Os princípios de gestão de 5 CEOs que lideram o mundo dos e-sports

O mercado global de jogos eletrônicos segue em ascensão e deve movimentar ainda mais dinheiro com a volta dos torneios presenciais podendo chegar a US$ 2 bilhões em 2030.

Luiz Gustavo Pacete
Compartilhe esta publicação:

A audiência de torneios como o CBLoL, da Riot Games, vem batendo recordes nos últimos quatro anos  e, com o formato digital, esse número só cresceu (Crédito: Riot Games)

Acessibilidade


O mundo dos jogos eletrônicos ganhou os holofotes nos últimos quatro anos. As arenas lotadas e o crescimento no número de ligas, campeonatos e eventos vêm atraindo cada vez mais recursos, não só das marcas, interessadas em se associar a um segmento de alto engajamento e paixão, mas também dos investidores. Essa indústria, no entanto, vive uma nova fase com o desafio de se estruturar como negócio e buscar oportunidades muito além das competições e eventos.

De acordo com a NewZoo, principal consultoria que mapeia essa indústria no mundo, o Brasil está em terceiro no ranking de países com mais audiência ficando atrás apenas da China e Estados Unidos. Do ponto de vista financeiro, é um mercado que deve movimentar, globalmente, mais de US$ 2 bilhões até 2030. Segundo a PwC, a indústria de games, responsável por ampliar os fãs dos jogos eletrônicos, somente no Brasil, se aproxima de US$ 1,7 bilhão, impulsionada, sobretudo, pelos jogos digitais no mobile.

LEIA TAMBÉM: 10 empresas de e-sports mais valiosas do mundo

A Forbes Brasil ouviu cinco CEOs de equipes de e-sports que vêm crescendo e estruturando uma indústria ainda em formação. Antônio Pedro Cardoso, CEO da B4 e-sports, explica que o mercado está amadurecendo e, com isso, exigindo um profissionalismo maior não só no competitivo, mas também na gestão de pessoas, nas entregas dos projetos e na comunicação com o público. “É um perfil diferente do que víamos há dois ou três anos. Temos que estar conectados, entender novos jogos e perfis, tendências de mercado e o que está acontecendo com o mercado brasileiro e externo”.

No Brasil, os modelos de negócios dos e-sports ainda estão se estruturando. Bruno Bittencourt, eleito Forbes Under 30 em 2019 e CEO da Loud,  organização que mantém equipes em várias modalidades, explica que, nos últimos anos, a indústria de esportes eletrônicos se transformou de um nicho para se tornar um grande fator de disrupção entre os esportes tradicionais e a indústria do entretenimento. “Só no Brasil, onde operamos, já estamos vendo os e-sports penetrarem na cultura mainstream. Estamos vendo programas universitários, ligas profissionais e até mesmo reconhecimento olímpico nos próximos jogos de 2022”

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

LEIA TAMBÉM: Streaming de eSports atinge quase 30 bilhões de horas assistidas em 2020

Roberta Coelho, que assumiu como CEO do MIBR em setembro, egressa da Game XP, conta que o grande desafio é encontrar o meio do caminho entre a performance e a experiência. “O que se espera de um time de e-sports é uma boa performance, estar presente nos maiores campeonatos do mundo, competir e subir nos principais pódios. Mas fazer tudo isso e, ao mesmo tempo, conseguir entregar um conteúdo completo para as marcas é o grande desafio”

Também eleita Forbes Under 30 em 2019, Nicolle Merhy, CEO da Black Dragons, conhecida como Cherrygumms, explica que, pelo fato de o mundo dos games mudar de forma cada vez mais rápida, é importante ter velocidade também ao acompanhar as tendências. “O mundo dos games está a todo momento se atualizando e mudando. Com isso, estar sempre por dentro das novidades e das tendências, que por muitas vezes mudam de uma hora para a outra, é um dos principais desafios de ser CEO”, explica Nicolle, destacando que os e-sports possibilitam oportunidades em todos os nichos de trabalho, desde administrativo, contábil, jurídico até a criação de conteúdo.

“Tudo se baseia em liderança e gestão de pessoas. Nos últimos tempos vimos a necessidade fundamental de cuidar dos nossos colaboradores. Da sua saúde, seu bem estar, seus anseios e aflições. A pandemia trouxe o ser humano para o centro do debate, e todas as empresas tiveram que reaprender isso na marra”, diz Tiago Xisto, CEO da Vivo Keyds destacando subsegmentos em ascensão dentro deste universo. “A fusão do universo blockchain com os games e e-sports, os fan tokens e criptomoedas têm grandes conexões e, nesse momento, estamos enxergando as primeiras iniciativas dessa simbiose. Eu realmente acredito que isso abrirá portas para investidores entrarem no cenário, circulando receita e novos negócios para todos os agentes envolvidos.”

 

  • Nicolle Merhy, CEO da Black Dragons
    “O ecossistema de e-sports possibilita oportunidades em todos os nichos, desde administrativo, contábil, jurídico ao mundo dos criadores de conteúdo”

  • Roberta Coelho, CEO do MIBR
    “Um time de e-sports deve ir além dos resultados, ele precisa mostrar força para construir uma marca que se preocupa com os fãs e a comunidade”

  • Bruno Bittencourt, CEO da Loud
    “Esse progresso dos e-sports permitiu novas profissões, comportamentos e uma nova onda de consumo que vive online e pode atingir um público global”

  • Antônio Pedro Cardoso, CEO da B4 e-sports
    “Não dá pra ser só um gestor de um time excepcional, a alta performance tem que estar em todas as entregas”

  • Tiago Xisto, CEO da Vivo Keyds
    “Jogos eletrônicos e criptomoedas têm grandes conexões e nesse momento estamos enxergando as primeiras iniciativas dessa simbiose”

Nicolle Merhy, CEO da Black Dragons
“O ecossistema de e-sports possibilita oportunidades em todos os nichos, desde administrativo, contábil, jurídico ao mundo dos criadores de conteúdo”

Compartilhe esta publicação: