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Dia da Igualdade Feminina: Como as Jovens Lideranças Reescrevem o Futuro

De cientistas e medalhistas olímpicas a empreendedoras, integrantes da lista Forbes Under 30 buscam acelerar o caminho até a paridade de gênero

11 min

As novas gerações de mulheres lidam com um cenário desafiador: a igualdade de gênero ainda está longe de ser alcançada. No ritmo atual de avanços e retrocessos, levará mais 123 anos, ou cinco gerações, para que o mundo alcance a paridade total. O dado é do Índice Global de Disparidade de Gênero 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial em 2025.

Nesta quarta-feira (26), é celebrado o Dia da Igualdade Feminina. Com origem nos Estados Unidos, a data marca o aniversário da aprovação da 19ª Emenda da Constituição Americana em 1920, que concedeu a algumas mulheres — mas não a todas — o direito de votar. Mais de um século se passou e, embora os progressos sejam inegáveis, o horizonte de uma sociedade verdadeiramente igualitária ainda parece distante.

“Temos hoje mais mulheres qualificadas que ocupam posições de decisão e participam de conversas das quais estiveram historicamente distantes”, observa Dhafyni Mendes, fundadora da Todas Group, plataforma de educação corporativa focada em impulsionar carreiras femininas. “O ritmo desse avanço, no entanto, ainda está muito aquém da velocidade que poderíamos alcançar.”

Um dos maiores obstáculos está na distância entre competência e oportunidade. Segundo Mendes, não basta exigir que as mulheres se capacitem se o ambiente ao redor não evolui. “Precisamos transformar intenção em gestão. A velocidade dessa transformação também é uma escolha que fazemos no presente.”

A urgência de mudar o cenário e acelerar o caminho até a paridade de gênero ecoa nas vozes da nova geração de líderes brasileiras. Para essas jovens de destaque, esperar mais de um século não é uma opção.

A seguir, confira o que 17 nomes das edições anteriores da lista Forbes Under 30 esperam para o futuro e o que fazem, agora, para construir uma sociedade mais igualitária.

17 destaques da lista Forbes Under 30 refletem sobre o Dia da Igualdade Feminina

tamara klink
Divulgação

“A desigualdade de gênero é um desperdício de capacidades para toda a sociedade. As mulheres ainda precisam perder muita energia para ultrapassar barreiras de gênero que não deveriam existir. Poder ser a ‘primeira mulher’ a fazer algo não é uma vitória individual, é uma conquista coletiva de mulheres e homens de muitas gerações que abriram caminhos. É o chute no gol depois de uma longa sequência de dribles e sprints. Eu busco, pelos meus gestos e palavras, ampliar o imaginário do que uma mulher é capaz de realizar.”

Bia Souza, 28, judoca e campeã olímpica

Bia Souza
Getty Images

“[Para os próximos anos] a gente pode esperar muita batalha e muita luta. Vamos trabalhar dia a dia para buscar cada vez mais e conquistar o nosso espaço. Enxergo o futuro, ao falar de igualdade de gênero, como justiça. Conquisto o sucesso e batalho para abrir cada vez mais portas para as mulheres poderem enxergar que o lugar delas é onde elas querem estar.”

Tatiana Weston-Webb, 30, surfista e medalhista olímpica

Tati West
Tauana Sofia

“Já avançamos muito, mas também acredito que ainda temos um longo caminho pela frente. Hoje, no surfe, já conquistamos a igualdade de premiação em importantes competições. Também começamos a criar estruturas que entendem que uma mulher pode ser atleta de alto rendimento e, ao mesmo tempo, escolher ser mãe, como a criação do Maternity Wildcard pela WSL. Falar abertamente sobre maternidade, saúde mental e sobre o retorno ao alto rendimento é uma forma de mostrar, na prática, que uma mulher não precisa escolher uma única identidade. Acredito que igualdade também é isso: abrir caminhos para que quem vem depois não precise enfrentar as mesmas barreiras.”

Ayomi Domenica, 26, atriz

Ayomi Domenica
José de Holanda

“O que eu espero é uma real interseccionalidade nos debates. Não existe olhar para a desigualdade de gênero sem radicalizar o olhar para as desigualdades em geral. A gente só vai conseguir o mínimo de igualdade a partir do momento que a gente olhar verdadeiramente para os grupos mais marginalizados da nossa sociedade. O que eu tenho feito para construir uma sociedade mais igualitária é não me conformar com as minhas pequenas vitórias individuais. [Minha intenção] também é, de alguma forma, deixar um pequeno legado presente para a próxima pessoa que vier depois de mim. E se eu puder contratar, sempre vou priorizar mulheres negras.”

