1. Início
  2. /
  3. Forbes Agro
  4. /
  5. O Agro de US$ 1,8 Trilhão Que Alimenta a Copa em 2026
Forbes Agro

O Agro de US$ 1,8 Trilhão Que Alimenta a Copa em 2026

Carne, milho, leite, frutas e cerveja estarão nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá. Por trás do maior Mundial da história existe uma cadeia agroindustrial que bate um bolão fora dos estádios

8 min

Os sistemas agroalimentares dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026 movimentaram, em 2025, cerca de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,9 trilhões na cotação atual). Esse é o lastro agrícola por trás das 104 partidas, dos 16 estádios e do público estimado em 7 milhões de pessoas que desde o dia 11 de junho circulam pelos Estados Unidos, México e Canadá na primeira edição do torneio disputada simultaneamente por três nações.

Carne bovina, milho, laticínios, frutas e bebidas são alguns dos elos visíveis dessa estrutura. Quando um torcedor comprar um hambúrguer em Dallas, um taco na Cidade do México ou uma porção de poutine em Toronto, prato feito de batatas fritas crocantes, queijo coalho em cubos e molho encorpado à base de carne, o que estará no prato é o resultado de agricultores, pecuaristas, cooperativas, transportadoras, frigoríficos, laticínios, processadoras de alimentos e centros de distribuição espalhados por milhões de hectares nos três países-sede.


A história da alimentação da Copa começa longe dos gramados. Disputada em regiões agrícolas importantes, a Copa de 2026 expõe em campo aberto a agricultura que sustenta o consumo urbano em larga escala nos três maiores complexos agroalimentares das Américas.

Fato é que a Copa de 2026 é uma vitrine da agricultura que sustenta o consumo urbano em larga escala. Segundo análises de relatórios econômicos, a arrecadação total da FIFA para 2026 deve ser recorde com US$ 8,9 bilhões (R$ 48 bilhões) exclusivamente com o mundial. Esse valor representa um aumento de quase 20% em relação aos lucros do mundial anterior no Qatar, impulsionado pelo formato expandido com 48 seleções e maior volume de jogos.

O peso econômico do agro nos países da Copa

InspirationGP/Getty ImagesAlimentação entra em campo nos estádios com opções das cozinhas americana, mexicana e canadense

A força dessas cadeias ajuda a explicar por que a Copa do Mundo de 2026 será abastecida majoritariamente por produção local e regional. Nos Estados Unidos, o sistema agroalimentar gerou US$ 1,54 trilhão (R$ 8,62 trilhões) em valor adicionado à economia, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O montante representa 5,5% do Produto Interno Bruto americano. Apenas a produção agropecuária dentro das fazendas respondeu por US$ 222,3 bilhões (R$ 1,2 trilhão).

No Canadá, o sistema agroalimentar movimentou US$ 107,4 bilhões (R$ 601,4 bilhões), segundo o Agriculture and Agri-Food Canada, o equivalente canadense ao Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA). Segundo ele, o setor responde por cerca de 7% da economia canadense.

Já no México, a agropecuária representa aproximadamente 3,8% do Produto Interno Bruto nacional, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dados oficiais do Data México mostram que as atividades de agricultura, pecuária, silvicultura e pesca movimentaram cerca de US$ 119,1 bilhões (R$ 666,9 bilhões).

Mais do que sediar partidas, os três países reúnem cadeias produtivas que abastecem parte relevante do mercado global de alimentos, proteínas animais, grãos, frutas, bebidas e produtos processados.

A proteína que sai dos confinamentos

Gado reunido em um confinamento na Callicrate Beef, uma fazenda verticalmente integrada para a produção de carne no mercado em Saint Francis, Kansas, EUA
REUTERS/Cheney OrrGado reunido em um confinamento na Callicrate Beef, uma fazenda verticalmente integrada para a produção de carne no mercado em Saint Francis, Kansas, EUA

Entre os alimentos mais consumidos em arenas esportivas da América do Norte estão hambúrgueres, sanduíches de carne bovina, hot dogs e produtos derivados de proteína animal.

Nos Estados Unidos, a cadeia bovina ocupa posição central nesse abastecimento. Segundo o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do USDA, o país iniciou 2026 com um rebanho de 86,2 milhões de bovinos. Apesar da redução observada nos últimos anos, os Estados Unidos permanecem entre os maiores produtores de carne bovina do mundo. O USDA projeta produção próxima de 11,7 milhões de toneladas em 2026.

