Os preços dos imóveis novos nas 70 principais cidades da China caíram 3% em agosto deste ano ante igual etapa do ano anterior, segundo o índice ponderado calculado pela Thomson Reuters com base em dados do Escritório Nacional de Estatísticas do governo local (NBS) divulgados no fim desta segunda-feira (14), no horário de Brasília.
Em julho, a taxa apurada pela Reuters, que calcula uma média ponderada com base nos mesmos dados oficiais, havia ficado em 3,2% negativos. Desta forma, o ritmo de queda dos preços de imóveis novos na China mostra desaceleração, com queda de 0,2 ponto percentual (p.p.).
A média simples das 70 cidades levantadas pelo NBS, sem ponderação, aponta queda de 3,3% na comparação anual.
As três maiores quedas na comparação anual ficaram com Luzhou (-7,7%), Baotou (-6,8%) e Luoyang (-6,3%). Em julho, essas mesmas três cidades também lideravam o ranking de queda.
Na contramão, Xangai segue como uma das poucas exceções, com alta de preços. A valorização é a maior entre as 70 cidades analisados, com apreciação de 3% na comparação anual, mesmo patamar registrado em julho.
Hangzhou aparece na sequência, com alta de 2,2%, recuo frente aos 2,6% de julho. Hefei apresenta apreciação de 0,1% ante igual etapa do ano anterior. São estas as três únicas cidades que apresentaram alta nos preços.
Os dados do NBS ainda sinalizam que o mercado de imóveis residenciais do dragão asiático apresenta algum grau de heterogeneidade.
O comportamento dos preços varia, por exemplo, conforme a metragem do imóvel.
Em Xangai, unidades residenciais com mais de 144 metros quadrados tiveram alta de 5,5% na comparação anual, ritmo superior ao das unidades de até 90 metros quadrados (+1,9%) e das unidades entre 90 metros quadrados e 144 metros quadrados (+1,3%).
O Escritório de Estatísticas mensura a variação de preços em imóveis residenciais unifamiliares, considerando apenas contratos de hipotecas convencionais dentro dos padrões de conformidade do mercado.
A metodologia segue o modelo “repeat-sales”, que compara o valor do mesmo imóvel em duas transações distintas — venda ou refinanciamento — para captar a evolução real dos preços ao longo do tempo, descontando efeitos de mix ou qualidade dos imóveis.
O resultado mensal considera dados de 70 cidades de médio e grande porte, consolidados em uma média ponderada calculada pela Thomson Reuters.
Variações de preços de imóveis novos nas 10 maiores cidades da China
- Xangai: +3,0%
- Hangzhou: +2,2%
- Nanjing: -1,3%
- Guangzhou: -1,9%
- Wuhan: -1,7%
- Pequim: -2,3%
- Shenzhen: -2,3%
- Chongqing: -3,1%
- Tianjin: -4,1%
- Chengdu: -5,0%
Imóveis usados caem nas 70 cidades pesquisadas
O levantamento do NBS também traz os preços de imóveis usados nas mesmas 70 cidades. Nesse recorte, o cenário é uniforme, já que todas as 70 cidades registraram queda na comparação anual, com média simples de 5,1% negativos.
Xangai tem o menor recuo, de 0,8%, seguida por Shenyang, com queda de 0,9%. Do lado oposto, Luzhou lidera as quedas no mercado de usados, com recuo de 9%, à frente de Tangshan, Jiujiang e Pingdingshan, empatadas em 7,4% de retração nos preços.
O levantamento do NBS abrange apenas os distritos urbanos das 70 cidades, excluindo os condados. Desde janeiro de 2026, a pesquisa passou a usar 2025 como novo período-base de comparação, mudança que, segundo o próprio órgão, tem impacto de até 0,03 ponto percentual sobre os índices de variação anual dos preços de imóveis novos.
Para imóveis novos, o NBS realiza um levantamento amplo, com dados básicos vindos dos contratos de venda registrados online pelas administrações imobiliárias locais. No índice de imóveis usados combina pesquisa das principais unidades com amostragem típica, usando informações repassadas por imobiliárias e plataformas de habitação, além de coleta de preços em campo feita por pesquisadores do órgão. Quando não há negócio fechado em determinada cidade no mês, o nível de preço é considerado estável.