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Pesquisa Revela Diferenças entre Homens e Mulheres no Uso de Apps de Namoro

O jogo do namoro é injusto para os homens? Veja o que novas pesquisas revelam sobre o que eles podem fazer para conseguir melhores matches nos aplicativos

6 min

Segundo estatísticas do site eharmony, cerca de 80 milhões de americanos utilizam atualmente aplicativos ou sites de namoro, o que equivale a aproximadamente 30% da população adulta. Homens estão mais representados que mulheres, com cerca de 34% dos homens usando essas plataformas, contra 27% das mulheres. No entanto, isso não significa que as oportunidades de conexão sejam equilibradas.

O Pew Research Center aponta que 63% dos homens com menos de 30 anos afirmam estar solteiros, enquanto apenas 34% das mulheres da mesma faixa etária dizem o mesmo. Com mais homens do que mulheres usando os apps, e com as mulheres sendo mais seletivas, as chances parecem jogar contra os homens, especialmente aqueles que mantêm expectativas pouco realistas.

Em um estudo publicado em julho de 2025 na revista PLOS One, os pesquisadores Renata Topinkova, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (Alemanha), e Tomas Diviak, da Universidade de Manchester (Reino Unido), analisaram dados de quase 3.000 usuários heterossexuais em um app de namoro da República Tcheca. Eles descobriram que os homens frequentemente davam “like” em mulheres consideradas mais desejáveis do que eles mesmos, enquanto as mulheres faziam escolhas mais estratégicas, mesmo com muitas opções disponíveis.

Namoro Online Cria Uma Hierarquia Rígida

Topinkova e Diviak constataram que a desejabilidade nos aplicativos de namoro era extremamente desigual. Um pequeno número de usuários, em sua maioria mulheres, recebia a maior parte dos likes, enquanto muitos outros recebiam poucos ou nenhum. Apenas uma pequena porcentagem de usuários altamente desejáveis se destacava.

Eles também descobriram que, mesmo entre os homens mais desejáveis, o número de curtidas era menor do que o recebido por mulheres consideradas “abaixo da média” em termos de atratividade, segundo os próprios usuários. Isso se deve, em parte, ao desequilíbrio de gênero, há mais homens do que mulheres nos apps, mas também a normas culturais, nas quais os homens geralmente são esperados para dar o primeiro passo.

Esse cenário cria um descompasso entre oferta e demanda, com muitos homens disputando a atenção de poucas mulheres. No Tinder, por exemplo, os homens representam a maioria da base ativa de usuários, o que dá às mulheres mais poder de escolha e negociação.

Quando os homens buscam apenas parceiras “ideais”, enfrentam forte concorrência e rejeição. Segundo a pesquisa “Singles in America” de 2025 da Match, 53% dos solteiros relatam exaustão com os encontros, e os homens, em particular, indicam insegurança por não receberem respostas.

Rejeição Pesa e Aumenta a Ansiedade

Um estudo de 2020 publicado na revista BMC Psychology descobriu que usuários de aplicativos baseados em “swipe” são mais propensos a relatar sintomas de depressão, ansiedade e estresse psicológico do que quem não usa esse tipo de app. A rejeição constante cobra seu preço. Expectativas irreais só pioram o problema, já que menos matches geram mais frustração e menos confiança.

Homens Miram Para Cima, Mulheres Escolhem com Estratégia

Ao contrário da crença popular de que a maioria das mulheres busca apenas os homens mais desejáveis, o estudo descobriu que o comportamento de escolha das mulheres tende a ser menos aspiracional, e até levemente “para baixo” ou lateral. Ou seja, em média, as mulheres se conectam com homens que são percebidos como um pouco menos ou aproximadamente iguais a elas em termos de atratividade e desejabilidade, demonstrando uma abordagem mais cautelosa.

A vantagem numérica também permite que as mulheres sejam mais seletivas e estratégicas. Isso lhes dá espaço para olhar além da aparência física e considerar outros fatores como valores, compatibilidade, interesses em comum e engajamento mútuo. Isso aumenta a chance de encontrar conexões mais significativas e bem-sucedidas.

Mas isso não significa que a atratividade não tenha peso para ambos os gêneros. Outro estudo, publicado em 2025 na Computers in Human Behavior Reports, analisou mais de 5.300 escolhas de swipe com base em seis critérios: aparência, altura, profissão, biografia, inteligência e semelhança entre quem escolhe e quem é escolhido.

Os pesquisadores descobriram que a aparência física ainda é, de longe, o fator mais decisivo nas primeiras interações, mais até do que inteligência ou ocupação, e esse padrão se repete entre homens e mulheres.

Conexões Reais Surgem da Reciprocidade, Não da Aspiração

Os matches que realmente acontecem não são resultado de perseguir a pessoa mais “desejável” possível. Em vez disso, as conexões bem-sucedidas tendem a ocorrer entre pessoas com níveis semelhantes de desejabilidade.

“Os matches bem-sucedidos costumam refletir mais as preferências das mulheres do que as dos homens. Isso provavelmente se deve à posição mais forte das mulheres no mercado de encontros online, já que há mais homens do que mulheres e os homens são, em geral, os que tomam a iniciativa”, explicaram Topinkova e Diviak em um comunicado à imprensa.

Ou seja: embora muitos homens curtam perfis de mulheres consideradas muito “fora de sua liga”, são os matches entre pessoas mais equilibradas em termos de atratividade que realmente viram encontros. No fim, é mais sobre reciprocidade e interesse mútuo do que sobre aspiração individual.

Como Homens Podem Navegar Melhor os Aplicativos de Namoro

Entenda o cenário: Como mostram as pesquisas, os homens tendem a ter mais dificuldades nos apps devido ao desequilíbrio de gênero e à concorrência. Saber disso ajuda a ajustar as expectativas, não se trata de valor pessoal, mas de uma estrutura comum nas plataformas.

  • Seja autêntico e paciente: Em vez de tentar agradar todas as mulheres, concentre-se em criar um perfil honesto, que reflita seus valores e interesses reais. Qualidade é melhor que quantidade. Conexões profundas levam tempo.
  • Invista na primeira mensagem: Evite abordagens genéricas. Uma mensagem personalizada e respeitosa tem muito mais chances de engajamento. Mostre interesse além da aparência.
  • Não internalize a rejeição: Ela é comum e muitas vezes não tem nada a ver com você. Use como aprendizado, não como medidor de valor pessoal. Sempre que possível, mantenha o bom humor e a perspectiva.
  • Melhore seu perfil de forma estratégica: Use boas fotos, escreva uma bio clara e interessante, e destaque traços autênticos da sua personalidade. Pequenos ajustes podem aumentar bastante o apelo do perfil.

O estudo de Topinkova e Diviak mostra que a competição e a rejeição acabam por equilibrar as expectativas iniciais, levando a parcerias mais realistas.

Embora essas descobertas joguem luz sobre os desafios e dinâmicas dos apps de namoro, os pesquisadores ressaltam que ainda há muito a ser estudado, especialmente considerando as diferenças entre culturas, plataformas e estilos de relacionamento.

* Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

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