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Árbitras Ganham Espaço na Copa do Mundo, Mas Avanço Ainda É Lento

Desde 2022, mulheres apitam jogos do Mundial masculino, mas ainda não chegaram ao mata-mata; pesquisas explicam as barreiras

6 min

As mulheres estão arbitrando partidas da Copa do Mundo masculina da FIFA, mas uma barreira ainda permanece: nenhuma mulher jamais atuou como árbitra principal (a autoridade máxima em campo) em uma partida de mata-mata do Mundial.

Embora mulheres tenham apitado jogos da fase de grupos nas edições de 2022 e 2026, a FIFA ainda não designou uma árbitra para comandar um confronto eliminatório. Pesquisas ajudam a explicar por que esse avanço tem sido tão lento.

Os números mostram como a presença feminina na arbitragem da Copa do Mundo ainda é rara. Para o torneio de 2026, a FIFA selecionou seis mulheres entre os oficiais de arbitragem: duas árbitras principais, três árbitras assistentes e uma árbitra de vídeo (VAR). Ainda assim, as mulheres representam apenas 3,5% dos 170 oficiais de arbitragem da competição.

Mulheres apitam mais jogos

O avanço tem sido gradual. As mulheres estrearam na arbitragem de uma Copa do Mundo masculina apenas em 2022, no Catar. Naquela edição, apenas uma partida teve uma mulher como árbitra principal, e foi na fase de grupos.

Neste ano, três jogos foram comandados por árbitras principais — a americana Tori Penso e a mexicana Katia Itzel García — e um número maior de partidas contou com mulheres como assistentes.

Além disso, em 2022, houve apenas um jogo com uma equipe de arbitragem totalmente feminina em campo; neste ano, foram dois. Ainda assim, tanto em 2022 quanto em 2026, as árbitras principais ficaram restritas à fase de grupos.

O que dizem as pesquisas

Não chega a ser surpreendente que as mulheres tenham encontrado dificuldades para romper barreiras na Copa do Mundo da FIFA. Os jogadores são homens, assim como os técnicos, a maior parte da torcida também é masculina (nos Estados Unidos, 71% dos torcedores são homens) e, durante décadas, todos os árbitros eram homens.

Quando árbitras recebem autoridade para tomar decisões que influenciam um esporte tradicionalmente percebido como masculino, isso pode gerar forte reação negativa.

Pesquisadores recorreram às redes sociais para analisar as reações à atuação das mulheres na arbitragem da Copa do Mundo de 2022. Eles examinaram mais de 22 mil comentários publicados no Twitter sobre as árbitras.

Apenas 8% das mensagens demonstravam apoio às mulheres. A grande maioria foi classificada pelos pesquisadores como sexista, excludente, reforçando estereótipos tradicionais de gênero, além de zombar ou insultar as árbitras.

Entre os comentários estavam frases como: “Temos certeza de que essas mulheres sabem alguma coisa de futebol?”, “Achei que ela fosse fazer xixi nas calças tentando acompanhar os jogadores”, “Uma mulher entre 22 homens. Não serve para o futebol” e “O que você está fazendo em campo? Vai embora!”

As consequências desses comentários vão além das redes sociais. Os pesquisadores argumentam que a ridicularização e o tratamento sexista podem desestimular mulheres a ingressarem e permanecerem na arbitragem.

Erros pesam mais para mulheres

Estudos anteriores identificaram outro desafio enfrentado pelas árbitras: cada erro tem um peso maior. Uma pesquisa baseada em entrevistas com mulheres que apitam partidas de futebol masculino na Inglaterra mostrou que elas enfrentam um padrão duplo de avaliação. Quando um homem comete um erro de arbitragem, ele é visto como um equívoco individual. Quando o mesmo acontece com uma mulher, o erro é atribuído ao seu gênero.

Como explicou uma das árbitras entrevistadas: “Toda decisão que você toma é vista como consequência de você ser mulher, e não de você ser árbitra.”

De forma geral, as pesquisas mostram que mulheres em profissões dominadas por homens são julgadas com mais severidade do que seus colegas quando cometem um erro.

Outro obstáculo enfrentado por essas profissionais é o estereótipo de que mulheres seriam menos decisivas do que homens. Ser capaz de tomar decisões rápidas e firmes é um requisito essencial para um árbitro. Apesar do estigma, pesquisas não encontraram qualquer evidência de que mulheres sejam menos capazes de decidir rapidamente.

Mulheres ainda são minoria na arbitragem de outros esportes

O avanço lento das mulheres na arbitragem não é uma realidade exclusiva da FIFA. Em diferentes modalidades profissionais, elas continuam sub-representadas entre os oficiais de arbitragem.

A NHL, liga profissional de hóquei no gelo, nunca teve uma mulher atuando como árbitra em uma partida da temporada regular. Na MLB, de baseball, Jen Pawol tornou-se, em 2025, a primeira mulher a arbitrar um jogo da temporada regular e também a primeira a atuar atrás do home plate.

Ela continua sendo a única mulher a arbitrar partidas da temporada regular da liga e trabalhou em diversos jogos em 2026 como árbitra convocada temporariamente. Atualmente, não há nenhuma mulher na lista de árbitros de tempo integral da MLB.

A NBA, de basquete, tem uma trajetória mais longa na inclusão de mulheres na arbitragem, desde que passou a contar com árbitras em 1997. Hoje, nove dos seus 74 árbitros de tempo integral são mulheres ou pessoas não binárias. Na NFL, a primeira árbitra foi contratada em 2015 e, em 2021, Sarah Thomas tornou-se a primeira mulher a atuar na arbitragem de um Super Bowl. Ainda assim, mesmo nesses esportes, as mulheres continuam sendo exceção.

Já os homens, em geral, não enfrentam as mesmas barreiras para atuar em competições femininas e representam uma parcela significativa dos árbitros da WNBA em 2026. No entanto, para a Copa do Mundo Feminina, a FIFA opta deliberadamente por escalar apenas mulheres para as funções de arbitragem em campo.

O progresso existe, mas é lento

Embora lento, o avanço das mulheres na arbitragem é inegável. Há apenas quatro anos, nenhuma mulher havia arbitrado uma partida da Copa do Mundo masculina. Hoje, elas já comandam jogos dentro de campo.

Além disso, pesquisas sobre a entrada de mulheres em profissões dominadas por homens indicam que esse tipo de representatividade ajuda a transformar as percepções. Quanto mais frequentemente os torcedores veem mulheres arbitrando grandes partidas, menos incomum isso se torna.

*Kim Elsesser é colaboradora sênior da Forbes USA. Ela é especialista em vieses inconscientes de gênero e professora de gênero na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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