1. Início
  2. /
  3. Forbes Tech
  4. /
  5. Detritos do Cometa Halley Vão Passar Pelo Céu Nesta Noite. Saiba Como Observá-los 
Forbes Tech

Detritos do Cometa Halley Vão Passar Pelo Céu Nesta Noite. Saiba Como Observá-los 

Evento anual ocorre durante o pico da chuva de meteoros, podendo chegar a uma velocidade de cerca de 240 mil km/h

5 min

Uma chuva de meteoritos dos detritos do cometa Halley poderão ser vistos passando pelo céu brasileiro na madrugada desta quinta-feira (22). Esse evento ocorre, porque, nesta época do ano a Terra passa próximo da órbita do cometa. 

De acordo com o astrônomo Emerson Roberto Perez, consultor educacional do Urânia Planetário Móvel, o melhor período para observação é depois da meia-noite até antes do amanhecer, embora a visibilidade dependa das condições do céu.

Apesar do pico acontecer na madrugada de quinta-feira (22) as chuvas de meteoros anuais do Halley costumam ficar ativas entre 2 de outubro e 7 de novembro, período em que a Terra atravessa a região da órbita do Halley que contém os detritos responsáveis pelo fenômeno.

Segundo a Organização Internacional de Meteoros (IMO, na sigla em inglês), o pico da chuva de meteoros do Halley pode produzir 20 ou mais meteoros por hora em condições ideais de observação.

A entrada na atmosfera ocorre em uma velocidade de cerca de 66 quilômetros por segundo (240 mil quilômetros por hora). Pela alta velocidade das partículas, o atrito com a atmosfera resulta em pequenas explosões de luz, gerando a luminescência rápida.

Entretanto, os detritos não atingem o solo terrestre, apenas entram rapidamente na alta atmosfera. “Os pedaços de cometa passam direto do estado em que estão para gás na atmosfera, sem perigo algum de um pedaço do Halley, por exemplo, cair aqui.”

Como observar

Para acompanhar a chuva de meteoros, Perez recomenda que o ideal é estar em um local com pouca poluição luminosa, horizonte amplo e céu limpo. Se possível, o observador deve escolher um ponto mais elevado e com pouca iluminação artificial ao redor.

Além da iluminação artificial e das condições meteorológicas, a luminosidade da Lua também pode intervir na observação. “Para esta chuva, a Lua estará no céu durante boa parte da noite, dificultando a observação dos meteoros mais sutis. Mas mesmo com a Lua, dá para ver alguns deles, porque os mais brilhantes sempre podem ser observados”, diz o astrônomo.

Perez afirma que não é preciso equipamento para a observação: “O ideal é ficar deitado, numa posição em que você tenha a maior visão possível do céu a olho nu, para perceber todos os meteoros possíveis na noite”.

Informações divulgadas pelo Observatório Nacional orientam que, no Hemisfério Sul, o ideal é se posicionar na direção voltada para o nordeste ou norte, mas manter o olhar deslocado para acompanhar os rastros mais longos.

Chuva de Meteoros

Uma chuva de meteoros é um fenômeno astronômico que ocorre quando a Terra atravessa uma região do espaço que contém partículas de poeira e fragmentos deixados, principalmente, por cometas ou, em alguns casos, asteroides.

Ao entrarem na atmosfera terrestre em alta velocidade, essas partículas aquecem e produzem rastros luminosos conhecidos popularmente como “estrelas cadentes”.

Detritos Halley

Localizado na órbita elíptica, registros da Nasa indicam que a última passagem do cometa Halley pelas proximidades da Terra ocorreu entre 1985 e 1986, e seu próximo retorno está previsto para 2061.

Cometa Halley sobre Uluru, interior da Austrália, 1986
Getty ImagesCometa Halley sobre Uluru, interior da Austrália, 1986

Ao longo de sua trajetória, o cometa Halley libera fragmentos e partículas de poeira que permanecem distribuídos em sua órbita, formando uma faixa de detritos pela qual a Terra passa periodicamente.

Os detritos do Halley são compostos por uma mistura de gelos voláteis, poeira rica em carbono e fragmentos rochosos, que podem variar do tamanho de grãos de poeira até pequenas rochas.

Estudos possíveis

A partir da observação de cometas, Perez afirma que é possível observar várias questões, como a origem dos corpos celestes.

“Ao acompanhar as características das órbitas, também é possível medir a influência gravitacional de cada planeta em cada passagem: se a órbita foi alterada, se o cometa mantém a velocidade prevista ou se segue o trajeto esperado”, explica.

Na passagem do Halley em 1985 e 1986, a sonda Giotto se aproximou do cometa e analisou a composição química de sua poeira. Isso é possível porque todos os cometas, inclusive o Halley, se formaram na época em que o Sistema Solar estava nascendo e guardam desde então materiais de cerca de 4,6 bilhões de anos.

Próximas chuvas de meteoros

Além dos detritos do Halley, em novembro acontecerão as Táuridas e as Leônidas, uma das maiores chuvas de meteoros, com pico máximo no na terça-feira 17. Ainda neste ano, em dezembro, ocorrem as Geminídeas, com pico entre os dias 13 e 14.

O astrônomo destaca que os horários para observar essas chuvas geralmente são depois da meia-noite, na madrugada, porém podem sofrer variações de acordo com a latitude e a localização de cada país.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.