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Ecossistema de inovação tem apenas 4,7% de startups fundadas por mulheres

Proporção de empreendedoras femininas no setor está estagnada há uma década

4 min
 Pinkypills/Getty Images
Pinkypills/Getty ImagesEstagnação: há dez anos, as empresas de base tecnológica fundadas apenas por mulheres representavam 4,4% deste mercado. Hoje, esse índice é de 4,7%

Nos últimos anos, o Brasil tem vivido uma evolução no ecossistema de inovação e capital de risco. Já temos 12 unicórnios e passamos a ser reconhecidos como um país que produz soluções inovadoras e empresas capazes de competir em nível global. No que diz respeito à diversidade e inclusão, no entanto, o avanço foi bem menos significativo. 

A falta de representatividade é histórica, e só recentemente temos visto movimentos que reconhecem o quão nocivo pode ser um ambiente pouco diverso, principalmente quando o resultado precisa ser a inovação. Uma sociedade pautada na desigualdade reproduz preconceitos e vieses inconscientes – e gera mais desigualdade.

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Segundo o “Female Founders Report 2021”, estudo elaborado pela empresa de inovação Distrito em parceria com a Endeavor, rede global de empreendedorismo, e a B2Mamy, empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema inovador, divulgado hoje (8), no Dia Internacional da Mulher, no empreendedorismo de inovação o cenário não é diferente – se não for ainda mais grave. 

Há dez anos, quando o ecossistema de startups brasileiro ainda estava no seu estágio inicial de desenvolvimento – tinha 18% do tamanho que tem hoje –, as empresas de base tecnológica fundadas apenas por mulheres representavam 4,4% deste mercado e outras 3,5% tinham fundadores de ambos os gêneros. Aquelas fundadas exclusivamente por homens eram 92,1% em 2011. Em 2020, esses índices são 4,7%, 5,1%, 4,7% e 90,2%. 

“O resultado nos surpreendeu. Embora soubéssemos da desigualdade óbvia observada nos ambientes de inovação, a diferença é ainda mais alarmante do que se esperava: menos de 5% das startups são fundadas apenas por mulheres e somente outros 5% têm um time híbrido de fundadores”, diz Lilian Natal, partners & head do Distrito for Startups. 

“Ou seja, mais de 90% das startups no Brasil ainda são fundadas apenas por homens e ainda maior é o abismo quando consideramos a proporção de startups criadas por mulheres que recebem investimento, não chegando nem a 1%. O mais irônico é que, embora haja todas essas dificuldades para elas, dados mostram que startups que possuem pessoas do sexo feminino em seu quadro societário tendem a ter resultados 25% melhores.”

DESIGUALDADE EM CASCATA  

Segundo o levantamento, a desigualdade, que começa no menor número de fundadoras, manifesta-se nas mais diferentes fases dos negócios, desde a ideação até a atuação das empresas no mercado, passando pela captação de investimentos. E exemplifica: segundo uma publicação recente da “Harvard Business Review”, os investidores privilegiam os pitchs de homens em detrimento dos das mulheres, mesmo quando o conteúdo do argumento de venda é idêntico.  

A diferença no tratamento continua nas demais etapas. Segundo dados do Banco Mundial, apenas 7% do total de investimentos de risco nos mercados emergentes são destinados a negócios liderados por mulheres. E a média de capital recebido por startups lideradas por elas é 65% da média recebida por eles – um cenário que se agrava à medida que aumentam os valores investidos.  

O prejuízo dessa realidade não se limita às mulheres, mas a todo o ecossistema. “Espaços diversos criam ambientes mais complexos, plenos de trajetórias e visões de mundo diferenciadas, e são mais propensos a oferecer soluções criativas para os desafios cada vez mais complexos com os quais nos deparamos hoje”, diz o estudo. “Garantir um número maior de empresas fundadas por mulheres não é apenas uma questão ética, mas um ativo com potencial de causar impactos socioeconômicos positivos. Não se trata, portanto, de uma inciativa filantrópica, mas de um movimento capaz de gerar retornos financeiros significativos para investidores e organizações que perceberem a oportunidade e se posicionarem.”

O levantamento – feito com base na análise de dados de startups brasileiras fundadas por mulheres, em fase inicial, de expansão, avançada ou de captação bilionária, e nas respostas de 400 de suas fundadoras ou cofundadoras – traçou um raio x do empreendedorismo feminino de inovação no país.

Veja, na galeria a seguir, as principais conclusões do estudo da Distrito sobre a atuação feminina no ecossistema brasileiro de inovação:

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