C-Level: talento e abertura à inovação como elementos de transformação

Stacy Janiak
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Getty Images/Klaus Vedfelt
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Stakeholders e funcionários também desempenham um papel importante nas decisões para o futuro.

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A pandemia deu início a um novo mundo de trabalho: muitos profissionais se ajustaram ao tão referenciado “novo normal” com maior flexibilidade, enquanto as organizações rapidamente desenvolveram novas políticas para apoiar seus funcionários e traçar um caminho com o crescimento em mente.

Após os últimos dois anos, pode parecer difícil (ou até imprudente) tentar prever o que vem a seguir. No entanto, 2022 deve preparar o cenário para uma nova era de negócios e existem certos fatores que podem ser essenciais para o desenvolvimento de empresas no curto e longo prazo.

O C-suite expandido e integrado

Uma das mudanças mais marcantes é o surgimento de funções mais novas e amplas no C-suite. Uma pesquisa recente do LinkedIn mostrou que essa expansão ocorreu muito rápido – por exemplo, o nível mais alto de liderança pode agora abranger mais de 50 cargos.

Embora algumas dessas funções, como Chief Information Officer (CIO) ou Chief Human Resources Officer (CHRO) existissem antes da pandemia, elas agora são vistas como parte integrante da agilidade e lucratividade de muitas organizações. Além disso, estão mais interconectadas que nunca, já que o trabalho híbrido é o novo top of mind.

O “novo” C-suite inclui funções como Chief Purpose Officer, Chief Diversity Officer e Chief Growth Officer, que enfatiza a necessidade de uma visão mais holística dos negócios e como eles existem dentro de um contexto social.

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As posições sênior foram tradicionalmente isoladas, mas essas novas funções geralmente são mais focadas na integração de ideias em toda a empresa. Atuando como elo de ligação dentro da empresa, em 2022 será fundamental usar a estratégia de negócios unificados para maximizar o crescimento com o poder coletivo do C-suite expandido.

Propósito alinhado com crescimento da empresa

Quando se trata de propósito corporativo, as expectativas dos stakeholders internos e externos estão mais altas do que nunca. Mesmo assim, lideranças empresariais ainda se enganam ao interpretar que a iniciativas atreladas ao propósito requerem um sacrifício do lucro e do crescimento.

Uma pesquisa da Deloitte mostra que ter uma estratégia orientada a propósitos cria valor de longo prazo e vantagem competitiva. Marcas com alta priorização de propósito podem dobrar o valor de mercado quatro vezes mais rápido e empresas que atendem às expectativas dos acionistas alcançam retornos sobre o patrimônio 6,4% maiores.

Colocar iniciativas de propósito – como ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) – no centro de um negócio é algo inegociável para qualquer estratégia de crescimento moderna. Essa abordagem permite que empresas adotem, além de compromissos de curto prazo, uma compreensão sustentável e de longo prazo do papel que a organização desempenha na sociedade.

Em 2022, a projeção é que mais organizações façam investimentos estratégicos para cumprir compromissos de propósito – e, consequentemente, construir confiança com os stakeholders e expandir a vantagem competitiva.

Foco no bem-estar e transparência

De acordo com a pesquisa mais recente de CEOs da Fortune e Deloitte, o talento continua sendo uma prioridade para cargos executivos, e enfatizar uma abordagem centrada no ser humano para o bem-estar e a liderança transparente é uma estratégia competitiva fundamental para retenção e atração de talentos.

A maioria dos CEOs (80%) ampliou a flexibilidade do trabalho dentro de suas organizações e 65% dizem que também aumentaram a ênfase no bem-estar e na saúde mental. Exatamente 50% priorizou o ESG, mesma parcela que aumentou os salários. Pouco mais de um quarto distribuiu bônus de retenção.

top executive priorityOs candidatos às vagas de emprego também passaram a priorizar organizações que mantêm a humanidade no trabalho. Por isso, para empresas que visam crescimento e retenção de funcionários em 2022, flexibilidade e bem-estar para o trabalhador são inegociáveis.

Por exemplo, a Deloitte foi uma das companhias a anunciar a ampliação dessa área, investindo US$ 1 bilhão (R$ 5,16 bilhões) em remuneração e benefícios, como folga remunerada, subsídios para trabalho híbrido e atendimento voltado para saúde mental.

Investimentos em transformação digital são prioridade

Investimentos em tecnologia, incluindo ferramentas de RH e medidas de segurança cibernética, podem tornar as empresas mais eficientes, seguras e produtivas. Isso torna-se ainda mais crítico no cenário de hibridização do trabalho em larga escala de 2022.

De acordo com a pesquisa The Digital Workplace Reimagined, realizada pela consultoria Gartner Group, em parceria com a Deloitte, 70% das transações de serviços digitais no local de trabalho serão automatizadas até 2025 (atualmente, a parcela é de 30%). Além disso, um quarto das reuniões de trabalho envolverá assistentes virtuais até 2024, acima dos 5% atuais.

Com uma força de trabalho mais distribuída, aumentam as preocupações sobre segurança cibernética. Hackers tornam-se cada vez mais sofisticados à medida que as tecnologias se desenvolvem, já que fazem uso de sistemas remotos para encontrar novos caminhos nos sistemas de dados empresariais. O crescimento de companhias, hoje, depende do investimento em medidas fortes de segurança cibernética, para evitar potenciais perdas de lucro e de dados.

Veja também: EXCLUSIVO: 76,2% das empresas já implementaram ou estão desenvolvendo planos de transformação digital

O que vem a seguir para o mundo dos negócios é uma das principais perguntas que têm sido feitas nos últimos 18 meses. Empresas terão a oportunidade de retornar às táticas que promovem o crescimento em 2022, com stakeholders e funcionários desempenhando um papel importante nas decisões para o futuro. No entanto, em última instância, cabe às lideranças cumprir as promessas e manter o nível de coesão necessário em todas as funções da empresa para continuar no caminho de crescimento.

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