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Primeira Mulher Chega ao Topo entre 18 Mil Pilotos da United Airlines

Chresten Wilson é hoje a comandante mais antiga da companhia, em uma indústria ainda dominada por homens

5 min

Em um setor ainda dominado por homens, a comandante Chresten Wilson fez história ao se tornar a primeira mulher a ocupar a posição de maior senioridade entre os 18 mil pilotos da United Airlines. O posto de “número um” indica quem tem mais tempo de carreira na companhia.

Nas companhias aéreas, a senioridade define aspectos importantes da profissão, como a base de atuação dos pilotos, os tipos de aeronaves que operam e suas escalas de trabalho. Profissionais mais antigos têm prioridade na escolha e maior controle sobre suas agendas, podendo ajustá-las conforme desejam. Já os pilotos mais novos acabam ficando com as opções restantes.

A trajetória da comandante da United Airlines

Wilson começou sua carreira na United como engenheira de voo nos aviões DC-10. Ao longo dos anos, atuou como primeira-oficial nos Boeing 737, Boeing 747, 757 e 767. Mais tarde, assumiu o comando de aeronaves como o Boeing 737, o Airbus A320, o Boeing 747 e o 777, até chegar ao modelo que pilota atualmente: o Boeing 787.

Chresten Wilson ingressou na United Airlines em 1985
Reprodução/YouTube/UnitedAirlinesChresten Wilson ingressou na United Airlines em 1985

“Quando eu tinha 12 anos, minha mãe e eu estávamos passando de carro pelo centro de treinamento de voo da United em Denver, e eu olhei para ela e disse: ‘Um dia vou estar ali’”, conta em um vídeo divulgado pela companhia.

“Não existiam mulheres pilotos de companhias aéreas quando eu tinha 12 anos. Mas esse era o meu objetivo, e eu fiz acontecer.”

Chresten Wilson, comandante da United

A Administração Federal de Aviação dos EUA determina que pilotos de linha aérea se aposentem aos 65 anos. Por isso, muitos profissionais atingem a idade limite antes de chegar ao primeiro lugar da lista. Mesmo quando conseguem, o tempo no posto pode ser curto.

Desigualdade de gênero histórica na aviação

Para Wilson, as mulheres que vieram antes dela na aviação foram fundamentais para abrir caminho até essa conquista. “Preciso fazer um agradecimento especial às mulheres que romperam barreiras nessa carreira tão dominada por homens para que eu pudesse estar aqui.”

Historicamente, não foram apenas as mulheres que tiveram acesso restrito a determinados cargos nas companhias aéreas. Enquanto as cabines de comando permaneceram um espaço exclusivamente masculino por décadas, muitas empresas reservavam os cargos de comissário de bordo às mulheres.

Algumas companhias que contratavam homens para trabalhar como comissários de suas aeronaves limitavam esses profissionais a funções de supervisão, que ofereciam salários e benefícios significativamente melhores.

No livro “Up In The Air: The Story of Life Aboard The World’s Most Glamorous Airline” (cujo título pode ser traduzio como “Nas Alturas: A História da Vida a Bordo da Companhia Aérea Mais Glamourosa do Mundo”), a ex-comissária Betty Riegel relata que, na década de 1960, os cargos de comissário-chefe na Pan American eram abertos apenas a homens. Além disso, as aeromoças podiam ser demitidas caso ficassem noivas ou engravidassem.

Uma das últimas companhias aéreas a restringir o cargo de comissário de bordo apenas a mulheres foi a Southwest Airlines. A empresa argumentava que o apelo sexual feminino era parte essencial de sua marca e de suas campanhas promocionais. A companhia foi obrigada a contratar seus primeiros comissários homens na década de 1980, após perder um processo federal relacionado a direitos civis.

Em um setor fortemente sindicalizado como o da aviação, as mulheres conquistaram uma equidade ainda rara em muitas indústrias: salário igual. Como a remuneração também é determinada pelas regras de senioridade, pilotos mulheres recebem o mesmo que homens com o mesmo tempo de carreira.

Número de mulheres na aviação cresce lentamente

A desigualdade de gênero ainda é marcante na aviação: hoje, existem 7.409 mulheres piloto no mundo todo, o que representa apenas 5,18% dos pilotos das 34 principais empresas aéreas do planeta, de acordo com a International Society of Women Airline Pilots.

Em 2024, 7,5% dos pilotos da United eram mulheres, uma das maiores proporções entre companhias aéreas dos Estados Unidos. Em 2025, a agência do governo americano Bureau of Labor Statistics informou que 93% dos pilotos de aeronaves no país eram homens.

Algumas empresas fora dos Estados Unidos apresentam proporções um pouco maiores. A Air France informou em 2024 que pouco mais de 9% de seus pilotos eram mulheres.

No Brasil, as mulheres compõem apenas 3,2% do total de pilotos com licença no país, segundo dados publicados pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) em 2025.

A United contratou sua primeira piloto mulher, Gail Gorsky, em 1978. Ela se aposentou da companhia como capitã de um Boeing 747.

Quando a companhia abriu sua própria escola de aviação no Arizona, no início de 2022, 80% da primeira turma era formada por mulheres ou pessoas não brancas — acima da meta da empresa de garantir que metade dos candidatos do programa pertencesse a esses grupos.

*Scott Laird é colaborador da Forbes US e escreve sobre viagens e turismo.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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