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Como a Americana Oskar Blues Liderou o Movimento da Cerveja Artesanal em Lata

Ao desafiar o preconceito no início dos anos 2000, o criador da marca, Dale Katechis, mudou padrões de qualidade, consumo e identidade

5 min

Hoje, é perfeitamente normal encontrar algumas das melhores cervejas artesanais dos Estados Unidos embaladas em latas de alumínio. Para muitos consumidores, a lata passou a ser sinônimo de frescor, praticidade e qualidade. Mas essa aceitação é relativamente recente. Até não muito tempo atrás, latas eram amplamente associadas a cervejas baratas, descartáveis e sem identidade.

Uma das cervejarias mais responsáveis por mudar essa percepção foi a Oskar Blues Brewery, produtora do Colorado que ajudou a redefinir como a cerveja artesanal poderia ser apresentada — e onde poderia ser consumida — ao apostar cedo e de forma pública nas latas. A influência dessa decisão ainda é visível hoje, tanto nas escolhas de embalagem da indústria quanto na forma como os produtores pensam qualidade, estilo de vida e acessibilidade.

Hoje, a cerveja mais popular da Oskar Blues é a Dale’s Pale Ale, mas o restaurante Oskar Blues oferece outras 13 cervejas na torneira, produzidas em seu pub em Lyons. A cervejaria Oskar Blues, localizada na 1800 Pike Road em Longmont, tornou-se cada vez mais popular, vendendo seis cervejas exclusivas em lojas e 14 na torneira. A cervejaria produz cerca de 200 barris de cerveja por dia e possui 27 tanques de fermentação, com dois novos recém comprados. Além da cervejaria, a Oskar Blues possui um restaurante em Longmont e um pub em Lyons

Quebrando o preconceito da garrafa

Mas, no início dos anos 2000, a cerveja artesanal ainda buscava credibilidade. As garrafas cumpriam papel central nesse processo, usando códigos visuais emprestados do vinho e das tradições cervejeiras europeias para comunicar seriedade e artesanato. As latas, por outro lado, estavam fortemente associadas às lagers de grande escala e ao consumo de massa.

Foi isso que tornou a decisão de Dale Katechis, em novembro de 2002, tão disruptiva. Quando a Oskar Blues passou a envasar sua cerveja exclusivamente em latas, tornou-se a primeira cervejaria artesanal dos Estados Unidos a fazer isso em escala. A reação inicial foi, em grande parte, de ceticismo.

“Todos os envolvidos — varejistas, consumidores, distribuidores — simplesmente não conseguiam conceber uma cerveja de qualidade em lata”, contou Katechis à CNBC em 2012. “Nosso medo inicial era que as pessoas achassem que era só um truque. A gente sabia que não era, mas como convencer o mercado?”

A resposta foi simples, embora trabalhosa: colocar a cerveja diretamente nas mãos das pessoas. Katechis e sua equipe entregavam pessoalmente as latas aos varejistas, serviam degustações e pediam que os compradores provassem antes de julgar a embalagem. Ao perceberem que a cerveja era boa, ficavam mais abertos a ouvir sobre as vantagens da lata.

Por que a lata faz sentido para a cerveja — e para o consumidor

O argumento a favor da lata não era apenas conceitual. Tecnicamente, o alumínio oferece vantagens claras. As latas bloqueiam 100% da luz, evitando reações fotoquímicas que degradam a cerveja. Também criam uma barreira mais eficiente contra o oxigênio, um dos principais inimigos do frescor, especialmente em estilos lupulados.

Eddie Clark Media/Oskar Blues FooderiesDale Katechis decidiu pela lata em novembro de 2002

Há ainda os benefícios práticos. As latas são mais leves, fáceis de armazenar e muito mais resistentes do que o vidro. Essas características dialogavam diretamente com a cultura outdoor que sempre cercou a Oskar Blues. Segundo o Beer Institute, cerca de 74% da cerveja consumida hoje nos Estados Unidos já é embalada em alumínio — uma mudança radical em relação a duas décadas atrás.

A lata como parte da identidade da marca

A Oskar Blues não tratou a lata como uma decisão silenciosa de produção. Ela fez da embalagem parte central de sua identidade. Do design gráfico marcante da Dale’s Pale Ale ao marketing associado à música, às bicicletas e ao ar livre, a lata virou um símbolo de uma cerveja levada a sério no sabor, mas descomplicada na forma de consumo.

Nada disso foi por acaso. Katechis, entusiasta do mountain bike, enxergava uma conexão natural entre suas paixões pessoais e as vantagens da lata. A portabilidade fazia diferença. Esse raciocínio também orientou decisões de expansão da empresa. A escolha de Brevard, na Carolina do Norte, como nova base não se deu apenas por logística, mas pelo estilo de vida: um polo de atividades ao ar livre, onde uma lata de cerveja faz todo sentido.

O crescimento que veio com o risco

De um sistema manual que selava uma lata por vez sobre uma mesa, a Oskar Blues cresceu rapidamente. Hoje, ela já não está sozinha. Mais de 200 cervejarias artesanais envasam centenas de rótulos diferentes em latas, que dominam as prateleiras de lojas especializadas e grandes redes. Estilos antes considerados delicados ou “premium demais” para o alumínio — como IPAs turvas, saisons e até cervejas de fermentação mista — são hoje vendidos em lata sem qualquer questionamento.

Duas décadas depois, a lata deixou de ser curiosidade. Virou padrão. E embora a Oskar Blues não tenha inventado a cerveja em lata, foi uma das primeiras a provar que o alumínio podia carregar o mesmo cuidado, qualidade e credibilidade do vidro. Ao fazer isso, ajudou a mudar não apenas a forma como a cerveja é embalada, mas como — e onde — os americanos a consomem.

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