À medida que os edifícios corporativos de classe A dos Estados Unidos continuam disputando a preferência das empresas para trazer seus funcionários de volta ao escritório, proprietários e projetistas desses empreendimentos buscam inspiração no setor de hospitalidade para atrair inquilinos e trabalhadores.
Além de investir em ambientes acolhedores e serviços semelhantes aos oferecidos por concierges, alguns proprietários de imóveis comerciais apostam em opções gastronômicas de alto padrão como incentivo ao retorno presencial.
A ideia é que restaurantes sofisticados, com serviço completo e integrados ao complexo dos edifícios, funcionem como um atrativo para os usuários.
“Os edifícios corporativos de hoje precisam oferecer experiências que as pessoas realmente utilizem e valorizem, e não comodidades criadas apenas para cumprir uma lista de requisitos”, afirma Bill Elder, vice-presidente executivo e diretor-gerente da divisão de Nova York da RXR, empresa de investimento, desenvolvimento e operação imobiliária especializada em imóveis corporativos e empreendimentos de uso misto.
“E a hospitalidade se tornou uma parte essencial dessa equação.”
Três exemplos
O Vertis Green Hills, empreendimento de uso misto que inclui 85.500 pés quadrados (aproximadamente 7.943 m²) de área comercial, incluindo escritórios, no popular bairro de Green Hills, em Nashville, no Tennessee, ilustra essa tendência.
O empreendimento de alto padrão inaugurou o Lupo Notte, restaurante que oferece uma versão sofisticada da culinária italiana.
O estabelecimento é o primeiro conceito de restaurante desenvolvido do zero e pertencente e operado diretamente pela Southern Land Company, incorporadora responsável pelo desenvolvimento, pela propriedade e pela operação do Vertis.
Na mesma época, o empreendimento corporativo boutique The Fifth, em Miami Beach, incorporou o Sant Ambroeus.
O restaurante e confeitaria, de renome histórico, serve pratos clássicos milaneses e italianos em um ambiente charmoso, inspirado no estilo do Velho Mundo. A marca também mantém diversas unidades em Manhattan.
Outro exemplo está no Starrett-Lehigh Building, um edifício industrial de arquitetura modernista que se destaca na West 26th Street, no bairro de Chelsea, em Manhattan.
Nesse local, a RXR instalou o Level Ten, um centro de conferências e comodidades com 44 mil pés quadrados (aproximadamente 4.088 m²).
O espaço abriga o The Yacht Club, restaurante aberto ao público que permite aos trabalhadores do edifício passar facilmente do escritório para o almoço, tomar bebidas, aproveitar opções de entretenimento ou jantar.
Assim como a inclusão do Lupo Notte no Vertis e a instalação do Sant Ambroeus no The Fifth, a iniciativa representa um novo capítulo na tendência de empreendimentos corporativos que incorporam restaurantes cuidadosamente selecionados e planejados.
Após o fechamento de um restaurante que funcionava anteriormente no Vertis, a Southern Land Company considerou incluir outro estabelecimento de uma marca externa.
No entanto, depois de avaliar diversos candidatos, a análise conduzida pelos proprietários levou à decisão de criar e operar internamente um restaurante inteiramente novo.
Tim Downey, fundador e CEO da Southern Land Company, já observou que a criação de restaurantes exclusivos em empreendimentos de uso misto e edifícios corporativos muitas vezes precisa ser financiada pelo próprio grupo proprietário.
“Compartilhar uma refeição pode aproximar as pessoas e criar momentos significativos”, destaca Downey.
“Durante muito tempo, os edifícios corporativos de uso misto ofereceram opções de alimentação rápida mais funcionais do que voltadas ao lazer, com alternativas pouco interessantes para quem queria almoçar antes de voltar ao trabalho.”
O impacto de um estabelecimento-âncora
Na avaliação de Downey, o Lupo Notte representa um contraste marcante com essa abordagem ultrapassada.
A decisão de incorporar o restaurante acrescenta mais um atrativo para os trabalhadores dos escritórios e dos estabelecimentos comerciais, além dos moradores e visitantes do bairro de Green Hills. Segundo ele, o restaurante tem potencial para se tornar um ponto de referência da comunidade, atraindo pessoas para a região.
O The Yacht Club, restaurante instalado no Starrett-Lehigh Building, é um complemento pensado para o Level Ten, espaço onde os ocupantes do edifício podem se reunir, colaborar, realizar encontros com clientes, produzir conteúdo, organizar e participar de eventos ou simplesmente estabelecer conexões fora do ambiente tradicional de escritório.
Além de oferecer salas flexíveis para conferências e reuniões, o Level Ten conta com lounges, estúdios, espaços para eventos e ambientes na cobertura, todos equipados com tecnologia e serviços que incorporam elementos da hospitalidade.
O Level Ten e o The Yacht Club “tornam o ambiente de trabalho mais dinâmico ao longo do dia”, afirma Elder. “E [eles] dão às pessoas mais motivos para ir ao edifício, permanecer por mais tempo e interagir com o espaço de diferentes maneiras.”
Matéria publicada originalmente em Forbes.com