Mulheres são minoria no futebol, dentro e fora dos campos. Uma das exceções nesse universo, a árbitra Daiane Muniz, 37 anos, foi alvo de um ataque machista de um jogador do Red Bull Bragantino ao apitar uma partida do campeonato paulista no último sábado (20). “Não adianta colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho“, disse o zagueiro Gustavo Marques depois de seu time ser eliminado nas quartas de final contra o São Paulo.
O jogador questionou a capacidade de uma árbitra que já apitou jogos de Copa do Mundo e Olimpíada. Natural de Três Lagoas (MS), Daiane atua em partidas nacionais pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) desde 2012, e em competições internacionais pela FIFA e pela CONMEBOL (Confederación Sudamericana de Fútbol) desde 2018. Também é árbitra da Federação Paulista de Futebol há cinco anos.
Ao longo da carreira, participou de eventos de destaque como a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023, os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA, na qual apitou a final.
Árbitros frequentemente são questionados por sua atuação em jogos, mas dificilmente por sua competência. O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte se manifestaram repudiando as declarações do jogador e manifestando solidariedade à arbitra e apoio a todas as mulheres que atuam no futebol.
A Federação Paulista de Futebol disse que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva, responsável por avaliar as punições que devem ser aplicadas ao jogador.
O Red Bull Bragantino também defendeu a árbitra. O zagueiro receberá uma multa do clube no valor de 50% dos seus vencimentos, e o valor será destinado à ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. O atleta também não entrará em campo no próximo jogo do time.