Motor: Eletrificação e nióbio para quebrar recorde de velocidade

Empresas anunciam parceria para testar e incorporar inovações em diversos componentes de motocicletas.

Letícia Datena
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Lightning Motorcycles e CBMM pretendem desenvolver a primeira moto com nióbio em sua composição do mundo

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Desempenho e velocidade não dependem de combustão. Isso foi o que motivou a aliança entre a Lightning Motorcycles, empresa americana de motos elétricas, e a brasileira CBMM, líder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio. A parceria, firmada em janeiro deste ano, tem como objetivo desenvolver um veículo de duas rodas elétrico capaz de quebrar o atual recorde de velocidade em terra (Land Speed Record, ou LSR) com uma motocicleta comercial.

A estratégia se baseia na incorporação de nióbio, um metal supercondutor e um dos mais resistentes à corrosão, em vários componentes do veículo como estruturas, freios, bateria e componentes eletrônicos. “A ideia é demonstrar, na prática, as vantagens da aplicação do nióbio, uma vez que a adição do material poderá trazer inúmeros benefícios ao projeto visando redução de peso e maior eficiência energética, além de também contribuir diretamente com a segurança”, explica Mariana Perez de Oliveira, gerente de desenvolvimento de mercado da CBMM.

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Dessa maneira, além de produzir uma moto comercial de baixa emissão super-rápida, o projeto também pretende experimentar e testar tecnologias utilizando nióbio em veículos de alto desempenho. “Reduzir o peso é essencial para motocicletas de alto desempenho e, por isso, já estamos utilizando algumas aplicações com nióbio”, afirma o CEO e fundador da Lightning Motorcycles, Richard Hatfield

Contudo, apesar do metal já ter sido utilizado na produção de protótipos anteriormente, este novo modelo, que estará disponível para o mercado americano em 2024, pretende ser a primeira moto com nióbio em sua composição do mundo. Na indústria automotiva, as possibilidades do uso deste metal são diversas.

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“Podem ir desde o melhor desempenho do sistema de freio, propiciando menor desgaste, maior durabilidade e melhor eficiência desse componente, até o uso em materiais para cátodos e ânodos de baterias veiculares para obter características únicas de recarga ultrarrápida e maior densidade energética em comparação às tecnologias empregadas nas baterias de íons de lítio tradicionais. “Atualmente, as tecnologias contendo nióbio estão entre os materiais mais avançados para o desenvolvimento da próxima geração de baterias”, destaca Mariana.

Com tantas possibilidades, diante de um possível cenário no qual o nióbio passa a ser mais explorado no mercado da mobilidade, o Brasil se torna uma peça chave, já que é disparado o maior produtor do metal no mundo. O país é responsável por 90% do mercado mundial de nióbio, e a CBMM lidera a produção e comercialização do metal, com sede no Brasil e presente em 50 países.

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A empresa brasileira investe anualmente cerca de R$ 200 milhões em seu Programa de Tecnologia, que visa expandir e diversificar as aplicações de nióbio. Desse valor, R$ 90 milhões são destinados a projetos de mobilidade e eletrificação, do qual a Lightning faz parte. 

Portanto, os brasileiros amantes das duas rodas e da inovação, podem esperar ansiosos pelo lançamento desse modelo inédito que pode revolucionar o mercado. Com um preço estimado entre US$ 25.000 a US$ 40.000, dependendo da configuração, o modelo estará disponível fora dos Estados Unidos entre 2025 e 2026.

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