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Dieta Rica em Gordura Pode Favorecer Crescimento de Tumores no Intestino

Pesquisa alemã identificou relação entre alimentos gordurosos, alterações no microbioma intestinal e aumento de um ácido biliar associado ao crescimento de tumores colorretais

5 min

A relação entre o consumo de alimentos ricos em gordura e problemas de saúde já é conhecida. Entre os possíveis efeitos estão:

  • Aumento do colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), conhecido como colesterol “ruim”;
  • Obstrução das artérias;
  • Ganho de peso;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Sobrecarga do fígado;
  • Elevação dos níveis de açúcar no sangue;
  • Problemas digestivos.

Agora, um estudo conduzido por pesquisadores alemães mostrou como uma dieta ocidental, caracterizada pelo alto consumo de gordura, pode contribuir para o desenvolvimento do câncer colorretal, um dos tipos de câncer mais frequentes e letais entre adultos com menos de 50 anos.

O trabalho foi realizado por cientistas da Universidade Técnica de Munique, da RWTH Aachen e do Instituto Alemão de Nutrição Humana Potsdam-Rehbrücke (DIfE).

Os resultados foram publicados na edição de agosto de 2026 da revista Gut, especializada em gastroenterologia e hepatologia.

Segundo Annika Osswald, autora principal da pesquisa e doutoranda no Instituto Alemão de Nutrição Humana, o diferencial do estudo está na demonstração de uma relação de causalidade entre o ácido biliar secundário analisado e o câncer colorretal.

Como o ácido biliar pode favorecer o câncer colorretal?

A ingestão de gordura estimula o fígado a produzir ácidos biliares primários. Essas substâncias são necessárias para que o organismo consiga digerir e absorver as gorduras. A maior parte delas é posteriormente reabsorvida e retorna ao fígado.

Uma pequena quantidade, porém, alcança o cólon. Nesse local, determinadas bactérias transformam os ácidos biliares primários em compostos secundários, entre eles o ácido deoxicólico (DCA).

Quanto maior o consumo de alimentos gordurosos, maior tende a ser a concentração de DCA no cólon.

Para investigar essa relação, Osswald e os demais pesquisadores realizaram experimentos com camundongos em laboratório. A equipe implantou bactérias capazes de produzir DCA em animais cujo microbioma intestinal era totalmente controlado.

Depois, os cientistas induziram câncer colorretal nesses camundongos e em outros animais que não possuíam as bactérias produtoras de DCA. Os camundongos que tinham esses microrganismos no intestino apresentaram crescimento maior dos tumores.

A multiplicação das células também foi mais intensa nos animais expostos ao DCA. Isso pode elevar o risco de câncer porque, quanto mais vezes uma célula se divide, maiores são as possibilidades de ocorrerem erros na replicação do DNA. Essas alterações podem se acumular e, posteriormente, contribuir para o surgimento de tumores.

Para avaliar se o mesmo mecanismo poderia estar presente em seres humanos, os pesquisadores examinaram amostras de fezes de mais de mil pessoas, com e sem câncer colorretal.

Genes associados a bactérias produtoras de DCA foram identificados com maior frequência nos indivíduos diagnosticados com câncer colorretal.

Para o microbiologista Sören Ocvirk, também autor do estudo, os resultados mostram como uma alimentação ocidental com alto teor de gordura e as alterações provocadas por ela no microbioma intestinal podem influenciar a saúde do intestino.

Osswald ressalta que os resultados são importantes, mas que novas pesquisas ainda são necessárias. A comprovação de uma relação causal entre a presença de mais bactérias produtoras de DCA no intestino e o crescimento de tumores, no entanto, pode abrir caminhos para futuras abordagens contra o câncer colorretal.

A importância de compreender o câncer colorretal

O câncer colorretal é o único tipo de câncer cuja mortalidade entre pessoas com menos de 50 anos aumentou nas últimas décadas. A conclusão é de um estudo publicado em janeiro de 2026 no Journal of the American Medical Association.

Nos Estados Unidos, as mortes por câncer cerebral, de mama, leucemia e pulmão caíram entre 1990 e 2023. Já os óbitos provocados pelo câncer colorretal cresceram 1,1% ao ano a partir de 2005.

Quando identificado nos estágios iniciais, o câncer que se desenvolve no cólon ou no reto pode ser tratado.

O problema é que os sinais da doença nem sempre aparecem no começo. Quando surgem, também podem ser confundidos com manifestações de problemas menos graves, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável.

Entre os sintomas do câncer colorretal estão:

  • Sangue nas fezes;
  • Diarreia ou prisão de ventre persistente ou intermitente;
  • Dor abdominal contínua;
  • Gases ou cólicas;
  • Sensação de inchaço.

A dificuldade de falar sobre alterações intestinais com profissionais de saúde também pode atrasar a identificação da doença. Por isso, a orientação é conversar com o médico diante de sintomas ou mudanças persistentes.

Como as descobertas podem contribuir para o tratamento?

Uma possibilidade que poderá ser investigada no futuro é o transplante de microbiota intestinal.

Segundo Osswald, a técnica poderia envolver a transferência da microbiota — conjunto de microrganismos que vivem naturalmente no intestino — de pessoas com menor quantidade de bactérias produtoras de DCA para pacientes com câncer colorretal. A hipótese é que isso possa diminuir a velocidade de crescimento dos tumores.

A prevenção, porém, continua sendo uma das principais estratégias. Embora fatores genéticos possam aumentar a predisposição de algumas pessoas ao câncer colorretal, aspectos relacionados ao estilo de vida também têm influência.

Uma alimentação equilibrada, a redução do consumo de carne e de alimentos ricos em gordura e o hábito de não fumar podem diminuir o risco de desenvolver câncer colorretal.

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