A inteligência artificial (IA) já entrou nas empresas brasileiras, mas, na maior parte delas, ainda não passou da porta. Segundo levantamento da MIT Sloan Management Review (SMR) Brasil, encomendado pela TOTVS, 80% das organizações testam ou usam IA de alguma forma, mas só 7% levam essa tecnologia ao centro do negócio, ou seja, 93% não a incorporaram à estratégia do negócio.
O estudo “Da adoção à escala: a maturidade da inteligência artificial nas empresas brasileiras” ouviu 583 profissionais de empresas de diversos portes, setores e regiões do país. Na prática, a IA aparece em testes, projetos-piloto ou implementações parciais espalhadas por diferentes áreas, sem ligação com os principais processos. Em 40% das companhias, as iniciativas andam sem nenhuma coordenação entre os departamentos.
“O impacto do uso da IA pelas empresas só acontece quando essaa tecnologia faz parte da estratégia e é aplicada aos processos críticos”, afirma Dennis Herszkowicz, CEO da TOTVS, em coletiva de imprensa.
A falta de controle também chega ao caixa das companhias. O estudo aponta que 86% das empresas não medem quanto gastam com IA, e 88% não sabem qual o retorno financeiro obtêm com a adoção dessa tecnologia.
“A adoção da IA já não diferencia mais ninguém; o que separa empresas de alta performance daquelas que ainda patinam hoje é a capacidade de incorporá-la à operação real”, afirma Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS.
O gargalo dos dados
A pesquisa, conduzida no país pela CNEX, que representa a MIT SMR no Brasil, avaliou as empresas em sete dimensões e chegou a um índice médio de maturidade de 6,69, numa escala de 0 a 10. O ponto mais frágil é a integração tecnológica. Embora 68% das companhias já tratem a migração para a nuvem como realidade, só 46% dizem que suas ferramentas de IA acessam os dados da empresa de forma automática. E apenas 8% integram a IA de forma ampla aos sistemas de gestão (ERP), fator que o estudo aponta como o mais decisivo para o sucesso e que corresponde ao principal mercado da TOTVS.
Parcerias também fazem diferença: empresas que inovam com parceiros externos têm índice de maturidade 41% superior ao das que tentam avançar sozinhas.
Pessoas e regras
O lado humano pesa tanto quanto o tecnológico. Entre os profissionais, 43% têm medo de errar por confiar demais na IA e 37% dizem não saber usar as ferramentas corretamente. Mesmo assim, só 7% das empresas oferecem treinamento estruturado sobre o tema para todos os funcionários.
“Oferecer programas de capacitação estruturados e, com isso, provocar as lideranças para redesenhar seus processos são duas premissas que destacamos deste estudo para evoluir nos níveis de maturidade de IA e capturar resultados relevantes”, diz Douglas Souza, CEO da CNEX.
As regras também estão atrasadas. As decisões sobre IA já chegam ao alto escalão, passando pela diretoria em 43% dos casos, mas apenas 14% das empresas têm uma política formal de governança da tecnologia aplicada a toda a organização. Para 46% delas, o vazamento ou o uso indevido de dados é hoje o principal risco ligado à IA.