Grande parte dessa produção está concentrada em estados como Texas, Nebraska e Kansas, que formam o núcleo da pecuária de corte americana.

A carne suína também ocupa espaço relevante. Os Estados Unidos mantêm um rebanho próximo de 75 milhões de animais, concentrado principalmente em Iowa, Minnesota e Carolina do Norte. É dessa estrutura produtiva que saem as salsichas utilizadas nos tradicionais hot dogs vendidos em eventos esportivos por todo o país.

O grão que conecta três países

Narvikk/Getty ImagesTrator agrícola em operação em lavoura de milho

Se existe uma commodity presente em praticamente toda a alimentação da Copa, ela é o milho.

O cereal aparece diretamente em produtos consumidos pelos torcedores, como nachos, tortillas e tacos. Também participa de forma indireta da cadeia de proteínas, compondo a alimentação de bovinos, suínos e aves.

Os Estados Unidos permanecem como o maior produtor mundial do grão. Segundo o USDA, a safra americana superou 380 milhões de toneladas nas últimas temporadas.

O volume ajuda a explicar por que o milho está presente em praticamente toda a cadeia alimentar da Copa. Além dos alimentos consumidos diretamente pelos torcedores, o cereal é a principal fonte energética utilizada na alimentação animal de boa parte das proteínas produzidas na América do Norte.

O milho que une Estados Unidos e México

No México, o milho possui peso econômico e cultural próprio. Dados da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader), ligado ao governo mexicano, e do USDA indicam produção de até 23 milhões de toneladas por safra.

Ao mesmo tempo, o país figura entre os maiores importadores mundiais de milho seco destinado à alimentação animal. Essa combinação faz do cereal uma das bases da segurança alimentar mexicana e um elo direto entre as cadeias agropecuárias dos três países-sede da Copa.

Ao longo do torneio, o milho estará presente em diferentes formatos. Das tortillas servidas nos estádios mexicanos aos nachos vendidos nas arenas americanas, passando pela alimentação dos animais que abastecem a cadeia de proteínas, o grão conecta praticamente toda a operação alimentar da competição.

O leite que abastece o Canadá

O Canadá adiciona outra dimensão ao abastecimento do torneio. Segundo dados do governo canadense e da organização Dairy Farmers of Canada, o setor reúne mais de 9 mil fazendas leiteiras e movimenta uma das cadeias agroindustriais mais relevantes do país. Ontário e Quebec concentram a maior parte da produção nacional.

A presença dos laticínios aparece em alimentos tradicionais consumidos nas cidades-sede, além de abastecer restaurantes, hotéis, camarotes e operações de hospitalidade ligadas ao evento.

Frutas entram em campo

A cadeia das frutas também terá papel relevante. O México lidera a produção mundial de abacate. Segundo projeções do USDA, o país deverá produzir aproximadamente 2,8 milhões de toneladas da fruta em 2026.

No lado canadense, regiões agrícolas de Quebec e da Colúmbia Britânica concentram boa parte da produção de frutas. Dados do Statistics Canada apontam que Quebec responde por cerca de 36,5% da produção nacional, com destaque para maçãs e frutas vermelhas.

Essas cadeias ajudam a abastecer restaurantes, hotéis, áreas de hospitalidade e espaços destinados aos torcedores durante a competição.

A agricultura que chega ao copo

As bebidas também começam no campo. A cerveja depende da produção de cevada, milho e lúpulo, mas os países sede, no ranking do consumo per capita, estão bem longe do topo.

Segundo o mais recente relatório global de 2024 da Kirin Holdings, o México vem em primeiro dos três com um consumo de 83,4 litros por pessoa no ano (resultado que desbanca o próprio Brasil, que está na 21º posição, com 70,3 litros por pessoa).

Os Estados Unidos estão na 29ª posição deste ranking, com um consumo de 65,4 litros por pessoa, e o Canadá (apesar de não mostrar sua posição na lista) possui um consumo em torno de 50 a 54 litros por pessoa ao ano.

Seguindo o mercado de bebidas, também estão os refrigerantes que utilizam açúcar ou derivados do milho. Sucos dependem da produção de frutas. Cafés e chás consumidos em áreas de hospitalidade seguem cadeias globais de abastecimento agrícola.

Nas diretrizes de compras sustentáveis da FIFA, a entidade estabelece critérios relacionados à rastreabilidade e à origem dos produtos adquiridos para os eventos oficiais.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.