondagem da Indústria da Construção, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O levantamento aponta que o fator “taxas de juros elevadas” foi citado por 36,2% dos empresários do segmento de construção civil em pesquisa, superando carga tributária (33%) e falta ou alto custo de trabalhador qualificado (28%).
O percentual dos empresários preocupados com a taxa de juros representa alta de 1,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre anterior e mantém o item na liderança do ranking pela segunda leitura trimestral seguida.
De acordo com o relatório, o avanço na citação ao fator juros acompanha mudança na percepção dos empresários sobre o ritmo de corte da Selic.

O resultado está “refletindo expectativas de afrouxamento monetário mais lento que o esperado anteriormente”, segundo Felipe Mesquita, analista do BB Investimentos.
O item ligado à falta ou alto custo de matéria-prima perdeu espaço entre as queixas do setor de construção civil. O fator caiu da 6ª para a 11ª posição no ranking, com 10,1% das citações, ante 16% registrado no primeiro trimestre de 2026.
O relatório associa a queda à variação do preço do petróleo.
“O movimento é condizente com a volatilidade do preço do petróleo, sendo citado por 10,1% do público (16% no 1T26), mas deve se manter no radar da indústria ao longo de 2026, uma vez que as tensões geopolíticas que têm movimentado a commodity ainda não se dissiparam”, diz Mesquita, do BB Investimentos.
A Sondagem da Indústria da Construção Civil é aplicada trimestralmente pela CNI em parceria com o CBIC e mede, entre outros pontos, os principais problemas enfrentados pelos empresários do setor.
A série histórica usada no relatório do BB Investimentos cobre o período entre o 3º trimestre de 2022 e o 2º trimestre de 2026.
Confiança avança, mas expectativas recuam abaixo da linha neutra na construção civil
O índice de Confiança da Construção (ICST), medido pelo FGV Ibre, avançou aos 92,3 pontos em julho, representando alta de 0,7 p.p. ante o mês anterior, mas retração de 0,2 p.p. ante igual etapa do ano anterior, na série sem ajustes.
O estudo indica um crescimento na avaliação positiva pelo setor de edificações residenciais, compensando uma desaceleração na percepção no segmento de infraestrutura.
Os demais indicadores da sondagem da construção civil apresentaram movimento misto.

O indicador de Situação Atual avançou na base mensal aos 92,2 pontos (alta de 1,6 p.p. versus o mês anterior e queda de 0,3 p.p. no comparativo anual).
Já o Nível de Expectativas recuou nas bases de comparação aos 92,6 pontos (-0,2 p.p. na base mensal e -0,1 p.p. na base anual). Com isso, o indicador renova o patamar mais baixo registrado em 2026.
O resultado da sondagem da CNI está “sinalizando expectativas de retração da atividade pelos empresários do setor”, diz Felipe Mesquita, analista do BB Investimentos.
O Nível de Atividade da indústria da construção, componente da mesma pesquisa, caiu a 47,2 pontos, recuo de 1,9 ponto na base mensal e de 1,6 ponto na anual.
O indicador de Intenção de Investimentos também cedeu, a 42,4 pontos, queda de 1,3 ponto percentual no mês, embora siga 2 pontos acima do registrado no mesmo período de 2025.
Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade da Construção recuou a 76,1%, patamar estável frente a junho e queda de 2,1 pontos percentuais na base anual, o menor nível para um mês de julho desde 2020, quando o indicador marcou 69,9%.
A Utilização da Capacidade Operacional apurada pela CNI, por sua vez, permaneceu estável em 67%, maior patamar registrado ao longo de 2026.