A trajetória da ex-diplomata portuguesa que vive de inovação no Brasil

Ex-Cônsul Geral Adjunta em São Paulo, Renata Ramalhosa criou a Beta-i para ajudar empresas como Ambev e Grupo Boticário a acelerar processos de digitalização .

Luiz Gustavo Pacete
Compartilhe esta publicação:
Divulgação

Renata Ramalhosa: “O Brasil, mesmo com os desafios sociais que tem, é um país vibrante com talentos incríveis que se refletem em vários ecossistemas de inovação”

Acessibilidade


Os caminhos trilhados por Renata Ramalhosa são tão dinâmicos quanto seu maior desafio atual: fomentar a inovação aberta no Brasil. Nascida em São Tomé e Príncipe, na África, mas com nacionalidade portuguesa, Renata estudou engenharia ambiental em Londres. De lá, foi selecionada para trabalhar na Embaixada Britânica em Lisboa. Pelos serviços prestados, chegou a ser condecorada pelo Reino Unido por 18 anos de serviços prestados.

Sua história com o Brasil começou em 2015, quando assumiu a cadeira de Cônsul Geral Adjunta em São Paulo, onde ficou por quatro anos até co-fundar a Beta-i Brasil, consultoria de inovação aberta especializada em gestão de projetos com atuação em 25 países. Uma das premissas da startup é conectar o ecossistema brasileiro com o mundo e grandes empresas com startups. Em sua carteira, a Beta-i Brasil já atendeu clientes como Suzano, Ambev, Grupo Boticário, EDP Brasil e Klabin.

“Minha experiência no governo Britânico foi sempre focada na área de comércio e investimento, o que me permitiu estar sempre próxima tanto das grandes empresas e PMEs, como também do ecossistema de empreendedores e startups, o que me levou a entender estratégias de negócios, parcerias, internacionalização e, claro, ambição de crescimento. Este trabalho me permitiu entender muitos setores de atividade, como se faz negócio e, principalmente, a importância da relação entre as pessoas”, diz Renata.

LEIA TAMBÉM: De staff a líder regional: a trajetória de Debora Mattos na Coca-Cola

Ainda de acordo com a CEO, curiosidade, escuta ativa, entendimento do negócio, busca de soluções e relacionamento foram elementos essenciais na diplomacia que também contribuem hoje, no processo de transformação de muitas empresas que ela atende. Atualmente, além dos projetos corporativos, Renata também atua em iniciativas locais na Região Norte. Dentre eles estão consultoria para o estado do Amazonas e de Roraima no Programa do Sebrae Nacional Inova que visa desenvolver empreendimentos inovadores na Amazônia, por meio de um programa de aceleração.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

A Beta-i é responsável pela jornada de ideação e aceleração de 100 startups nos dois estados. “Tenho aprendido muito desde 2015 quando vim morar e trabalhar aqui. O Brasil, mesmo com os desafios sociais que tem, é vibrante e possui talentos incríveis, o que reflete em vários ecossistemas de inovação e empreendedorismo de Norte a Sul do país. Embora não seja para principiantes, é um país onde o empreendedor é resiliente, tem garra e é muito criativo para trazer soluções que resolvem os gargalos do mercado”, afirma Renata.

Quando comparada com a inovação europeia, a brasileira, segundo Renata, tem suas particularidades. “A inovação na Europa vem, muitas vezes (não sempre), de regulamentação que exige às empresas responderem e se adaptarem. No Brasil, vejo que existem muitas soluções para desafios de mercado, de setor e de negócio, o que faz com que sejam criadas respostas a esses desafios. No meu caso, trabalho com startups brasileiras que têm a ambição de serem globais e muitas delas se adaptam muito bem a outros contextos justamente porque no Brasil já estavam acostumadas com um cenário complexo e desafiador.”

Compartilhe esta publicação: