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“Temos Que Desaprender a Humildade Silenciosa”, Diz Executiva Global da Mondelez

Doze anos após entrar na companhia como estagiária, Lauren Flanigan hoje lidera um portfólio de US$ 2,5 bilhões em mais de 20 mercados

4 min

No início da carreira, Lauren Flanigan, líder global de marcas da Mondelez, acreditava que o caminho para o reconhecimento profissional era manter a cabeça baixa e esperar que os resultados falassem por si. “Com muita frequência, a sociedade incentiva as mulheres a adotarem comportamentos que jogam contra o sucesso corporativo — ser quieta, ser humilde, não ser insistente, não pedir muito”, diz a executiva americana em entrevista à Forbes Brasil. “Temos que desaprender a humildade silenciosa, o hábito de manter a cabeça baixa e apenas torcer para sermos notadas.”

Quando percebeu que essa postura limitava o seu próprio crescimento, sua trajetória mudou. Flanigan passou a comunicar suas vitórias para a diretoria com um lema: “dê crédito e receba o crédito”. “Aprendi que as pessoas não podem conhecer os detalhes do meu trabalho a menos que eu conte a elas”, afirma. “Pratiquei falar sobre minhas vitórias com a liderança, ao mesmo tempo em que creditava explicitamente as pessoas que contribuíram, para que, à medida que subo, eu eleve os outros comigo.”

Hoje, 12 anos após entrar na empresa como estagiária, ela lidera um portfólio de US$ 2,5 bilhões em mais de 20 mercados e é responsável pelas campanhas da Trident “Que Se Masque”, protagonizada pelo cantor Maluma e lançada no último mês no Brasil, e “Breathe Through It” — vencedora de um Leão de Ouro no festival de Cannes.

O segredo para o sucesso no marketing está no filtro da executiva: “Se você não consegue repetir a ideia da campanha em uma frase ou menos, ou se uma criança de cinco anos não conseguiria entendê-la, é porque está muito complicada e provavelmente não dará certo.”

Essa mesma assertividade guiou seus passos nos negócios. Em 2017, Flanigan identificou um mercado inexplorado para produtos sazonais na empresa, desenhou um plano de negócios e convenceu a liderança a criar uma divisão exclusiva para ela. A iniciativa resultou no lançamento de 13 produtos em nove meses e gerou uma fonte de receitas que ultrapassou US$ 100 milhões em três anos.

“Muitas vezes, esperamos as coisas acontecerem. Mas, às vezes, você precisa criar a oportunidade.”

Lauren Flanigan

A trajetória até a Mondelez

A inclinação para o mundo dos negócios veio de berço: foi inspirada pela carreira do pai no mundo corporativo e pela trajetória da mãe como empreendedora. Mas o interesse pelo marketing surgiu durante o ensino médio, quando Flanigan participou do 21st Century Leaders, um programa de liderança que a levou para os bastidores da rede de notícias CNN, em Atlanta.

“Ficar longe de casa me tirou da zona de conforto e me ensinou a ter confiança na minha independência e nas minhas habilidades”, relembra. Ao observar reuniões na emissora, ela viu como a estratégia ganhava forma. “Isso abriu meus olhos para o quão empolgante era aquele mundo e me expôs ao marketing.”

O caminho acadêmico a levou à Wharton School, na Universidade da Pensilvânia, onde um acaso definiu seu futuro. No terceiro ano de faculdade, ela vivia um dilema: a análise de dados parecia muito isolada, e a área de relações públicas carecia do rigor quantitativo que ela procurava.

Ao chegar cedo para uma aula, desabafou com um colega, que sugeriu a gestão de marcas como o meio-termo que ela buscava. Ele a conectou a um amigo que havia trabalhado na Mondelez. “Não sabia nada sobre a Mondelez na época. Acabei conversando com esse amigo, me apaixonei pelo plano de carreira, passei pelo processo seletivo e me tornei estagiária no verão seguinte.”

Liderança além do escritório

Como ex-presidente do Conselho Afro-Americano da Mondelez, a executiva aplica sua liderança também à inclusão no mercado de trabalho. “Representatividade importa, mas mentoria ativa e aliança importam mais. Meu objetivo é sempre elevar outros enquanto eu subo.”

Apesar das operações em múltiplos fusos horários, Flanigan impõe limites à própria rotina. Longe das métricas de vendas, ela escreve diários de gratidão, fabrica velas e prioriza o convívio com a família e as sobrinhas. “No final da minha vida, quero me orgulhar do meu sucesso profissional, mas não será a única coisa à qual me apegarei”, reflete. “Protejo as pessoas e os momentos dos quais mais me lembrarei da mesma forma que protegeria uma entrega profissional.”

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