O Brasil passou a oferecer o primeiro teste sanguíneo com aprovação da Anvisa direcionado ao diagnóstico biomédico do Alzheimer. A tecnologia, disponível inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), identifica marcadores cerebrais da patologia e promete substituir procedimentos como a coleta de líquor via punção lombar e os exames de imagem avançados.
Livre de cobertura na rede pública, a novidade custa aproximadamente R$ 3 mil no circuito privado e destina-se estritamente a indivíduos que apresentem queixas cognitivas prévias. O Ministério da Saúde informou que ainda não recebeu solicitações da Conitec para avaliar a eventual integração do procedimento ao SUS.
Paralelamente, o laboratório Richet oferece uma análise similar em parceria com o Instituto D’Or (IDOR) por R$ 1,8 mil — operação conduzida sob o modelo de pesquisa enquanto o registro comercial formal avança.
Como Funciona o Biomarcador
O exame afere a proteína p-tau217, indicador associado às formações de amiloide no tecido cerebral. O processamento automatizado assegura alto índice de reprodutibilidade entre laboratórios.
- Precisão: Estudos da plataforma Lumipulse (da belga Fujirebio) apontam assertividade superior a 90% na detecção ou no descarte da alteração em sintomáticos com mais de 50 anos.
- Margem de Inconclusão: Entre 15% e 20% das amostras registram resultados intermediários, demandando reavaliação anual ou exames complementares de PET/líquor.
- Restrições: O teste é contraindicado para rastreamento preventivo em assintomáticos ou em pessoas abaixo de 50 anos.
Acessibilidade e Cenário no SUS
Atualmente, o diagnóstico conclusivo no país apoia-se em exames de alto custo (PET amiloide) ou invasivos (punção lombar). Embora a precisão do exame de sangue seja equivalente, seu apelo reside na conveniência e na redução de custos operacionais.
Apesar da expectativa da instituição gaúcha de articular projetos via Proadi-SUS ainda em 2026, o governo reforça que não há pleito protocolado para incorporação do teste na rede pública, mantendo o protocolo estatal restrito à avaliação clínica, exames laboratoriais e tomografias.
Impacto no Tratamento
A identificação precoce impulsiona o uso de terapias capazes de desacelerar o avanço da enfermidade. Medicamentos recém-chegados ao mercado nacional, como donanemabe e lecanemabe, podem reduzir o ritmo do declínio cognitivo em até 30% quando administrados nas fases iniciais.