Pequena Lo, 30, apresentadora e criadora de conteúdo

Pequena Lo
Divulgação

“Quando a gente fala de um mundo com igualdade de gênero, falamos de mudança na economia, na segurança e também na saúde mental. Espero que tenhamos queda no índice do feminicídio e espaços públicos seguros onde possamos andar sem medo. Acho que meu papel é justamente levar representatividade para todas as outras mulheres que me acompanham, e também como uma pessoa com deficiência. Porque, ao ocupar esses ambientes, represento várias outras que um dia também podem estar ali.”

Duda Franklin, 27, fundadora e CEO da Orby.co

Duda Franklin
Divulgação

“Muitas meninas crescem sem conseguir se imaginar em determinadas profissões ou posições, como astronautas, CEOs, engenheiras. E eu espero que nos próximos anos elas sejam capazes disso. Para mim, a igualdade de gênero não é apenas aumentar a presença de mulheres no mercado de trabalho, mas é garantir que elas tenham acesso, referências e oportunidades. Na prática, dentro da Orby, trabalhamos para ampliar a presença de mulheres no nosso time e garantir também que elas estejam nos espaços de decisão, inclusive no nosso conselho. Fora da empresa, também faço mentorias e escrevi o livro ‘Desbloqueando o Meu Cérebro’ para inspirar outras mulheres a enxergarem novas possibilidades.”

Luana Sabino, 30, chef e cofundadora do Metzi

Luana Sabino
Nani Rodrigues

“Faz cerca de 10 anos que entrei na gastronomia e a diferença do cenário de quando comecei para hoje é muito grande. Agora, quando alguém vai montar um evento, já pensa em incluir mulheres. Antes eu tinha muita vergonha e não queria me expor, mas hoje abracei esse lugar de fala. Tenho sido bastante chamada para dar aula e falar sobre gastronomia. Expor minha trajetória é uma forma de inspirar outras mulheres do jeito que tantas outras me inspiraram.”

Kananda Eller, 30, cientista e criadora do perfil Deusa Cientista

kananda eller
Divulgação

“As mulheres conseguiram acessar muito mais as universidades do que os homens, mas ainda não conseguiram acessar os cargos de liderança. E a maternidade ainda é um ponto de dor dessas mulheres, quando muitas desistem. A minha contribuição é mostrar para a nova geração de crianças e adolescentes que existem mulheres que produzem ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Criei meu podcast Deusa Cientista, faço palestras em todo o Brasil e fora do país para explicar ao mundo que a ciência é acessível, é um lugar possível e que traz inovação.”

Lela Brandão, 31, empresária e comunicadora

Lela Brandão
Divulgação

“Não dá para imaginar um mundo igualitário em 123 anos. Essa estrutura se renova e nunca nada está garantido para as mulheres. Enxergo os próximos anos com coragem de enfrentar coletivamente, mas não tão otimista. Na prática, estou à frente da comunicação com milhares de pessoas e tenho uma responsabilidade grande de trazer pautas que são densas e sérias de uma forma mais palatável, simples e bem-humorada, para que a mudança aconteça de dentro para fora nas mulheres que escutam. Um exemplo prático é que a minha equipe hoje é 100% feminina.”

Maju de Araújo, 24, modelo e influenciadora

Maju de Araújo
Divulgação

“Muitos pensam que o próprio posicionamento não tem potencial suficiente para mudar a realidade, mas a verdade é que essa transformação precisa começar de algum lugar. Minha expectativa é que as pessoas já percebam o próprio papel e se posicionem em todas as esferas possíveis. Na prática, entendo a internet e minhas redes sociais como uma ferramenta poderosa de alcance para quem precisa de encorajamento. Meu papel é impedir que preconceitos, discursos negativos e falácias cheguem à minha audiência. Busco sempre desmistificar falas a respeito de pessoas que, como eu, são mulheres e têm deficiência, para mostrar o valor imensurável na nossa existência. Ao buscar a igualdade, reconhecemos que ela não anula nossas singularidades.”

