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“Quero Mostrar Que É Sexy e um Privilégio Chegar À Menopausa”, Diz a Atriz Halle Berry

Aos 58 anos, vencedora do Oscar assume o papel mais importante de sua carreira até agora: à frente da startup de saúde feminina Respin

4 min

Halle Berry sabe o que você pensa dela. A primeira (e até agora única) mulher negra a ganhar um Oscar de Melhor Atriz, a ex-modelo e presença constante em listas das “pessoas mais bonitas” conhece bem a fama de ser lembrada sobretudo por suas atuações e por sua aparência. Mas três palavras, gritadas no Capitólio dos EUA em maio de 2024, enquanto estava cercada por um grupo bipartidário de senadoras (todas mulheres), podem mudar isso: “Estou na menopausa!”

“Por muito tempo, as pessoas me colocaram nessa caixa de símbolo sexual”, diz Berry. “Quero mostrar que é sexy chegar a esse momento da vida, e que é um privilégio envelhecer’.”

Em sua sexta década de vida, Berry está totalmente focada na saúde das mulheres. É uma missão que combina ativismo e empreendedorismo, iniciada quando sua própria perimenopausa foi diagnosticada erroneamente como herpes. Naquele momento, ela percebeu o quanto médicos e pacientes ainda precisavam de mais informação sobre essa fase crucial (e, para quem vive o suficiente, universal) da vida.

“Espero estar dando [às mulheres] coragem para se manterem firmes e aceitarem que não precisamos permanecer eternamente com 30 anos. Quem quer ficar eternamente com 30?”
Halle Berry

Berry está à frente da Respin, originalmente um site de bem-estar e exercícios que ela fundou em 2020 e que foi relançado em fevereiro deste ano como uma empresa de saúde voltada à menopausa.

Com menos de US$ 5 milhões (R$ 27,7 milhões) em financiamento de investidores como a Khosla Ventures, a Respin ainda está em seus primeiros passos — as consultas por telemedicina foram lançadas apenas em julho e a receita ainda é incipiente —, mas Berry diz estar energizada com o desafio de fazer sua startup crescer e ganhar escala. “Este é o meu maior ato”, afirma. “E eu nunca poderia ter imaginado isso porque acho que, como mulheres, temos medo de envelhecer.”

Como funciona a startup de Halle Berry

A Respin começou como um site que oferecia treinos para fazer em casa (Berry o lançou durante a pandemia), equipamentos de exercício como faixas de resistência e cordas de pular, além de uma comunidade de mulheres com interesses semelhantes.

Hoje, a empresa atua em duas frentes. De um lado, vende assinaturas de comunidade: por US$ 149 (R$ 825,65 ao ano) ao ano, as usuárias têm acesso a chats privados com outras mulheres passando pela menopausa, sessões de perguntas e respostas ao vivo com médicas e “acesso antecipado” aos gadgets de bem-estar favoritos de Berry.

Do outro, por meio de uma parceria com a empresa de intimidade feminina Joylux, oferece produtos como um “gel íntimo” de US$ 21 (R$ 116,37) até US$ 45 (R$ 249,36) e uma haste vaginal com terapia de luz vermelha — para ajudar no ressecamento vaginal e na função do assoalho pélvico — por US$ 495 (R$ 2.744,93).

Na frente de saúde do negócio, mulheres que buscam respostas sobre seus sintomas da menopausa podem agendar uma consulta de telemedicina de 30 minutos com um médico ou enfermeiro especializado em menopausa por US$ 55 (R$ 304,77).

Ally Tam Tumasova, cofundadora e CEO da Respin Health, diz que as mulheres também podem responder a um questionário detalhado para receber um plano de estilo de vida personalizado por US$ 20 (R$ 110,83), participar de sessões de coaching em grupo para ajudar a seguir esse plano por US$ 45 (R$ 249,36) por mês ou pagar US$ 100 (R$ 554,13) por uma sessão individual.

O mercado bilionário da menopausa

Frédérique Dame, sócia geral da GV (antiga Google Ventures) e investidora inicial da concorrente da Respin, a Midi Health — fundada pela integrante da lista 50 Over 50 de 2023 Joanna Strober —, afirma que atualmente há mais demanda por terapias relacionadas à menopausa do que profissionais disponíveis. Nos Estados Unidos, 1,3 milhão de mulheres entram na menopausa todos os anos, enquanto menos de 2.500 médicos são certificados na área.

Globalmente, esse mercado — que inclui terapia de reposição hormonal, medicamentos com e sem prescrição, suplementos alimentares e orientação nutricional — foi avaliado em US$ 17 bilhões (R$ 94,2 bilhões) no ano passado e deve chegar a US$ 24 bilhões (R$ 133 bilhões) em cinco anos, segundo a empresa global de pesquisa Grand View Research. “É um mercado enorme”, diz Dame.

E também muito amplo e inexplorado. É por isso que Berry mira alto: “Estamos tentando ser um ponto único para tudo o que envolve a menopausa, porque o que aprendi nessa jornada é que cada mulher ‘menopausa’ de um jeito diferente.”

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