A pesquisa mais recente do American Institute of Architects (AIA), publicada em 22 de setembro, analisa as tendências de design de casas e imóveis, comparando o que os proprietários estão solicitando aos arquitetos para ampliar ou modernizar suas residências no terceiro trimestre de 2026 em relação a 2025.
Para realizar os levantamentos, a associação profissional pede que seus membros respondam a questionários sobre o que estão observando em seus escritórios. Em seguida, os relatórios são elaborados a partir de centenas de respostas.
Muitas das categorias que apresentaram crescimento, segundo os arquitetos, podem melhorar o potencial de bem-estar das casas.
Diante da demanda contínua por ambientes e recursos voltados ao bem-estar, essas características também podem contribuir para o valor de revenda dos imóveis no futuro.
Áreas de convivência ao ar livre
Os arquitetos relatam que a demanda por áreas de convivência ao ar livre saltou de 40% para 51% no último ano. Isso não chega a ser surpreendente.
O resultado também acompanha um aumento ainda maior na procura por jardins de inverno e varandas de três estações, que passaram de 6% no ano passado para 25% neste ano. Esse tipo de recurso é mais popular em regiões de clima frio, onde o desejo de aproveitar os espaços externos é limitado pelas baixas temperaturas, que nem mesmo uma fogueira externa consegue compensar.
Nas regiões de clima intermediário, os espaços externos aquecidos avançaram quatro pontos percentuais, de 12% em 2025 para 16% em 2026.
Ao que parece, menos proprietários interessados em aproveitar o contato com a natureza têm desenvolvido interesse por jardinagem, já que estufas e áreas internas e externas destinadas ao cultivo caíram de 11% para 9% no último ano.
Espaços internos
Mais organização
Um dos espaços internos que mais ganhou popularidade no último ano é a chamada mud room ou drop zone, uma área de transição destinada a deixar calçados, casacos e outros objetos antes de entrar nas áreas principais da casa. Trabalho com projetos e escrevo sobre esses espaços há mais de uma década, então não consigo apontar exatamente a razão para o salto de 21% em 2025 para 30% em 2026.
Talvez isso esteja relacionado a uma maior conscientização sobre a disseminação de germes, impulsionada pela cobertura do movimento “Make America Healthy Again”.
Ou talvez seja um reflexo da recuperação das vendas de pisos, conforme reportado pela Floor Covering Weekly, e do desejo de proteger a nova superfície. Também é possível que os proprietários estejam percebendo que uma mud room ou drop zone ajuda a manter sujeira e desordem longe das principais áreas de convivência da casa.
(Eu tenho um banco e uma sapateira na garagem para trocar os sapatos por chinelos antes de entrar em casa. Ao lado do banco, há prateleiras para compras em grandes quantidades e itens menores que não precisam ser armazenados dentro da residência. Essa é uma parte importante da minha estratégia pessoal para reduzir a desordem.)
Adições que valem a pena
Alguns espaços apresentaram aumentos modestos, incluindo melhorias nas garagens (17%, ante 15% em 2025), salas de exercícios ou espaços para ioga (também 17%, ante 15% em 2025) e áreas dedicadas ao gerenciamento da automação residencial (9%, ante 6% em 2025).
A automação residencial pode ampliar o potencial de bem-estar da casa por meio de recursos como controle de temperatura, sistemas de sombreamento, iluminação circadiana e segurança, por exemplo.
Quedas relevantes
Uma queda significativa ocorreu nos espaços destinados a hóspedes. Segundo o AIA, as junior ADUs (apartamentos anexos — geralmente conversões de garagem ou ampliações de suítes), as suítes para parentes e as suítes para au pairs recuaram de 46% em 2025 para 34% neste ano. Isso pode estar relacionado a uma queda geral nas viagens para os Estados Unidos no último ano.
Muitas suítes para parentes e JADUs são construídas para receber familiares internacionais. (Por exemplo, já tive amigos e vizinhos cujos pais, vindos das Filipinas, ficaram com eles por vários meses todos os anos.)
