Dados da Brain Inteligência Estratégica, consultoria especializada em pesquisas do setor imobiliário, mostram que foram lançadas apenas 11 unidades com ticket acima de R$ 3 milhões no Rio de Janeiro entre abril e junho de 2026 — número que representa queda de 86,9% na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando 84 unidades chegaram ao mercado no segmento.
Segundo o levantamento, trata-se do menor volume de lançamentos de alto padrão e luxo desde o primeiro trimestre de 2024.
Mesmo com a queda na oferta, as vendas do segmento seguiram em ritmo superior aos lançamentos, dado que no mesmo trimestre, 98 unidades de alto padrão e luxo foram vendidas na cidade, quase nove vezes o volume lançado no período.
O recuo de 86,9% no segundo trimestre deste ano dá sequência a uma trajetória de queda que começou no quarto trimestre de 2025, após um boom no terceiro trimestre do ano passado.
Conforme os dados da Brain, foram mais de 600 unidades de alto luxo lançadas entre julho e setembro de 2025 — volume quatro vezes e meio maior do que tudo que foi lançado neste segmento nos nove meses consecutivos.

Enquanto isso, o mercado total de imóveis verticais no Rio de Janeiro (todos os padrões somados) foi na direção contrária, crescendo 43,6% no segundo trimestre deste ano ante igual etapa do ano anterior, de 5.198 para 7.464 unidades lançadas.
Preços seguem em ascensão — e o Leblon segue sendo o bairro mais caro do Rio de Janeiro
O levantamento mostra que, embora haja recuo nas vendas e lançamentos, os preços dos imóveis de luxo do Rio de Janeiro seguem em alta, após um período de leve recuo entre a transição de 2025 para 2026.
O preço médio do metro quadrado neste segmento de imóvel saiu de R$ 21,9 mil ao fim de setembro de 2024 para mais de R$ 33,4 mil ao fim de junho de 2026.
- 3T/2024: R$ 21.952
- 4T/2024: R$ 22.201
- 1T/2025: R$ 28.967
- 2T/2025: R$ 30.656
- 3T/2025: R$ 31.000
- 4T/2025: R$ 29.845
- 1T/2026: R$ 30.770
- 2T/2026: R$ 33.431
O Leblon, por sua vez, segue sendo, com folga, o bairro mais caro da capital fluminense. Por lá, o preço médio do metro quadrado fica na casa dos R$ 71,3 mil.
É uma ampla distância dos preços praticados em Ipanema, cuja média fica em R$ 41,7 mil.
- Leblon: R$ 71.338
- Ipanema: R$ 41.759
- Copacabana: R$ 33.908
- Glória: R$ 26.594
- Barra da Tijuca: R$ 26.039
- Botafogo: R$ 22.509
- Lagoa: R$ 21.307
- Recreio dos Bandeirantes: R$ 19.682
Vendas do segmento de luxo também recuam, mas em ritmo menor
No volume de apartamentos de alto padrão e luxo que foram efetivamente vendidos, há uma queda, mas em patamar significativamente menor.
Nesse indicador, há uma queda constante desde o terceiro trimestre de 2025. Foi registrada uma queda de 44% no último trimestre de 2025 em relação aos três meses imediatamente anteriores, que foi sucedida por quedas de 23% e 23%.
Entre abril e junho deste ano, a queda foi de 66% ante igual período do ano de 2025.

No mercado total do Rio, considerando não só o alto padrão e luxo, as vendas subiram 45% no segundo trimestre ante igual período do ano anterior, saindo de 5.030 para 7.294 unidades.
Participação do luxo no mercado total atinge o menor nível da série histórica
Com o recuo nos lançamentos, o segmento de alto padrão e luxo passou a responder por 0,1% das unidades lançadas no Rio de Janeiro no segundo trimestre de 2026, o menor percentual entre os oito trimestres analisados pela Brain. Em Valor Geral de Vendas (VGV) lançado, a participação foi de 8,7%.
Nas vendas, a participação do segmento também recuou, sendo que 1,3% das unidades vendidas no Rio de Janeiro entre abril e junho deste ano eram de alto padrão ou luxo, ante 2,5% no segundo trimestre de 2025. Em VGV vendido, a fatia foi de 12,9%.