A maioria das pessoas pensaria duas vezes antes de fornecer os dados da sua conta bancária a um agente de IA. Para empresas com milhões de clientes, não há a menor chance de entregarem senhas confidenciais.
“Os agentes estão correndo de um lado para o outro como baratas tontas dentro das empresas”, diz Vlad Matsiiako, CEO da Infisical. “Isso tem inúmeras implicações em relação a violações de segurança.”
A empresa de Matsiiako visa resolver esse problema, permitindo que as empresas utilizem agentes sem precisar fornecer credenciais privadas, como senhas de banco de dados e chaves de acesso à nuvem.
O sistema fornece a um agente de IA uma chave de API falsa, uma senha que permite que os aplicativos interajam entre si e, posteriormente, substitui as credenciais falsas pelas reais por meio de um proxy. “O agente pensa que tem uma chave de API verdadeira, mas nunca saberá que não é real”, explica Matsiiako.
Fundada em 2023, a startup sediada em São Francisco ajuda mais de 1.300 empresas, como Airbus, Volkswagen e OpenRouter, a gerenciar informações confidenciais.

Além de armazenar credenciais, a plataforma também pode atualizar ou renovar senhas, habilitar o acesso ao sistema para engenheiros e gerar senhas instantaneamente quando um agente de IA solicita acesso a uma ferramenta ou banco de dados.
Ao fornecer aos agentes uma senha de uso único que expira em poucos minutos, a empresa pode proteger melhor suas informações confidenciais caso o sistema se comporte de forma inadequada ou seja alvo de um ataque cibernético.
“Isso cria um alvo muito mais móvel para um atacante”, diz Matsiiako. “Chamamos isso de segredos dinâmicos.”
A Infisical anunciou na terça-feira (27) que levantou US$ 40 milhões em uma rodada de financiamento Série B, atingindo uma avaliação de US$ 600 milhões. A rodada foi liderada pelo proeminente investidor em IA, Elad Gil, com participação da Gradient e da Y Combinator.
“À medida que você tem agentes realizando cada vez mais trabalho em seu nome, precisa de uma plataforma que permita que eles tenham o conjunto certo de permissões, mas não acesso em excesso”, diz Gil.
A segurança cibernética continua sendo uma das principais preocupações após uma série de incidentes nos últimos meses. Em julho, os agentes da OpenAI se tornaram descontrolados, escapando de seu ambiente de treinamento, coordenando secretamente um ataque a um fórum de mensagens e invadindo o sistema da Hugging Face.
A Anthropic informou que suspendeu o treinamento de um modelo por um mês após descobrir que quatro agentes haviam escapado de seus sistemas de teste e acessado softwares externos sem autorização, de acordo com seu formulário S-1, apresentado antes de seu IPO.
A IA também ajudou a identificar bugs críticos em softwares que alimentam 70% da internet, o que fez com que empresas e agências governamentais se mobilizassem para corrigir seus sistemas na semana passada.
“A segurança muitas vezes tem sido mais um complemento”, diz Gil. “São 30 anos construindo sites e outras coisas na internet. Há muita dívida de segurança acumulada ao longo do tempo.”
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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