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Colleen Hoover Aposta em Hollywood e Paga o Preço para Ter Controle Criativo

Em vez de vender direitos, a autora best-seller passou a produzir suas próprias adaptações, como "Uma Segunda Chance", que acaba de estrear no Brasil

7 min

Se há algo que a autora Colleen Hoover aprendeu trabalhando em Hollywood nos últimos anos, é que a produção cinematográfica se move muito mais lentamente do que a editorial. A autora de 46 anos lançou 24 romances na primeira década de sua carreira, tornando-se a autora mais vendida do mundo em 2022 com títulos como “É Assim que Acaba” e “Até o Verão Terminar“. No entanto, ela passou grande parte dos últimos quatro anos coescrevendo e produzindo uma adaptação de um deles, “Uma Segunda Chance“, que estreou nos cinemas brasileiros nesta semana.

Nesse período, os romances de Hoover tornaram-se uma força nas bilheterias. A adaptação cinematográfica de “É Assim que Acaba” arrecadou US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) em todo o mundo em 2024 — apesar de meses de uma batalha jurídica entre os protagonistas Blake Lively e Justin Baldoni — e “Se Não Fosse Você” alcançou US$ 90 milhões (R$ 473,28 milhões) no final de 2025. “Verity“, que estreia em outubro deste ano, estrelado por Anne Hathaway e Dakota Johnson, marcará sua quarta adaptação em pouco mais de dois anos.

Esses projetos, somados ao seu trabalho em “Uma Segunda Chance”, deixaram Hoover sem tempo para escrever novos livros nos últimos três anos. Embora seus royalties continuem chegando — a Forbes estima que ela tenha ganhado cerca de US$ 4 milhões (R$ 21,03 milhões) com vendas de livros em 2025 —, ela provavelmente poderia ter dobrado ou até triplicado esse total com um novo romance.

“Por mais foco que eu tenha colocado no negócio do cinema, isso me custou dinheiro”, diz Hoover à Forbes. “Estar no set por cinco meses é, na verdade, tirar o tempo de como eu ganho dinheiro, que é escrevendo livros.”

“Estou fazendo isso por um desejo genuíno de ter um novo canal criativo, aprender e ver os personagens ganharem vida. Eu sei o quanto esses livros significam para os leitores e quero estar envolvida para ajudar a torná-lo um filme que seja mais fiel ao livro do que a maioria das adaptações.”

Como Colleen Hoover foi de autora a produtora

Tradicionalmente, os produtores de cinema pagavam um valor alto para manter os autores longe do processo de adaptação, comprando propriedades literárias cobiçadas por até US$ 3 milhões (R$ 15,78 milhões) — valor que o autor Andy Weir teria recebido da Amazon para adaptar “Projeto Hail Mary“, agora um filme com Ryan Gosling — e dando liberdade total aos roteiristas para alterarem o material como bem entendessem. Mesmo quando os autores prestam consultoria, recebendo crédito de produtor executivo e uma pequena taxa adicional, a fidelidade ao material original raramente é uma prioridade.

Embora os pagamentos não tenham subido muito nos últimos 30 anos — desde que John Grisham e Michael Crichton supostamente receberam US$ 3,75 milhões (R$ 19,72 milhões) e US$ 2,5 milhões (R$ 13,15 milhões) pelos direitos de livros no início dos anos 1990 —, o alcance potencial de um filme ou série ainda supera até mesmo o dos livros mais vendidos, e pode impulsionar as vendas futuras por anos.

Hoover aceitou esses acordos inicialmente, vendendo as opções de direitos de “É Assim que Acaba”, “Se Não Fosse Você” e “Verity” por somas de sete dígitos, tudo em um intervalo de seis meses entre 2019 e o início de 2020. “Tinha visto muitos amigos autores venderem direitos e nada nunca ser produzido”, diz ela. “Nunca esperei que algo saísse dali.”

Mas os livros de Hoover estouraram durante a pandemia na comunidade “BookTok” do TikTok, e suas vendas saltaram de 1,9 milhão de cópias nos EUA em 2021 para 14,3 milhões em 2022, de acordo com a NPD Bookscan, que monitora vendas de livros. Em certo momento, ela ocupou seis dos dez primeiros lugares na lista de mais vendidos do New York Times. Todos os três livros com opções vendidas entraram em produção acelerada, e foi aí que Hoover (ou “CoHo” para seus fãs) percebeu quão pouca influência teria sobre o produto final.

