Relacionamentos amorosos são vistos, quase universalmente, como um dos marcos mais importantes da vida, algo que todas as pessoas deveriam alcançar em algum momento. Para alguns, isso é um grande motivador; para outros, causa uma sensação de pressão.
Dito isso, nem todos buscam relacionamentos por esse motivo. Há, inclusive, um número crescente de pessoas que não se sentem inclinadas a procurar um parceiro.
Essas diferentes motivações (ou a ausência delas) foram a principal inspiração do pesquisador e autor principal Geoff MacDonald em um estudo publicado em maio de 2025 no Personality and Social Psychology Bulletin. Mais especificamente, ele quis descobrir quais motivações estavam associadas a um sucesso romântico maior e mais rápido, se é que havia alguma.
As diferentes motivações para buscar um relacionamento
Para avaliar o que motiva as pessoas na busca por um relacionamento, MacDonald desenvolveu um questionário com 24 itens. Ao todo, o instrumento analisa seis categorias centrais de motivação, todas baseadas na Teoria da Autodeterminação (Self-Determination Theory).
No estudo inicial, com mais de 1.200 adultos solteiros, MacDonald e sua equipe conseguiram associar essas motivações a diversos traços de personalidade:
● Motivação intrínseca
Buscar um relacionamento simplesmente porque ele é prazeroso, significativo ou gratificante. Essas pessoas querem um parceiro porque realmente gostam de se conectar e compartilhar a vida com alguém. O estudo mostrou que elas tendem a ter estilos de apego seguros, objetivos sociais fortes e maior interesse em relacionamentos comprometidos (em vez de casuais).
● Motivação identificada
Buscar um relacionamento porque isso está fortemente alinhado com os objetivos de vida e valores pessoais. Geralmente, essas pessoas valorizam muito os ideais de companheirismo e família. Elas apresentaram características semelhantes às pessoas motivadas intrinsecamente.
● Motivação introjetada positiva
Buscar um relacionamento para se sentir orgulhoso de si mesmo, mais competente ou validado. Essas pessoas podem querer um parceiro para se sentirem admiradas ou realizadas por simplesmente terem alguém. O estudo revelou que elas são mais propensas a estilos de apego ansioso e ao medo de ficarem solteiras.
● Motivação introjetada negativa
Buscar um relacionamento para evitar sentimentos de culpa, vergonha ou inadequação. Para essas pessoas, não encontrar um parceiro é sinônimo de fracasso ou de julgamento dos outros. Como era de se esperar, elas também demonstraram medo da solteirice e apego ansioso.
● Motivação externa
Buscar um relacionamento porque os outros esperam isso, ou por promessa de recompensa. Essas pessoas podem procurar um parceiro por pressão familiar ou em busca de segurança financeira ou social. Também apresentaram apego ansioso e medo de estarem sozinhas.
● Amotivação
Ausência de desejo (ou razão clara) para buscar um relacionamento. Essas pessoas podem se sentir completamente indiferentes à ideia de encontrar um parceiro; talvez até saiam para encontros sem saber exatamente o porquê. O estudo indicou que essa falta de motivação está mais associada a estilos de apego evitativos e menor interesse em envolvimentos românticos sérios.
“A Teoria da Autodeterminação foi útil porque foca em uma variedade de razões pelas quais as pessoas buscam objetivos”, explicou MacDonald em entrevista ao PsyPost. Ele continuou: “E acho que a maioria das pessoas sabe que há uma mistura dessas razões quando pensam em namoro.”
Com base nesse modelo de seis fatores, MacDonald e sua equipe avaliaram até que ponto essas motivações influenciam o desejo de encontrar um parceiro. Com isso, puderam prever quais motivações ou combinações delas — levavam ao sucesso romântico.
Quais motivações levaram ao sucesso romântico?
Na segunda parte do estudo, os pesquisadores avaliaram as motivações de mais de 3.000 adultos solteiros usando a nova escala de 24 itens. Seis meses depois, verificaram quais participantes haviam conseguido encontrar um parceiro.
No geral, os participantes com motivações intrínsecas e identificadas tinham muito mais chances de encontrar um parceiro nesse período. Ou seja, pessoas que buscavam relacionamentos por acharem prazerosos ou pessoalmente valiosos tiveram mais sucesso do que aquelas que não tinham essas motivações.
Como explicou MacDonald:
“As pessoas que disseram estar mais prontas para um relacionamento e que, de fato, estavam em um seis meses depois, eram aquelas que afirmaram se interessar por um relacionamento porque gostavam da experiência e porque era um objetivo importante em suas vidas.”
Em contraste, ele observou:
“As pessoas que estavam fortemente motivadas a se relacionar apenas para evitar se sentirem mal consigo mesmas foram particularmente as que menos estavam em um relacionamento seis meses depois.”
O que te motiva?
Se, apesar dos seus esforços, você ainda não encontrou “sua pessoa”, talvez valha a pena se perguntar: o que está realmente impulsionando esse desejo?
Somos constantemente ensinados que encontrar o amor é uma meta essencial. Com isso, passamos a ver os relacionamentos como sinal de maturidade, segurança ou sucesso. Mas, no momento em que internalizamos esses motivos, começamos a buscar um relacionamento por razões que, no fundo, não nos servem.
Então, seja honesto consigo mesmo:
- Você quer um relacionamento porque acha que isso vai te fazer sentir mais digno, realizado ou amado?
- Estar com alguém te faria sentir validado? Como se finalmente tivesse “chegado lá”?
- Você sente vergonha por ainda estar solteiro, como se isso dissesse algo sobre o seu valor?
- Você vê um relacionamento como algo que vai agradar sua família, ajudar a se encaixar socialmente ou oferecer segurança?
Se você se identificou com alguma dessas perguntas, não há motivo para se envergonhar. Mas talvez seja o momento certo para parar e refletir antes de continuar procurando por amor. Na maioria dos casos, relacionamentos duradouros e gratificantes não nascem da pressão, do medo ou do ego.
Como diz MacDonald:
“É um conselho antigo e meio entediante, mas acho que há verdade na ideia de que você precisa estar bem consigo mesmo antes de se colocar à disposição de alguém.”
Ele conclui:
“Quando você chega a um ponto em que um relacionamento parece algo prazeroso e significativo por si só, e não tanto uma forma de validar seu ego, esse pode ser o sinal de que você está pronto.”
O amor, para a maioria das pessoas, é algo que se aprende a cultivar. Não é um título ou um status a ser conquistado. Quanto mais honesto você for consigo mesmo sobre os motivos pelos quais o deseja, mais perto estará de encontrar alguém que queira compartilhar a vida com você, exatamente como você é.
* Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.