Visão digital (desde que robusta) acelera crescimento dos resultados

O avanço da digitalização rompeu barreiras entre o mundo físico e digital – e se reflete, sim, no desempenho das operações no mundo todo.

Camila Farani
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Oscar Wong/Getty Images
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O avanço da digitalização rompeu barreiras entre o mundo físico e digital – e se reflete, sim, no desempenho das operações no mundo todo

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O que a tecnologia tem a ver com crescimento e o resultado financeiro de uma empresa, ou até mesmo com a economia de um país? Basicamente, tudo. O avanço da digitalização rompeu barreiras entre o mundo físico e digital – e se reflete, sim, no desempenho das operações no mundo todo.

Tenho percebido, porém, a importância de aprofundarmos um pouco mais os efeitos práticos disso. Por quê? Porque as novas tecnologias são sedutoras e, se não entendermos como elas de fato podem impactar os negócios, desperdiçaremos uma incrível oportunidade de aumentar a produtividade das empresas. Tratar esse assunto superficialmente pode criar, na percepção de muitas pessoas, uma desconexão entre tecnologia e negócio. Quem nunca ouviu a frase: ah, eu preciso de resultado, não de tecnologia.

Antes de tudo, é preciso entender que a equação não é tão simples assim. A tecnologia é um meio para alcançarmos os objetivos e, para que de fato gere o efeito esperado, alguns cenários são desejados. Primeiramente, não se trata de olhar para uma única possibilidade. O grande pulo do gato está em entender como a integração de diversas tecnologias será capaz de atender o seu negócio. Não existe uma aposta salvadora e é preciso envolver toda operação nas escolhas que estão sendo feitas. É assim que agem as organizações mais maduras digitalmente.

As empresas do chamado middle market que possuem uma visão digital clara visão digital clara, ampla e guiada por decisões estratégicas crescem 75% mais rápido do que seus pares menos sofisticados digitalmente, conforme análise do The National Center for the Middle Market, que monitora o desempenho de empresas entre US$ 10 milhões e US$ 1 bilhão em receitas anuais desde 2012.

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Outra questão importante de observarmos é a importância da mentalidade de crescimento. O desempenho financeiro superior das empresas de maior maturidade digital pode estar relacionado à sua maior propensão para valorizar a inovação e os benefícios orientados para o crescimento, como aumento nas vendas, melhor capacidade de resposta às necessidades de negócios e satisfação do cliente, revela uma análise da consultoria Deloitte. Já as organizações de baixa maturidade preferiram destacar no estudo os benefícios de redução de custos. Percebe a diferença?

Inteligência Artificial (IA), Machine Learning, Computação na Nuvem e 5G serão as tecnologias mais importantes para 2022, segundo opinião de líderes globais dos Estados Unidos, Reino Unido, China, Índia e Brasil. Isso é o que nos mostra o estudo “O Impacto da Tecnologia em 2022 e Além”, que acaba de ser divulgado pelo Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), organização profissional técnica dedicada ao avanço da tecnologia para a humanidade.

Como isso se reflete nos resultados da operação? Vamos começar com uma realidade inegável. As novas tecnologias representam a possibilidade nunca vista antes de geração de insights fundamentais para o negócio. Você já parou para pensar que já existem mais coisas conectadas do que seres humanos no planeta?

São 7,9 bilhões de pessoas no mundo, enquanto os dispositivos inteligentes superam os 12 bilhões e devem alcançar 27 bilhões em 2025, aponta o IoT Analytics. É uma imensidão de dados sendo gerados sobre pessoas e máquinas, com alto potencial de serem usados de forma inteligente para entendermos melhor as operações.

O uso da Inteligência Artificial integrada à Internet das Coisas (IoT), por exemplo, usufruindo toda velocidade que a quinta geração terá, permitirá uma maior compreensão das necessidades dos consumidores. A partir disso, a sua empresa pode implementar melhorias no produto que, consequentemente, venderá mais, gerando maior receita no fim de mês.

O mesmo acontece quando uma montadora instala sensores inteligentes na sua unidade fabril, capazes de antecipar problemas em uma máquina da linha de produção. Ao fazer isso, evitará paradas desnecessárias, tornando a operação mais eficiente e, claro, mais rentável. E isso apenas para citarmos alguns exemplos.

Quando pensamos na indústria 4.0, as tecnologias digitais geram um aumento médio de 22% da produtividade das micro, pequenas e médias empresas, segundo dados de um programa-piloto executado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) com 43 empresas de 24 estados.

A Inteligência Artificial é uma das mais disruptivas tecnologias dos últimos tempos. Vamos de efeito prático na economia? O uso de IA poderá adicionar entre 1,8 e 4,2 pontos percentuais ao PIB brasileiro até 2030? Isso é mais do que sedutor, não é mesmo? É a possibilidade de vermos a nossa economia crescer, gerar mais empregos e competitividade internacional para o País, nos fazendo entrar em um ciclo virtuoso. Os dados são de um estudo realizado pela consultoria americana DuckerFrontier a pedido da Microsoft.

O uso da tecnologia alinhada com inteligência de mercado tem efeitos abrangentes. Migrações para nuvem pública podem reduzir emissões de CO2 em 59 milhões de toneladas por ano, aponta o United Nations Global Compact-Accenture Strategy CEO Study on Sustainability. Entre 2013 e 2015, empresas com alto desempenho consistente nos quesitos ambiental, social e de governança (ESG) usufruíram de margens operacionais 4,7 vezes mais altas e baixa volatilidade do que as de baixo desempenho ESG no mesmo período.

A tecnologia só faz sentido se conduzir as organizações a uma transformação importante do negócio, seja financeiro ou alinhada com questões que são importantes para a sociedade e para o planeta. Que ainda não se deu conta disso, corre o risco de ver apenas pelo retrovisor as empresas com a curva mais acelerada de adoção das ferramentas digitais.

Camila Farani é um dos “tubarões” do “Shark Tank Brasil”. É Top Voice no LinkedIn Brasil e a única mulher bicampeã premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016 e 2018. Sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

 

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