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Por Que Não Há Nenhuma Mulher entre os 50 Atletas Mais Bem Pagos de 2026

Os esportes femininos crescem rapidamente, mas as receitas de mídia ainda limitam os salários das atletas

9 min

Poucos investimentos tiveram um desempenho melhor nos últimos anos do que uma equipe esportiva feminina. Cinco anos depois que o proprietário do Las Vegas Raiders, Mark Davis, comprou o time de basquete da mesma cidade, o Aces, por US$ 2 milhões (R$ 10 milhões), as atuais campeãs da WNBA, a liga profissional de basquete feminino dos Estados Unidos, estão avaliadas em US$ 420 milhões (R$ 2,11 bilhões), e todas as equipes da liga valem pelo menos US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão).

Enquanto isso, as equipes da NWSL (liga de futebol feminino) agora valem em média US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão), quatro anos depois que a avaliação de US$ 35 milhões (R$ 175,47 milhões) na compra do Washington Spirit pela empresária da área de saúde Michele Kang foi considerada um preço exorbitante.

Esses avanços estão gradualmente se estendendo dos escritórios dos proprietários para o campo de jogo. A WNBA, por exemplo, mais do que quadruplicou seu teto salarial nesta temporada, para US$ 7 milhões (R$ 35,09 milhões) sob o novo acordo de negociação coletiva da liga, em comparação com o de US$ 1,5 milhão (R$ 7,52 milhões) de 2025.

Mas ainda há uma grande lacuna entre as atletas mais bem pagas e seus colegas homens.

Pelo terceiro ano consecutivo, nenhuma mulher aparece na lista da Forbes entre os 50 atletas mais bem pagos do mundo, com o tenista masculino mais bem ranqueado, Jannik Sinner, definindo a linha de corte da lista em US$ 54,6 milhões (R$ 273,73 milhões) em ganhos nos últimos 12 meses.

Em contraste, sua colega e estrela do tênis, Coco Gauff, liderou o ranking mais recente da Forbes das atletas femininas mais bem pagas do mundo com ganhos estimados em US$ 33 milhões (R$ 165,44 milhões) em 2025, consistindo em US$ 8 milhões (R$ 40,11 milhões) em prêmios e um montante de US$ 25 milhões (R$ 125,34 milhões) fora das quadras, proveniente de patrocínios, aparições, exibições e outros empreendimentos comerciais.

Mulheres que já entraram na lista dos atletas mais bem pagos do mundo

A última mulher a entrar no top 50 de atletas mais bem pagos no geral foi Serena Williams, cuja renda estimada em US$ 45,3 milhões (R$ 227,11 milhões) para a lista de 2023 veio quase inteiramente de seus acordos de marca durante sua transição para a aposentadoria.

Apenas três outras mulheres — todas estrelas do tênis — se classificaram para o top 50 em algum momento desde 2012: Maria Sharapova, Li Na e Naomi Osaka, cujos US$ 60 milhões (R$ 300,80 milhões) em 2021 continuam sendo o recorde de ganhos para uma atleta feminina. Após pausas na carreira para cuidar da saúde mental e para o nascimento de sua filha em 2023, Osaka ganhou cerca de US$ 12,5 milhões (R$ 62,67 milhões) no ano passado, empatando em oitavo lugar entre as atletas femininas.

Do tênis ao basquete: o abismo salarial

O tênis está há muito tempo na vanguarda da igualdade salarial nos esportes, com todos os quatro principais torneios pagando o mesmo prêmio em dinheiro para homens e mulheres desde que Wimbledon finalmente fez a mudança em 2007, apesar de algumas disparidades persistentes em eventos menores.

Não é surpresa que o esporte tenha produzido metade das 20 atletas femininas mais bem pagas do ano passado. Enquanto isso, apenas dois dos 50 atletas mais bem pagos do mundo no geral — Sinner e Carlos Alcaraz — são tenistas do sexo masculino.

A diferença salarial é mais gritante nos esportes de equipe. Por exemplo, o jogador mais bem pago da NBA neste ano, LeBron James, arrecadou cerca de US$ 137,8 milhões (R$ 690,85 milhões) nos últimos 12 meses. Esse valor, proveniente de seu contrato e negócios, é 11 vezes maior que os US$ 12,1 milhões (R$ 60,66 milhões) estimados que Caitlin Clark, a jogadora de basquete mais bem paga, faturou em 2025.

A disparidade é ainda maior quando se comparam estritamente os salários, seja colocando os US$ 78 mil (R$ 391 mil) de Clark na última temporada ou os US$ 529 mil (R$ 2,6 milhões) deste ano contra os US$ 52,6 milhões (R$ 263,70 milhões) de James em 2025-26.

No futebol, Cristiano Ronaldo recebe uma remuneração estimada em US$ 235 milhões (R$ 1,18 bilhão) em campo pela Liga Saudita — valor que ajudou a elevar seus ganhos totais para US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) nos últimos 12 meses, o maior do esporte mundial. No futebol feminino, porém, ainda não existe nada sequer próximo desse patamar.

A extensão do contrato de Trinity Rodman com o Spirit, de Kang, assinado em janeiro, supostamente lhe paga cerca de US$ 2 milhões (R$ 10,03 milhões) anualmente — e esse acordo exigiu uma mudança nas regras da NWSL para se concretizar.

