Modelos de IA de laboratórios líderes, incluindo o Anthropic e o OpenAI, são muito menos propensos a governos críticos conhecidos por restringir a liberdade de expressão, afirmou nesta quinta-feira (16) o Conselho de Supervisão da Meta.
Um estudo — o primeiro sobre grandes modelos de linguagem realizados pelo órgão — mostrou que os serviços de IA estavam refletindo as regras de países que restringem a liberdade de expressão e que esse viés poderia se infiltrar nos serviços utilizados por um número cada vez maior de usuários.
O conselho, que é financiado pela Meta, mas opera de forma independente, realizou consultas sobre conteúdo de crítica política em dez jurisdições, utilizando dez modelos, incluindo os da própria empresa, do Google e da chinesa DeepSeek.
As jurisdições foram divididas nas categorias “permissivas” e “restritivas” com base nas classificações da Freedom House, uma ONG que publica o relatório anual “Freedom in the World”.
Os modelos de IA recusaram 34% das restrições de conteúdo com críticas sobre jurisdições “restritivas” que possuem leis em vigor que penalizam tais críticas, como a China e a Arábia Saudita, em comparação com 14% para regiões que não possuem tais leis ou não as aplicadas, segundo o estudo.
“Também observamos evidências de modelos explicando que estavam seguindo regras explícitas que, pelo que pudemos constatar, não existiam e não eram aplicadas de maneira uniforme”, afirmou o conselho.
O conselho também instruiu as empresas de IA a realizar análises sistemáticas de direitos humanos e solicitou maior transparência em seus processos de treinamento e avaliação.
Na terça-feira (14), o presidente-executivo do Google DeepMind, Demis Hassabis, defendeu a criação de um órgão de fiscalização de IA liderado pelos EUA para avaliar modelos avançados globalmente antes de sua implantação.