1. Início
  2. /
  3. Forbes Saúde
  4. /
  5. O Motivo Surpreendente por trás de Nossas Más Decisões
Forbes Saúde

O Motivo Surpreendente por trás de Nossas Más Decisões

Entenda como o tédio e a busca por novidade podem levar a decisões impulsivas e comportamentos arriscados

5 min

Você já sentiu uma vontade irresistível de fazer algo imprudente, como gastar com um item caro que não precisa, flertar com alguém que não deveria ou até correr riscos físicos apenas pela adrenalina? Pode parecer irracional ou até autossabotador, mas você acaba fazendo mesmo assim, para depois se perguntar por que tomou aquela decisão.

Se você se identifica, saiba que não está sozinho. Surpreendentemente, esses impulsos muitas vezes vêm de uma emoção poderosa, porém negligenciada: o tédio.

O tédio não é apenas uma sensação passageira ou sem graça. Geralmente, é um sinal do seu cérebro de que suas experiências atuais não são estimulantes o suficiente, o que pode levar você a buscar algo novo, qualquer coisa que quebre a monotonia.

Para muitos, esse “algo novo” nem sempre precisa ser agradável ou seguro. Assim, o tédio pode levar as pessoas a experiências arriscadas ou até um pouco negativas, simplesmente porque são diferentes do estado emocional em que se encontram. Pesquisas de 2019 publicadas na revista Emotion confirmam isso.

Pesquisadores investigaram como o tédio influencia as escolhas em vários estudos. Primeiro, os participantes foram induzidos a sentir tédio por meio de tarefas neutras ou repetitivas. Depois, tiveram oportunidades de escolher novas experiências, que podiam ser agradáveis, neutras ou desagradáveis.

Curiosamente, aqueles que relataram sentir mais tédio eram significativamente mais propensos a escolher experiências desagradáveis. Não era tanto que quisessem se sentir mal, mas que qualquer coisa, até mesmo desconforto, parecia mais estimulante do que a monotonia em que estavam presos.

Em outro estudo, o tédio foi manipulado deliberadamente: alguns participantes foram colocados em situações de baixo tédio, outros em situações de alto tédio. Aqueles com alto tédio relataram um desejo maior por novidade, o que os levou a escolher experiências novas, mesmo negativas, em vez de opções seguras e familiares. Essencialmente, a necessidade de sentir algo diferente superava a necessidade de se sentir bem.

Um terceiro estudo mostrou que o tédio leva as pessoas a buscar contraste. Quem se entediou com experiências positivas tendia a buscar algo negativo, enquanto quem se entediou com experiências negativas buscava algo positivo. O importante não era se a experiência era boa ou ruim, mas sim a busca por algo diferente.

Esses achados revelam algo importante: o tédio é um estado emocional ativo que nos impulsiona a explorar e fugir do “comum”.

Quando o tédio funciona a seu favor

Embora o tédio possa levar a decisões impulsivas ou autossabotadoras, ele também pode ter um papel psicológico importante. Ele sinaliza que algo em sua vida carece de significado, variedade ou desafio. Se abordado conscientemente, esse desconforto pode estimular criatividade e crescimento pessoal.

Um estudo de 2022 publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health acompanhou mais de 700 participantes por três meses. Primeiro, mediu-se o nível de tédio. Depois, avaliou-se a flexibilidade cognitiva, o suporte social e o senso de significado na vida.

O estudo mostrou que o tédio estava ligado a um menor senso de significado, mas isso dependia da capacidade de adaptação e flexibilidade mental. Pessoas capazes de reinterpretar situações transformavam o tédio em autoconhecimento e mudança, aumentando o senso de propósito. Já quem tinha menor flexibilidade cognitiva tendia a se sentir preso, e o tédio amplificava sentimentos de vazio ou falta de direção.

Portanto, o que determina o impacto do tédio não é o tédio em si, mas como você responde a ele. Quando persistente, ele sinaliza que algo em você está pronto para mudar. Aqueles que conseguem mudar de perspectiva ou criar pequenas novidades usam o tédio como trampolim, e não como poço.

Transformando inquietação em renovação

O tédio pode levar a buscar agitação, reabrir velhas situações ou correr atrás de emoções pelo simples prazer da adrenalina. Nesses momentos, você procura se sentir vivo, ter algo pelo que esperar ou sentir movimento, mesmo que não avance realmente. A mente busca estímulo a ponto de confundir caos com mudança.

O segredo é estar consciente desse impulso. Embora essas explosões momentaneamente aliviem o vazio, raramente geram satisfação duradoura. Mudanças reais começam quando você consegue permanecer com a inquietação tempo suficiente para escolher direção em vez de distração.

O mesmo tédio pode se tornar um terreno fértil para clareza e criatividade. Ele cria espaço para a mente divagar, conectar ideias e encontrar soluções que não surgiriam sob estímulo constante. O que muitos confundem com estagnação é, na verdade, um “período de incubação”, em que a mente processa, reorganiza e se prepara para novas percepções.

Um estudo de 2025 sobre escrita criativa mostrou que participantes que deixaram a mente divagar durante pequenas pausas apresentaram maior criatividade ao retomar a tarefa.

Assim, abraçar o tédio em vez de fugir dele permite ver as coisas de forma diferente, aprender novas abordagens e fortalecer a capacidade de adaptação e pensamento criativo.

Quando você lida conscientemente com o tédio, passa a introduzir novidades de forma intencional, em vez de depender do caos ou do impulso. Em vez de buscar excitação em momentos passageiros, você cria significado e evolução diários.

No fim, o tédio pode transformar a maneira como você vive e encontra alegria no cotidiano, dependendo de como você escolhe respondê-lo.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.