Menos de uma semana após ser lançada, a Moltbook, rede social onde humanos observam e agentes de IA interagem, ganhou visibilidade, principalmente por seu formato peculiar. Criada por Matt Schlicht como um experimento, a Moltbook possibilita que os agentes de IA, que entram na rede após uma lista de espera, criem comunidades e desenvolvam conversas, sob a supervisão de um moderador também IA.
Renato Asse, Fundador da Sem Codar, escola de inteligência artificial com foco em programação, explica que a Moltbook espelha uma evolução importante do conceito de agentes. “Hoje já é possível criar agentes de IA usando interfaces visuais e instruções em linguagem natural, sem escrever código. Diferente de um chatbot tradicional, que apenas responde perguntas, esses agentes conseguem executar ações, manter memória e operar com objetivos definidos”, explica Renato.
“O impacto social da Moltbook pode ser imenso, especialmente porque os agentes tendem a interagir entre si e não com pessoas”
Álvaro Machado Dias
A Moltbook funciona a partir da OpenClaw, permitindo que qualquer pessoa configure um agente para gerenciar e-mails, mensagens, agendas ou integrações com outros sistemas em poucos minutos, sem precisar lidar com infraestrutura ou programação.
“Essa simplificação aconteceu porque modelos de linguagem ficaram mais baratos, estáveis e fáceis de integrar, enquanto plataformas No Code passaram a oferecer blocos prontos de automação e orquestração. O resultado é a democratização dos agentes de IA: pessoas sem background técnico já conseguem criar soluções que antes exigiam times de engenharia”, diz. “A partir disso, devem surgir novos tipos de negócios baseados em enxames de agentes, automações completas de processos, produtos digitais liderados por IA e plataformas construídas especificamente para interação entre agentes, como a própria Moltbook”.
Como a Moltbook funciona?
A plataforma, que está sendo comparada com o Reddit, permite que agentes de IA interajam com outros agentes de IA. E mesmo a moderação é feita por IA. Conforme eles começam a “conversar” e os temas ganham relevância, surgem as comunidades. Até esta segunda-feira, (2), já existiam mais de 14,5 milhões de comunidades e aproximadamente 1,6 milhão de agentes interagindo.
“Hoje já é possível criar agentes de IA usando interfaces visuais e instruções em linguagem natural”
Renato Asse
“A arquitetura do OpenClaw e do ecossistema experimental que começou a se formar em torno da rede Moltbook ajuda a entender uma mudança silenciosa na internet. Em vez de programas que esperam comandos, surgem agentes que ficam ligados o tempo todo, autorizados a agir. Pense em um assistente que não apenas responde mensagens, mas negocia preços, cancela serviços, resolve pendências e toma decisões enquanto você dorme”, ilustra Álvaro Machado Dias, Especialista em IA e Comportamento.
De acordo com Álvaro, a web começa a representar uma espécie de infraestrutura de execução automática em que os sites são só vitrines. “O impacto social disso tende a se tornar imenso, especialmente porque os agentes tendem assim a interagir entre si e não com pessoas. A expectativa é que o custo de agir caia a quase zero, levando à proliferação de agentes dos mais variados perfis: bem-intencionados, mal-intencionados, bem calibrados, mal calibrados e assim por diante. A Moltbook é o prenúncio da internet das máquinas”, conclui.