O peso dos direitos de mídia

Em grande parte, a diferença entre os salários de homens e mulheres se resume a quanta receita cada liga gera. A WNBA está arrecadando uma média anual de US$ 281 milhões (R$ 1,41 bilhão) em seus acordos de direitos de mídia nacional de 11 anos, um salto enorme em relação à média relatada de US$ 43 milhões (R$ 215,58 milhões) de seus acordos anteriores. As equipes tiveram uma média de US$ 33 milhões (R$ 165,44 milhões) em receita na última temporada, de acordo com as estimativas da Forbes, um aumento de 76% em relação ao ano anterior.

Graças a esse crescimento (e a um acordo de negociação coletiva assinado em março que supostamente garante às jogadoras cerca de 20% da receita bruta da liga), os salários máximos saltaram para US$ 1,4 milhão (R$ 7,02 milhões) nesta temporada, partindo de cerca de US$ 249 mil (R$ 1,25 milhão) no ano passado.

Mas a NBA vive em uma estratosfera diferente, arrecadando quase US$ 7 bilhões (R$ 35,09 bilhões) por ano com seus acordos de direitos de mídia. As franquias faturam, em média, um valor estimado de US$ 417 milhões (R$ 2,09 bilhões) em receitas na temporada 2024-25, e o acordo coletivo da liga dá aos jogadores cerca de 50% de toda a renda relacionada ao basquete.

Nesta temporada, os salários máximos da NBA começaram em cerca de US$ 54 milhões (R$ 270,72 milhões) para veteranos e chegaram a US$ 59,6 milhões (R$ 298,80 milhões) para o armador do Golden State Warriors, Stephen Curry, graças a regras de extensão favoráveis aos jogadores.

Vinte dos 50 atletas mais bem pagos deste ano são jogadores da NBA, o que faz da liga a mais bem representada na lista por uma ampla margem. E com US$ 1,3 milhão (R$ 6,52 milhões), até mesmo o salário mínimo em tempo integral de um novato da NBA é quase tão alto quanto os novos acordos máximos da WNBA.

A NWSL é considerada uma geração de contratos de mídia atrás da WNBA, gerando uma média anual de cerca de US$ 60 milhões (R$ 300,80 milhões) a partir de um pacote de transmissão de quatro anos vendido em 2023, e as equipes alocam um teto salarial de US$ 3,5 milhões (R$ 17,55 milhões) para elencos de 22 a 26 jogadoras.

No entanto, a liga implementou uma exceção em dezembro, permitindo que as equipes excedessem o limite em até US$ 1 milhão (R$ 5,01 milhões) para reter “jogadoras de alto impacto” — informalmente apelidada de Regra Rodman, porque o sistema foi criado enquanto a estrela da seleção dos EUA estava flertando com uma mudança para a Europa.

Ganhos das atletas devem crescer nos próximos anos

Quando se trata de se qualificar para o ranking da Forbes dos atletas mais bem pagos, esse US$ 1 milhão (R$ 5,01 milhões) extra pode não fazer muita diferença, especialmente porque o aumento contínuo na renda dos jogadores significa que as mulheres estão perseguindo um alvo em movimento.

Mas há motivos para acreditar que os ganhos das atletas femininas crescerão mais rápido. A Deloitte prevê que os esportes de elite femininos alcançarão coletivamente cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,04 bilhões) em receita pela primeira vez este ano, um aumento de 25% em relação aos US$ 2,4 bilhões (R$ 12,03 bilhões) de 2025 e de 340% em relação a 2022, quando o valor estava abaixo de US$ 700 milhões (R$ 3,51 bilhões). Enquanto isso, projeta-se que a receita de transmissão subirá 38% ano a ano, atingindo US$ 765 milhões (R$ 3,84 bilhões) em 2026.

No entanto, a diferença está diminuindo mais rápido fora das quadras. Quatro jogadoras da WNBA — Clark, Sabrina Ionescu, Paige Bueckers e Angel Reese — ganham cada uma pelo menos US$ 9 milhões (R$ 45,12 milhões) fora das quadras, segundo estimativas da Forbes, algo comparável a muitos dos seus colegas da NBA na lista dos atletas mais bem pagos, e todas as quatro ainda estão no início de suas carreiras. Gauff, a atleta feminina com maior potencial de marketing do mundo e bicampeã de simples em Grand Slams, ainda tem apenas 22 anos.

Ao todo, 17 das 20 atletas mais bem pagas do ano passado ainda estavam na casa dos 20 anos, enquanto todos os dez atletas masculinos mais bem pagos têm mais de 30 anos — e três têm mais de 40. Leva tempo para construir uma marca global, e se Clark e Bueckers forem os rostos da WNBA pelas próximas uma ou duas décadas, da mesma forma que James e Curry foram para a última geração da NBA, seu apelo crescente junto aos patrocinadores poderá colocá-las no top 50 algum dia.

Ou talvez Gauff, ou ainda a potente Qinwen Zheng, estrela do tênis chinês com o seu próprio conjunto de patrocínios lucrativos, ponha fim a essa seca. De qualquer forma, a expectativa é que as ligas esportivas femininas continuem a proporcionar ganhos financeiros significativos.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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