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Com Quase 40 Anos de Casa, Ela Lidera uma Operação de US$ 14,5 Bilhões na GE Healthcare

Em entrevista à Forbes Brasil, a CEO da companhia revela por que tentar "caber em um molde" é o pior conselho de carreira para mulheres

4 min

Quando Catherine Estrampes ingressou na operação europeia da GE (General Electric) em 1988 como executiva de contas, foi uma das seis primeiras mulheres nessa área da empresa. Quase 40 anos depois, a francesa assumiu, em abril de 2026, como CEO e CCO (Chief Commercial Officer) da divisão de mercados globais da GE HealthCare, onde lidera toda a operação mundial da companhia, com exceção da China.

“São mercados diferentes, períodos diferentes, altos e baixos. O segredo é saber navegar pela ambiguidade”, afirma em entrevista à Forbes Mulher, durante sua primeira passagem pelo Brasil.

A companhia, que desenvolve equipamentos de diagnóstico por imagem e soluções de inteligência artificial para hospitais, passou por uma cisão corporativa da GE em 2023 para unificar seu ecossistema médico. Na nova posição, a executiva lidera uma estrutura de US$ 14,5 bilhões (R$ 75,4 bilhões) em faturamento e 18 mil funcionários distribuídos por 150 países.

Lidar com equipes ao redor do mundo, no entanto, não foi um obstáculo — já estava na veia da executiva. Filha de ex-diplomatas e habituada a mudar de país com frequência desde a infância, Catherine fala três idiomas e cultiva o hábito de aprender expressões locais.

Em São Paulo, fez questão de incorporar o “obrigada” ao vocabulário diário. “O segredo para se conectar com diferentes culturas é ouvir e fazer perguntas. É ‘aprender com os próprios pés’, ou seja, ir lá e ver a realidade de perto.”

A estratégia de não se encaixar

Formada em Letras e, depois, em Ciências Políticas e Economia, Catherine enfrentou as próprias inseguranças no início da carreira corporativa. “Gostaria de ter tido mais autoconfiança nas minhas capacidades e habilidades mais cedo”, diz. “É sobre aquele desbloqueio de possibilidades que acontece quando você não tem medo de confiar em si mesma.”

Com o tempo, ela encontrou a própria voz. Passou por áreas como cardiologia, tomografia computadorizada e financiamento de equipamentos, além de atuar como CEO regional da GE HealthCare para a Rússia, Europa, Oriente Médio, África, Estados Unidos e Canadá.

Nesse caminho, aprendeu uma lição valiosa. “Dizer a alguém para se ‘encaixar’ é o pior conselho que se pode dar a uma mulher”, afirma. “Se você faz isso, significa que reprime quem você é e as suas convicções para caber em algum lugar.”

“Você pode adaptar o seu estilo e continuar a evoluir. Encaixar-se é ceder 100%.”

Catherine Estrampes, CEO de mercados globais da GE HealthCare

Hoje, Catherine deixa seu próprio conselho para mulheres em ascensão: “Líderes não leem mentes. Seja muito clara sobre qual é a sua paixão e a sua ambição. O que você quer ser? O que você quer fazer?”

O equilíbrio perfeito não existe

Na correria para visitar os escritórios da GE HealthCare ao redor do mundo desde que assumiu o novo cargo, Catherine rejeita a ideia de uma balança perfeita entre o pessoal e o profissional.

“Não costumo usar a expressão ‘equilíbrio entre vida e trabalho’ porque acho que as coisas são muito dinâmicas”, diz. “Há momentos em que há mais trabalho e menos vida. Mas o grande segredo é encontrar alegria naquilo que você faz.”

Para administrar a pressão diária, ela se apoia nos hobbies: pratica pilates e frequenta o teatro semanalmente. Mas com um detalhe: são peças em idiomas que ela não fala. “Como conheço bem o roteiro, não preciso entender a língua. E quando você não entende a língua, você presta muita atenção à linguagem corporal, ao cenário, à iluminação e à atmosfera.” É a sua maneira de treinar a leitura de entrelinhas, uma das habilidades que a ajudou a chegar até aqui.

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