Seis a cada dez compradores de imóvel afirmam que a intenção de fazer financiamento aumentou com o novo modelo de crédito imobiliário. Para 34%, ficou igual, e somente 7% disseram que diminuiu. Os números são da pesquisa Moradia do Amanhã, do DataZAP (Data & AI do Grupo OLX), feita com 673 usuários dos portais OLX, ZAP e Viva Real e divulgada nesta quarta-feira (21).
Em termos geracionais, nas gerações Z (18 a 30 anos) e Y (31 a 42), 65% disseram que a intenção de financiar subiu.
Já nas gerações X (43 a 62) e BB (63 ou mais), 55% — ou seja, dez pontos percentuais de distância.
O novo modelo de crédito imobiliário, na prática, altera a forma de como os bancos, que financiam a operação, usam o dinheiro da poupança.
Em suma, ele derruba o compulsório do Banco Central (BC). Antes, 65% do dinheiro que estava na caderneta de poupança dos bancos tinham de ser direcionados ao crédito imobiliário, outros 15% ficavam livres e 20% iam para o BC como compulsório.
Agora, a cifra total da caderneta virou uma referência para o repasse que os bancos devem destinar ao crédito imobiliário (modalidades SFH e SFI). Na prática, isso reduz a dependência da poupança e deve aumentar a captação via Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).
A mudança foi anunciada há um ano e tem transição gradual, com o novo modelo completo valendo em janeiro de 2027.
Na pesquisa do DataZAP, metade dos entrevistados cita que o financiamento imobiliário é o principal método para compra de um imóvel. O restante fica dividido entre:
- Programas sociais, como Minha Casa, Minha Vida (MCMV), HIS e HMP: 30%
- Pagamento 100% à vista: 24% (28% entre os homens)
- Consórcio ou carta de crédito: 13%
- Permuta, troca por outro imóvel: 13%
- Parcelamento com a incorporadora durante a obra: 8%
- Pagamento de 100% do valor só com resgate do FGTS: 6%
- Outra forma: 17%
Nessa pergunta, o entrevistado podia marcar mais de uma opção (1,6 forma por pessoa, em média), por isso a soma passa de 100%.
A pesquisa do DataZAP ouviu os entrevistados entre 19 de agosto e 18 de setembro de 2026.
Em termos de renda familiar e perfil socioeconômico, metade dos entrevistados pertence à classe C e 31% à classe B.
A renda domiciliar mensal mediana é de R$ 5.103,75, chegando a R$ 5.546,75 quando considerada também a renda de outras pessoas que participam da compra.
Que tipo de imóvel cabe no bolso
A mediana do valor de compra buscado é de R$ 238.690,09 (401 respostas).
- Até R$ 199.999: 39%
- De R$ 200 mil a R$ 499.999: 43%
- De R$ 500 mil a R$ 999.999: 12%
- R$ 1 milhão ou mais: 6%
Na geração Z, 61% procuram imóvel de até R$ 199 mil. A faixa de R$ 200 mil a R$ 499.999 aparece mais na classe B (59%).
Juros e Selic pesam mais que política
Embora o ânimo com o novo modelo de crédito imobiliário, 68% dos entrevistados ainda apontam as taxas de juros do financiamento como fator de maior interferência na compra, seguidas pelas regras de concessão de crédito (66%) e pela Selic (64%).
Só 11% dizem que os juros do financiamento interferem pouco (notas de 0 a 3). Na política,
33% dizem que interferem pouco. É o fator de menor peso, mas mais da metade ainda dá
nota de 7 a 10. Outro dado: a taxa do contrato fica à frente da Selic na lista.