As ações da Cyrela (CYRE3) operam no vermelho durante o pregão desta quarta-feira (14), na esteira de uma prévia operacional que veio abaixo das expectativas do mercado. A visão dos analistas é de que a companhia performou abaixo do esperado especialmente na sua marca Vivaz, que opera no Minha Casa Minha Vida (MCMV), e nos projetos de alta renda. Em contrapartida, o ambiente macroeconômico é apontado como um vento favorável relevante.
As ações da Cyrela chegaram a cair 5,7% durante o pregão, uma das maiores quedas do Ibovespa. Às 14h, a queda desacelera e fica em 3,5%.
Entre julho e setembro, a Cyrela lançou 15 empreendimentos, somando R$ 2,863 bilhões em VGV ex-permuta, queda de 16% ante igual etapa do ano anterior e de 25% sobre o trimestre imediatamente anterior.
As vendas líquidas ex-permuta somaram R$ 2,117 bilhões, recuo de 14% na base anual. Com permutas, as vendas foram de R$ 2,715 bilhões. A velocidade de vendas (VSO) de 12 meses caiu para 40,3%, abaixo dos 48,9% do 3T25 e dos 42,8% do segundo trimestre de 2026.
“A Cyrela reportou resultados operacionais do 3T26 mais fracos que o esperado, impulsionados pelo desempenho inferior nas operações do Minha Casa Minha Vida (Vivaz) e no segmento de alta renda. Muitas vendas no projeto de loteamento Heritage Riviera ocorreram no final do trimestre, não deixando tempo hábil para coletar os pagamentos de entrada e reconhecê-los formalmente como vendas”, diz o Itaú BBA sobre a prévia operacional da Cyrela.
A casa segue com recomendação de compra para os papéis CYRE3, com preço-alvo de R$ 33 — ao passo que as ações são negociadas a cerca de R$ 32 em bolsa, implicando em um baixo upside.
Apesar dos números mais fracos, o BBA aponta que a “perspectiva macroeconômica mais favorável para as taxas de juros de longo prazo continua sendo o principal catalisador para a ação”.
Nesse sentido, a casa frisa a potencial venda de sua torre corporativa (que poderia destravar valor equivalente a 3-4% do valor de mercado) e uma maior confiança do consumidor, o que poderia apoiar as vendas de estoques de alta renda.
Além disso, a tese também chama atenção para os múltiplos. A visão é de que os papéis da incorporadora negociam a cerca de 1,2 vez em termos de preço sobre valor patrimonial por ação (P/VPA) estimado para o final de 2026.
“Uma construtora com esse perfil de ROE poderia negociar a 1,4-1,5x sob taxas reais de juros de longo prazo mais neutras (5-5,5%).”
Analistas do BTG Pactual consideram que, “apesar da lentidão nas vendas de estoques, os lançamentos tiveram um bom desempenho no 3T26, com uma média de 33% de vendas efetuadas durante o trimestre.”
Os analistas detalham que, dos 15 projetos que somam R$ 3,4 bilhões, foram:
- R$ 1,4 bilhão (57% de queda na base anual) no segmento de alta renda
- R$ 640 milhões (alta de 98% na base anual) no segmento de média renda
- R$ 1,4 bilhão (6% de queda na base anual) no âmbito do programa habitacional MCMV
“Apesar de um terceiro trimestre fraco, a recomendação de Compra (Buy) é mantida para a Cyrela, sob a crença de que a empresa se beneficiará fortemente das taxas de juros mais baixas no Brasil, além de estar negociando a um múltiplo atraente de 7x o Preço/Lucro (P/L) estimado para 2027”, dizem os especialistas da casa.
A recomendação do BTG Pactual também é de compra para as ações da Cyrela, com preço-alvo de R$ 40.