Regras de imigração mais rígidas resultaram em uma redução no número de au pairs — babás internacionais que moram na residência — vindas de outros países no último ano. Isso também pode reduzir a demanda por suítes com quartos adicionais.
Recursos especiais para as residências
Suítes adicionais
Ao que parece, os proprietários continuam procurando maneiras de receber familiares, independentemente da disponibilidade de suítes dedicadas. As acomodações para famílias de múltiplas gerações avançaram quatro pontos percentuais, de 49% no ano passado para 53% neste ano.
Isso pode ter menos relação com viagens e mais com questões de acessibilidade financeira. O aumento dos custos com cuidados infantis e assistência a idosos, assim como a escassez de moradias, está impulsionando o crescimento de lares com múltiplas gerações.
Adaptações de acessibilidade
Outra adaptação que pode atender visitantes mais velhos e moradores com dificuldades de mobilidade é o aumento de 8 pontos percentuais, de 39% para 47%, na parcela de arquitetos que relatam maior demanda por portas e corredores mais largos.
As suítes principais no primeiro andar também ganharam popularidade, passando de 45% no ano passado para 52% em 2026. Nesse caso, a tendência está mais relacionada à possibilidade de envelhecer na própria residência do que à hospedagem de visitantes.
Recursos de fácil utilização, como maçanetas de alavanca e torneiras, também avançaram, de 16% para 20%. Essas mudanças costumam ter custo acessível.
Por outro lado, adaptações mais caras para permitir o envelhecimento na residência, como rampas, elevadores e estruturas preparadas para a instalação futura de elevadores, caíram de 35% em 2025 para 31% em 2026. As entradas residenciais sem barreiras também recuaram, de 31% para 28%.
Uma tendência em alta perde força
A queda mais significativa na categoria de recursos especiais, em comparação com o relatório do ano passado, foi registrada nas piscinas para imersão em água fria (cold plunge). A procura caiu de 30% em 2025 para 13% em 2026.
“A imersão em água fria tem uma das maiores taxas de abandono entre as práticas de bem-estar — não porque os benefícios não sejam reais, mas porque a maioria das banheiras torna a experiência de ter uma delas bastante desagradável”, afirma a Coldtubs, fabricante desses produtos, em seu site.
Outras reportagens, porém, apontam para alegações exageradas sobre benefícios à saúde. A Altea, empresa especializada em projetos para academias e clubes esportivos, mantém em seu site uma página dedicada a desmistificar essas alegações, incluindo riscos à saúde e comparações entre o que é exagero e o que pode ser considerado um benefício realista.
Na outra ponta da tendência relacionada à água, os espaços para banho de animais de estimação tiveram leve alta, passando de 12% em 2025 para 14% neste ano.
Sustentabilidade perde espaço
Fiquei surpreso ao ver que os projetos resistentes a furacões e tornados caíram de 15% para 11% nesta pesquisa. A construção com emissão líquida zero recuou ainda mais, de 13% para 5%. Isso provavelmente está relacionado ao fim de incentivos fiscais federais destinados a estimular essas características.
Uma construção com emissão líquida zero pode custar até 15% mais, embora possa gerar economia no longo prazo. Com tarifas e inflação elevando os custos de reformas residenciais e novas construções, não é surpreendente que os proprietários procurem reduzir os gastos iniciais.
As vendas de painéis solares também perderam força, com queda de 6%, de 29% em 2025 para 23% neste ano, provavelmente também devido ao fim dos créditos fiscais. Por outro lado, apesar do desaparecimento desses incentivos, as estações residenciais de recarga para carros elétricos avançaram de 72% para 77% na comparação anual.
O choque causado pelos preços nos postos de combustíveis pode estar impulsionando esse crescimento. (Depois de pagar mais de US$ 6 por galão de gasolina comum neste último fim de semana — mais do que paguei em qualquer momento nos 16 anos desde que me mudei para a região de San Diego — consigo entender o apelo da recarga com energia solar.)
Matéria publicada originalmente em Forbes.com