Ela decidiu não parar de vender direitos para terceiros, mas sim associar-se à produtora Lauren Levine em uma empresa de produção, a Heartbones Entertainment, para desenvolver seu material internamente. Foi uma escolha arriscada, abrindo mão de dinheiro garantido antecipadamente e de um tempo precioso para manter o controle criativo sobre futuras adaptações, sem garantia de venda.

No entanto, como roteiristas e produtoras, a dupla está agora em posição de evitar que o drama e os processos que atormentaram a produção de “É Assim que Acaba” — que supostamente resultaram em Lively e Baldoni tendo versões diferentes do roteiro e edições finais do filme — aconteçam novamente.

E, com polêmica ou não, o sucesso comercial daquele filme em 2024 inquestionavelmente ajudou enquanto a dupla apresentava o roteiro de “Uma Segunda Chance” para o mercado. “Parece algo estratégico, mas na verdade foi logo após a greve [dos atores do SAG, no final de 2023], e estávamos ansiosas para colocar as coisas em andamento”, diz Levine. “Aconteceu que o momento foi muito benéfico.”

Elas acabaram levando o projeto para a Universal, abrindo mão do streaming e das taxas garantidas que o acompanham, apostando na base de fãs de Hoover para apoiar um amplo lançamento nos cinemas. Sem estrelas famosas de Hollywood ou efeitos especiais para aumentar o apelo, Hoover entra no seleto grupo de autores como Grisham, Stephen King e Nicholas Sparks, cujas adaptações são vendidas principalmente com base na marca pessoal do autor.

A força do público feminino

Hoover também se tornou o rosto de uma nova onda de adaptações de ficção contemporânea liderada por mulheres recentemente. “Bridgerton“, “O Verão que Mudou Minha Vida” e “A Última Coisa que Ele Me Falou” são fundamentais para os serviços de streaming da Netflix, Amazon e Apple, respectivamente. “A Empregada” surpreendeu com US$ 390 milhões (R$ 2,05 bilhões) nas bilheterias em dezembro e “De Férias com Você” estreou com 17,2 milhões de visualizações na Netflix em seu primeiro fim de semana. Adaptações dos sucessos de “romantasia”, como “Quarta Asa” e “Corte de Espinhos e Rosas“, estão atualmente em desenvolvimento.

“Com muito mais frequência do que se imagina, o público feminino é a diferença entre sucessos de bilheteria, empates técnicos e fracassos”, diz Brandon Katz, diretor de insights e estratégia de conteúdo da Greenlight Analytics. “E está definitivamente claro que Colleen Hoover tem um público consistentemente confiável que está disposto a migrar sua atenção das páginas para as telas.”

Para os autores, é claro, a migração do público da tela de volta para as páginas é o que é mais lucrativo. Segundo o Spotify, o audiolivro “De Férias com Você”, de Emily Henry, registrou um aumento de 515% nos downloads após o lançamento do filme na Netflix.

Freida McFadden retornou ao primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times perto da estreia de “A Empregada” em dezembro, e os romances de “Bridgerton”, de Julia Quinn, retornam à lista de mais vendidos após cada nova temporada do sucesso da Netflix.

Dada a sua fama crescente, o retorno de Hoover ao mercado editorial em janeiro, com “Mulher em Queda“, tornou-se um best-seller instantâneo na primeira posição. A história acompanha uma autora enfrentando a reação negativa de uma adaptação cinematográfica polêmica e, dadas as semelhanças com sua experiência em “É Assim que Acaba” com Lively e Baldoni, ela sentiu a necessidade de colocar um aviso no livro para alertar os fãs sobre a personagem, que ela diz ter criado em um conto publicado há 10 anos. “Foi um timing realmente estranho, mas também usei isso como uma ferramenta de terapia”, admite.

Embora ainda considere que sua carreira principal seja como autora, ela continua ansiosa para colaborar em mais projetos cinematográficos no futuro. “Nós nos divertimos muito fazendo isso”, diz Hoover sobre “Uma Segunda Chance”, apesar dos anos que levou para ser produzido. “Gostaria de fazer de novo, e realmente quero tentar escrever algo original.”

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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