A norte-americana Karen Eland sempre teve muitos interesses. “Nunca fui uma daquelas crianças que sempre souberam o que queriam fazer”, disse Eland em entrevista à Forbes. “Eu estava envolvida em cerca de 14 atividades diferentes. Era muito ligada à patinação no gelo, mas quando tinha 15 anos percebi que precisava fazer algo que eventualmente me sustentasse.”
“Gostava de pintar e era razoavelmente boa nisso, então fiz uma aula de arte”, disse ela. “A aula era em uma loja de arte de uma cidade pequena, mas me ensinou técnicas de desenho e como trabalhar com aquarela.” Mesmo aos 15 anos e com apenas uma aula de arte em sua trajetória, Eland começou a ganhar dinheiro pintando retratos e, ao longo dos anos, a pintura tornou-se sua vocação em tempo integral.
O início no café
Eland costumava pintar em uma cafeteria em Tulsa, Oklahoma, onde morava na época. “Estava trabalhando em uma aquarela na cafeteria de um amigo. Estava entediada”, disse Eland. “Estava apenas olhando para o nada quando vi o espresso saindo da máquina. E me perguntei se conseguiria pintar com aquilo. O café é à base de água, então pensei que poderia ser como pintar com aquarela.”

O experimento com café funcionou e logo Eland se viu pintando todo tipo de imagem usando a bedida, desde reproduções de obras de arte famosas com toques de humor envolvendo café até pinturas que retratavam arte de latte, construindo assim uma reputação com esse meio único.
Uma nova cidade, um novo meio
Em 2008, Eland mudou-se para Bend, Oregon. “Eu gosto de tentar coisas novas”, disse, ao ser questionada se gosta de cerveja. “Então alguns amigos e eu criamos um grupo chamado ‘Tradition’, no qual experimentávamos uma nova cervejaria toda quinta-feira.”
“Em Bend há cervejarias por toda parte, então eventualmente pensei em tentar pintar com cerveja. Foi simples. Peguei uma cerveja escura e mergulhei o pincel nela”, contou Eland, de forma casual. Qualquer pessoa que já tenha tentado acompanhar um episódio de The Joy of Painting, de Bob Ross, sabe que pintar é muito mais difícil do que parece, então há muito mais do que apenas mergulhar um pincel na cerveja.
Mas Eland insiste que pintar com cerveja é como pintar com aquarela. “É muito trabalho em camadas. E se usa papel de aquarela, que é absorvente.”
Ela pinta em estilo realista e a cerveja no papel dá às suas obras um tom semelhante ao sépia. Ela diz que experimentou usar cervejas com frutas, esperando que a cor fosse transferida para o papel, mas esses testes não deram resultado.
Pinta temas ligados à cerveja, como copos, logotipos de cervejarias, cervejeiros e fundadores de cervejarias, mas também faz paisagens e reproduções de outras obras famosas. Frequentemente, cervejarias encomendam suas pinturas e suas obras podem ser encontradas em muitas paredes desses locais. No entanto, encomendas representam apenas entre 30% e 40% de seu trabalho. O restante são imagens que Eland se sente inspirada a pintar por conta própria.

“As pessoas gostam de pinturas cênicas”, disse. “Mas gosto de fazer pinturas sobre a ciência da cerveja. Já pintei ingredientes da cerveja, ilustrações de processos químicos e desenhos de patentes do desenvolvimento inicial da bebida.”
Uma das maiores pinturas de cerveja que Eland foi contratada para produzir foi um díptico para a Brewers Association, associação que representa as pequenas e independentes cervejarias americanas. Cada metade do díptico mede cerca de 1,20 metro por 1,50 metro. A primeira retrata uma cena histórica de uma cervejaria, em contraposição à segunda, que mostra uma cena moderna.
No balcão ou no site
Para pinturas encomendadas, às vezes Eland recebe a solicitação de usar uma cerveja específica. Desde que seja escura, ela atende com prazer, sempre dando antes um gole de inspiração. Fora isso, como gosta de experimentar novas cervejas, Eland busca inspiração em qualquer uma das muitas opções disponíveis em Bend. Mas ela tem alguns favoritos locais.
Um dos pioneiros da cena cervejeira artesanal de Bend foi a Deschutes Brewery, que cresceu até se tornar uma das maiores cervejarias artesanais dos Estados Unidos. Como parte essencial da cena local, a Black Butte Porter, de cor negra intensa, foi usada para criar muitas das obras de Eland. Da mesma forma, a Worthy Brewing, também de Bend, produz a Lights Out Stout, com sabor de baunilha, que é tão boa de beber quanto de usar na pintura.
Após concluir a obra, Eland aplica um verniz em spray. Com a montagem e moldura protegida por vidro, não há aroma e a imagem fica resistente ao desbotamento. Eland ainda possui pinturas feitas quando começou a pintar com cerveja em 2008 e elas continuam intactas.