Startup de biologia sintética levanta US$ 52 milhões para tornar os tumores mais visíveis

Reprodução/Forbes
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Equipe da Strand Therapeutics, da esqueda para a direita: Samta Kundu, diretora de operações; Jake Becraft, CEO e cofundador; e Tasuku Kitada, presidente, chefe de P&D e cofundador

A pandemia de Covid-19 apresentou, a milhões de pessoas, o mRNA (RNA mensageiro) – uma frágil cadeia de ácidos nucleicos que dá ordens ao DNA. O mRNA é a espinha dorsal das primeiras vacinas contra o vírus SARS-CoV-2 criadas pela BioNTech, Pfizer e Moderna em 2020. No entanto, ele é útil para mais do que apenas vacinas.

O mRNA pode ser usado para criar tratamentos para uma variedade de doenças, de câncer a problemas cardíacos. Jacob Becraft, cofundador e CEO da Strand Therapeutics, quer levar esta técnica para o próximo nível, usando o mRNA sintético para combater tumores. Sua empresa acaba de levantar US$ 52 milhões em uma rodada série A, e planeja ter sua primeira terapia em uso em 2022. 

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Becraft, 30 anos, diz que analisou a tecnologia usada pela BioNTech e Moderna e a considerou um avanço fundamental. “A capacidade de construir drogas a partir do mRNA pode revolucionar a biotecnologia”, afirma.

A Strand, com sede em Cambridge, nasceu em 2017 como resultado do Departamento de Engenharia Biológica do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), onde Becraft era aluno de PhD. Ele cofundou a empresa com vários professores do instituto, incluindo o pioneiro da biologia sintética, Ron Weiss. Durante seus estudos, Becraft percebeu que era possível criar circuitos de mRNA sintéticos que podem ligar e desligar genes como um interruptor de luz. A descoberta, juntamente com as redes regulatórias, poderia então ser programada de forma a fazer com que os tumores cancerígenos se revelassem ao sistema imunológico do corpo. 

“[Strand] desenvolveu uma linguagem de programação para biologia”, diz Jory Bell, um sócio  do fundo de risco Playground Global, que participou da rodada de financiamento mais recente. “Então, ele construiu um computador de mRNA que poderia, essencialmente, tomar decisões no corpo para melhorar a segurança e a precisão dos medicamentos que salvam vidas”, completa. 

Ao contrário das vacinas contra a Covid-19, que enviam instruções ao núcleo da célula para criar antígenos para o vírus, a terapêutica do RNAm da Strand instrui os tumores a produzirem sinais que os tornam mais visíveis ao sistema imunológico. “O que podemos fazer é simplesmente entrar no tumor e destacá-lo”, diz Becraft. Uma vez que o sistema imunológico é capaz de “ver” o tumor, ele pode lutar contra o câncer de forma mais eficaz. O principal programa da Strand é para tumores sólidos, mas Becraft não planeja parar por aí. “Não somos uma única empresa farmacêutica. Nosso objetivo é ter uma infinidade de tratamentos em oncologia e oncologia externa.” 

As empresas de biologia sintética experimentaram um boom nos últimos anos. Existem mais de 600 companhias no setor e mais de US$ 3,8 bilhões em financiamento para investimentos para a área. Com esta última captação, a Strand terá um total de US$ 58 milhões em financiamento. A empresa não quis divulgar sua nova avaliação de mercado.

Em janeiro, a companhia fechou um negócio lucrativo com a chinesa de biotecnologia BeiGene, que dará à Strand até US$ 227 milhões em troca de uma licença exclusiva para desenvolver e comercializar dois dos programas de câncer da Strand na Ásia, Austrália e Nova Zelândia. 

Becraft diz que o novo capital será utilizado para testar a primeira terapêutica da empresa em ensaios clínicos, que devem começar no próximo ano. Ele diz, ainda, que a companhia está planejando expandir sua capacidade de fabricação, além de contratar novos colaboradores para a equipe. Não deve faltar interesse, agora que o mundo sabe o que a tecnologia de mRNA pode fazer. Segundo Becraft, a pandemia da Covid-19 foi um caso de teste para o mRNA. “E, claramente, o mRNA trouxe resultados.”

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