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Candidata a Astronauta da NASA Conta Bastidores de Treinamento para Ir Ao Espaço

Depois de duas negativas, Rebecca Lawler foi aprovada pela agência espacial em 2025, na primeira turma com maioria feminina; em entrevista à Forbes Brasil, fala sobre o caminho até lá

5 min

Candidata a astronauta da NASA, a americana Rebecca Lawler vive uma rotina intensa de treinamentos desde que foi anunciada na nova turma da agência espacial, que pela primeira vez tem maioria feminina. “Ainda está começando a cair a ficha de que estou aqui”, diz em entrevista à Forbes Brasil. “É algo muito diferente de qualquer coisa que eu já tenha feito antes.”

Na base em Houston, nos EUA, os candidatos passam por um período de treinamento de dois anos até estarem aptos para atuar como astronautas. Rebecca agora está em fase de preparação para fazer EVAs (Extravehicular Activity), atividades realizadas fora da espaçonave, em órbita ao redor da Terra. “A preparação envolve colocar o traje espacial, entrar na piscina e trabalhar com meus colegas para realizar manutenção e, possivelmente, resgates.”

A rotina de um candidato a astronauta na NASA

Rebecca, de 38 anos, começa o dia cedo, com foco no condicionamento físico. “Trabalho com uma equipe que me ajuda a ir de uma ‘mãe de meia-idade’ para alguém em forma o suficiente para ser astronauta.”

Depois disso, a manhã segue cheia: aulas particulares de russo e de sistemas, além de treinamentos com ferramentas de EVA. À tarde, voa o T-38, avião supersônico de treinamento avançado, com um instrutor, fazendo acrobacias e praticando gerenciamento de recursos da tripulação. Mesmo com a rotina intensa, faz questão de reservar o fim do expediente para buscar o filho na escola.

Entre um compromisso e outro, passa seu tempo no “escritório dos astronautas”, onde tem mentorias e contato com profissionais mais experientes durante o almoço, além de conviver com seus colegas de turma. “Todos temos experiências de vida muito semelhantes. Muitos são pais ou viveram em lugares diferentes”, diz. “Ficamos conversando sobre essas coisas e nos conhecendo.”

Turma de 2025 de candidatos a astronautas da NASA
Divulgação/NASATurma de 2025 de candidatos a astronautas da NASA

Uma carreira nos ares

Ex-piloto militar e “caçadora de furacões”, a candidata a astronauta construiu uma carreira recheada de aventuras longe do chão — ainda que nunca tivesse voltado os olhos para o espaço. “Os astronautas eram como lendas. Não parecia algo que qualquer pessoa pudesse fazer”, lembra. “Mas eu sabia que queria ser piloto de testes. Esse era o meu objetivo.”

Criada em Little Elm, uma pequena cidade no norte do Texas, Rebecca começou sua trajetória profissional nas Forças Armadas: foi estudar na Academia Naval dos Estados Unidos, em 2009, como um caminho para servir como aviadora naval.

Não demorou para ser selecionada para a Escola de Pilotos de Teste da Marinha dos Estados Unidos, em Patuxent River, Maryland, onde se formou em 2016. “Lá, pilotei os P-3s, grandes aeronaves de quatro motores que já não voam mais”, conta. “Foi nesse período que desenvolvi minhas habilidades iniciais de trabalho em tripulação e equipe.”

O caminho até a NASA

A chave virou quando um astronauta foi conversar com a sua turma e falar sobre a profissão. “Ele traçou muitos paralelos com tudo o que eu amava nos testes de voo. Isso acendeu uma luz para mim de que o caminho de astronauta era uma possibilidade.”

Ainda na escola de pilotos de teste, a aviadora se candidatou para a NASA pela primeira vez. “Não consegui sequer uma entrevista”, lembra. “Mas percebi várias formas de aplicar o que eu sabia sobre testes de voo para tornar o mundo um lugar melhor.”

O pontapé a direcionou para um lado científico que ainda não tinha explorado. “Passei a estudar mais sobre engenharia de sistemas espaciais e acabei me apaixonando pela ciência.” Em 2018, concluiu o mestrado na área pela Universidade Johns Hopkins.

Dois anos depois, deixou a Marinha para voar pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), como parte da equipe conhecida como “Caçadores de Furacões”, na qual era responsável por pilotar aviões dentro de furacões e tempestades. “Ajudava as pessoas a saber quando uma tempestade estava chegando e a entender melhor o nosso clima.” Na mesma época, se candidatou de novo para o processo seletivo da NASA. Mais uma vez, sem retorno.

Depois, foi trabalhar na United Airlines como piloto de testes. Foi então que fez uma terceira tentativa na NASA. “Dessa vez, passei por um processo que durou um ano inteiro, com múltiplas entrevistas e mais exames físicos do que eu jamais imaginei fazer na vida”, conta. “Ao final, eles me ofereceram uma vaga na equipe.”

Representatividade feminina

Ao longo de sua carreira, Rebecca sempre atuou em ambientes majoritariamente masculinos. “No início, sentia a pressão de representar metade da população mundial em tudo o que fazia.” Na mais nova turma da NASA, o cenário é outro: entre os 10 candidatos, seis são mulheres.

Às novas gerações de meninas que sonham em ser astronautas, Rebecca deixa um conselho: encontre algo pelo qual você seja verdadeiramente apaixonada. “Eu amo pilotar aviões. Por causa disso, percebi que também amo fazer ciência com aviões”, diz. “Existem muitos campos diferentes que podem te trazer até aqui. Se você encontrar aquilo que ama e dominar essa área, as portas vão se abrir.”

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