Isabela Chusid, 31, fundadora e CEO da Linus

Isabela Chusid
Divulgação

“Quando vejo um número desses, 123 anos, prefiro não olhar como um fato dado, e sim como um convite para agirmos mais rápido. Acho que isso só acontece se cada empresa parar de olhar como pauta de RH e passar a tratar como decisão estratégica de negócio, que impacta contratação, remuneração e quem é tomador de decisão. Na prática, hoje, quase 75% do nosso time na Linus é composto por mulheres, e trabalhamos o desenvolvimento de lideranças femininas internas. Também apoiamos a AFESU (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários), uma ONG que trabalha com educação de meninas em situação de vulnerabilidade.”

Larissa Paiva, 21, cientista e astronauta análoga

Larissa Paiva
Acervo pessoal

“Esperar 123 anos para alcançar a paridade de gênero não devia ser aceitável para a minha geração. Eu não espero, eu sei que preciso agir. Ninguém vai fazer por nós. Para avançar de fato, temos que ampliar o acesso das meninas no STEM [ciências, tecnologia, engenharia e matemática]. E não só no STEM: vamos ler mais mulheres, dar apoio a artistas. Na prática, como jovem cientista e primeira astronauta análoga do Ceará, levo palestras e oficinas de astronomia e caça a asteroides da NASA para milhares de estudantes da rede pública. Hoje, o projeto impacta mais de 500 colégios pelo Brasil. Também atuo diretamente no incentivo a olimpíadas científicas para mostrar a jovens do Nordeste que a nossa origem não limita até onde podemos chegar.”

Renata Koch Alvarenga, 29, fundadora da EmpoderaClima

Renata Koch
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“Mulheres e meninas estão entre as mais afetadas pela crise climática, mas organizações e iniciativas lideradas por mulheres ainda recebem uma parcela muito pequena dos recursos destinados à ação climática, cerca de 0,2%. Eu fundei a organização EmpoderaClima em 2019 para conectar a agenda da igualdade de gênero com a da ação climática. Criamos a primeira plataforma brasileira dedicada ao tema, com mais de 200 recursos gratuitos, e liderei a criação do programa Mulheres pela Resiliência Climática, que capacitou cerca de 100 mulheres líderes comunitárias.”

Nathália Brandão, 31, executiva e autora

Nathalia Brandão
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“Acredito muito em reduzir assimetrias de informação. Informação é poder e uma das formas pelas quais tento contribuir é ao democratizar o que, durante muito tempo, circulou como conhecimento privilegiado. Essa foi uma das razões pelas quais escrevi ‘Cartas a uma Jovem Executiva’. O livro nasceu da vontade de transformar aquilo que aprendi em ambientes privilegiados em conhecimento acessível. Para mim, democratizar oportunidades passa também por democratizar os códigos que permitem acessá-las. Igualdade de oportunidade também começa por igualdade de informação.”

Gabriella Goldenstein, 31, fundadora da Sublyme e da Hot & Cult

Gabriella Goldenstein
Divulgação

“Quando penso em igualdade de gênero, não penso só em ter mais mulheres ocupando cadeiras, mas em ver mulheres ocupando essas cadeiras sem precisar necessariamente reproduzir os modelos que estavam ali antes delas. Quero que uma mulher possa ser extremamente ambiciosa, construir uma empresa gigantesca, desacelerar em um momento e acelerar em outro. Na prática, criei a Hot & Cult, uma comunidade onde reunimos mulheres para falar de cultura, comportamento, carreira e inseguranças, com a intenção de construir um espaço onde possam se encontrar para além da superfície.”

Fabiane Kuhn, 30, cofundadora da Raks Tecnologia Agrícola

Fabiane Kuhn
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“Eu espero que a gente não aceite esses 123 anos como uma previsão inevitável. A igualdade de gênero precisa ser uma construção intencional. Iniciei com o curso técnico em eletrônica, depois ciência da computação, empreendi em tecnologia e hoje atuo no agronegócio — setores que historicamente ainda têm uma presença feminina menor. Na prática, atuo há alguns anos como mentora, compartilho aprendizados e faço parte de grupos de mulheres empreendedoras. Igualdade se constrói assim: uma mulher ocupa um espaço e puxa outra para ocupar o próximo.”

Giulia Braide, 30, fundadora da agência MESSS

Giulia Braide
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“Alta performance exige muito. E, para uma mulher, ainda existe uma expectativa de que, além de performar profissionalmente, ela dê conta da casa, da família e de uma série de responsabilidades historicamente colocadas sobre nós. Dentro do meu negócio, tento transformar essa consciência em decisões práticas: formar e priorizar lideranças femininas, ampliar o protagonismo de mulheres nos projetos que desenvolvemos e questionar clientes quando percebo escolhas que reproduzem padrões que precisamos superar.”

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