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2 Coisas Que Você Não Deve Dizer Ao Seu Parceiro

A honestidade é mesmo sempre a melhor política? De acordo com pesquisas psicológicas, há algumas exceções a essa velha regra quando se trata do seu parceiro

6 min

A honestidade é uma virtude a ser cultivada, esteja você em um relacionamento ou não. Para casais, no entanto, ela pode parecer ainda mais essencial. Transparência e abertura são frequentemente apontadas como os pilares mais importantes de uma relação, o suposto “cimento” que mantém tudo unido. E, em muitos aspectos, isso é verdade. Não é possível construir nem metade de uma base sólida de um relacionamento saudável sem, ao menos, um nível básico de honestidade.

Dito isso, se a honestidade total e inabalável fosse sempre a melhor política, ditados como “algumas coisas é melhor não dizer” não teriam sobrevivido por gerações. A verdade é que nem toda honestidade é tão útil quanto pensamos — e, da mesma forma, nem todo silêncio é tão enganoso quanto fomos levados a acreditar.

Pesquisas apontam cada vez mais que saber quando não falar pode preservar a conexão de forma muito mais segura do que a sinceridade brutal jamais conseguiria. Em alguns cenários, escolher a gentileza e a delicadeza em vez de “falar o que pensa” pode beneficiar muito mais você e seu parceiro.

Veja o que, segundo estudos psicológicos, é perfeitamente aceitável guardar para si em um relacionamento.

1. Mudanças no corpo

Pode parecer natural comentar uma mudança que você notou recentemente no corpo do seu parceiro. Chamar atenção para o ganho de alguns quilos, para novas rugas ou para uma espinha que surgiu pode até parecer um gesto de cuidado, como se você estivesse ajudando a pessoa a se cuidar. Afinal, aprendemos que ser honesto é uma forma de se importar: se você vê algo, diga algo.

Mas, quando se trata do corpo do parceiro, até observações bem-intencionadas podem soar como implicância.

De acordo com um estudo publicado na revista Family, Systems & Health, cerca de 55% das pessoas saem de uma conversa sobre o próprio peso com o parceiro se sentindo pior. E isso independe da forma como o assunto foi abordado.

Em outras palavras, seja o comentário gentil (“Você engordou um pouquinho ultimamente”), em tom de brincadeira (“Alguém andou exagerando na sobremesa!”) ou supostamente encorajador (“Ei, que tal começarmos a malhar juntos?”), o resultado tende a ser o mesmo: insegurança, autoconsciência e vergonha.

Na maioria das vezes, a mudança que você notou já foi percebida pelo seu parceiro, afinal, ele vive no próprio corpo todos os dias.

Em relacionamentos longos, mudanças físicas são inevitáveis. Diferentes fases da vida trazem diferenças no corpo: peso, cabelos brancos, pele mais flácida. Isso é humano e esperado. O problema é que os padrões de beleza nos ensinaram a ver essas transformações como defeitos, e não como sinais de uma vida em curso.

Por isso, mesmo que seu comentário seja dito da forma mais gentil, seu parceiro provavelmente o interpretará sob essa lente crítica.

Na próxima vez que sentir vontade de comentar algo sobre o corpo dele, pare e pergunte a si mesmo: o que vou dizer é realmente gentil? É necessário? Se for apenas algo que você se acostumou a apontar, é bem possível que seu comentário não seja tão construtivo quanto imagina.

Afinal, essas “imperfeições” podem contar belas histórias. Um pouco de peso a mais pode refletir o conforto e a alegria das refeições compartilhadas. Estrias podem simbolizar crescimento, seja na vida adulta, na parentalidade ou em um novo capítulo. E as rugas são mapas de todos os sorrisos, risadas e conversas de madrugada vividas juntos.

2. Críticas não construtivas

Ao contrário do que os filmes românticos fazem parecer, é totalmente normal haver algumas coisas que você não gosta no seu parceiro. Ele pode ser incrível em quase tudo, exceto, talvez, pela forma como lida com o estresse, pela procrastinação, pelos amigos que escolhe ou por alguns hábitos que você considera pouco saudáveis.

Em um dia difícil, você pode sentir vontade de expressar seu descontentamento. Pode até acreditar que o princípio da honestidade exige isso de você. No entanto, há uma linha muito tênue entre ser honestamente útil e ser desnecessariamente crítico.

Se o que você pretende dizer não vem de um desejo genuíno de ajudar o outro a melhorar, há pouca chance de que soe como algo construtivo.

Por exemplo, dizer “Você sempre gasta dinheiro à toa” ou “Você não deveria comer isso, é muito gorduroso” pode parecer um conselho. Mas, aos olhos do seu parceiro, é provável que soe como um ataque.

Um estudo publicado na revista Behavior Therapy mostrou que o impacto das críticas depende fortemente de como elas são formuladas. Comentários percebidos como hostis estão associados a menor satisfação no relacionamento e pior bem-estar emocional, enquanto críticas construtivas tendem a fortalecer o vínculo.

Os pesquisadores descobriram que a diferença está, em grande parte, na regulação emocional. Parceiros que reprimem emoções, como frustração ou irritação, acabam soando mais críticos ou agressivos, mesmo sem querer. Já aqueles que conseguem reformular o pensamento antes de falar tendem a oferecer um retorno mais empático e produtivo.

Em resumo, quando você fala movido pela irritação, seu parceiro percebe. O que soa “honesto” para você, soa como julgamento para ele, minando tanto a confiança quanto o senso de segurança no relacionamento.

Antes de oferecer um feedback não solicitado, pergunte-se: estou dizendo isso para ajudar ou apenas para ter razão? Se for o segundo caso, a escolha mais gentil, e mais sábia, é guardar para si.

Embora o feedback construtivo possa fortalecer a relação, a crítica destrutiva faz o oposto. Se você não tem clareza ou serenidade para ser construtivo, o silêncio é um ato de bondade. Às vezes, é melhor escolher o relacionamento em vez da satisfação momentânea de ser “honesto”.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

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