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Janeiro Seco em São Paulo: Onde Beber Mocktails Que Não Devem Nada Aos Alcoólicos

Na onda do consumo consciente, montamos um roteiro de 18 endereços para brindar com complexidade e zero ressaca

9 min

Há pelo menos uma década, um novo ano começa e traz com ele um desafio global: o Dry January, ou Janeiro Seco. O movimento, que nasceu no Reino Unido sugerindo um mês de detox etílico, hoje deixou de ser apenas uma resolução de Ano Novo para se tornar um reflexo de uma mudança cultural profunda: a busca por autocontrole e hábitos mais equilibrados.

No Brasil, dados da pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), revelam que o percentual de pessoas que declararam não consumir álcool saltou de 55% em 2023 para 64% em 2025. O avanço é expressivo especialmente entre jovens de 18 a 24 anos, pessoas com maior escolaridade e consumidores das classes A e B. Globalmente, a adesão é puxada pelos Millennials (29 a 44 anos), dos quais 51% já tentaram o desafio, contra apenas 30% dos Boomers.

Após o boom etílico durante a pandemia, o mercado de bebidas já entendeu o recado. Relatórios de consultorias globais apontam os mocktails como a tendência da vez. “Bebidas sem álcool deixaram de ser um nicho e se tornaram um movimento bilionário”, cravou a empresa de dados de consumo Nielsen. Não à toa, gigantes do setor – como Pernod Ricard, Diageo, Ambev e Heineken – entraram no jogo, e marcas inovadoras, como a Lucia (um aperitivo brasileiro de plantas adaptógenas zero álcool), chegam ao mercado já com sucesso.

O desafio do desejo (e a solução no balcão do bar)

Apesar da intenção saudável, cumprir os 30 dias não é tarefa fácil. Segundo uma pesquisa da Oar Health, empresa de tratamento para dependência de álcool, 60% dos participantes do Janeiro Seco enfrentam “cravings” (o desejo intenso de beber). E esse é o fator decisivo: quem sente vontade tem quatro vezes mais chance de desistir do desafio (39% de taxa de falha).

É aqui que entra a alta coquetelaria sem álcool. Para driblar a vontade social de beber, a solução não é mais um suco ou refrigerante, mas uma bebida que entregue a mesma complexidade e ritual de um coquetel clássico. “Engana-se quem imagina que um drink sem álcool é mais simples. Ele precisa ser complexo, trazer nuances e, claro, parecer um drink”, explica o bartender Alê D’Agostino.

Para ajudar você a manter o foco sem perder a vida social, selecionamos 18 bares e restaurantes em São Paulo que servem mocktails sofisticados o suficiente para enganar o cérebro e agradar o paladar.

Confira a seguir um roteiro de mocktails em São Paulo:

Tan Tan

Tati FrisonSinner, do Tan Tan

Único bar brasileiro no ranking World’s 50 Best Bars 2025 (24º lugar), a premiada casa comandada por Thiago Bañares leva o mocktail muito a sério. Na carta vigente “Pour-Hibition”, que discorre sobre a relação da sociedade com o álcool e a era da proibição nos EUA, os coquetéis sem álcool são incorporados com o mesmo peso que os alcoólicos – não há distinção de complexidade ou importância. Entre os mocktails, o Excess combina carqueja, mate, suco de uva branco, vinagre de arroz e um rum zero feito na casa. O Hypocrisy aposta no cupuaçu com especiarias, enquanto o Sinner é uma elegante união de milho com o rum zero autoral.

Coda

DivulgaçãoDrinks do Coda Bar

O bar na Vila Buarque marca o retorno de Alê D’Agostino à cena, unindo sofisticação e acolhimento. A carta de não alcoólicos apresenta releituras clássicas e autorais como o Apple Martini, o Nero, a Piña e a Mimosa de Café.

Rabo di Galo

DivulgaçãoAloá, do Rabo di Galo

Dentro do luxuoso Rosewood São Paulo, este bar inspirado em clubes de jazz oferece alta coquetelaria em um ambiente sensual. As criações sem álcool são elegantes: o Aloá é uma soda de abacaxi com especiarias, enquanto o Coral aposta em notas mais secas com chá Earl Grey, tônica e jabuticaba.

Aiô

Na casa de cozinha autoral com inspirações taiwanesas, a coquetelaria segue o rigor da pesquisa gastronômica. O bartender Maurício Barbosa explora tendências como carbonatação e uso de chás para criar bebidas leves. Três opções brilham: o Lizi Oolong, carbonatado com chá oolong extraído a frio e pera clarificada; o Motin, mistura de pepino, maçãs (verde e fuji), vinagre de arroz e sal; e o complexo Abelha Sedenta, que leva gin sem álcool, cajuína, nibs de cacau, mel e um toque inusitado de shoyu claro.

Bar dos Arcos

DivulgaçãoCaci, do Bar dos Arcos

No subsolo do Theatro Municipal, o bar tem carta assinada por Michelly Rossi e não faltam opções de mocktails. O Nobre traz chá de casca de abacaxi e cordial de basílico, enquanto o Ceci mistura o terroso do chá mate com o toque cítrico do cordial de cajá. Outro destaque é o Desvairada, intrigante combinação de xarope de azeitona preta, cítricos e CO2.

Caco

Dani NevesSem Confusão, do Caco

Apesar da trattoria moderna do chef Victor Senna seja conhecida pela seleção de vinhos naturais, a carta de coquetéis assinada por Thatta Kimura merece atenção. Entre os mocktails, destaque para o Sem Confusão, uma mistura doce e frutada de caju, vinagre, água de coco e gengibre, com um toque na medida de acidez. Para quem prefere notas herbais, o Basili combina xarope de manjericão, tangerina, limão e água com gás.

SubAstor

DivulgaçãoCheck-in Mate, do SubAstor

Entre os mocktails autorais do SubAstor, o Colada mistura cupuaçu, mel de cacau e água de coco. Para um perfil mais herbal, o Check-in Mate combina mate, capim-limão e tangerina. Há ainda o Mango Shirley Temple com ginger beer artesanal.

Bráz Elettrica

DivulgaçãoBráz Fizz

A rede de pizzarias aposta na mixologia criativa para acompanhar o ambiente descontraído. O cardápio inclui o Bráz Fizz, com purê de morango, abacaxi e limão siciliano, e o Mandarino Highball, com xarope de tangerina e laranja bahia. Além disso, a casa serve o aperitivo Lucia e o Aurora Spritz, com bitter, laranja e espumante zero.

Ping Yang

No restaurante assinado por Maurício Santi, as bebidas não alcoólicas desempenham um papel fundamental: aplacar a intensidade e a picância da autêntica cozinha tailandesa. As sodas artesanais são as estrelas, como a Soda de Cupuaçu, feita com concentrado da fruta, e a Rao Ram. Esta última leva a folha tradicional tailandesa (semelhante ao coentro), entregando um perfil herbal e floral no nariz, mas levemente picante na boca.

Vena Cosmopolitan Bar

DivulgaçãoDrink Terra, do Vena

Localizado no Grand Hyatt São Paulo, o bar tem carta assinada por Jean Ponce. As criações zero álcool incluem o Terra, com açafrão, gengibre e limão, e o Dall’Orto, uma combinação delicada de chá de camomila, mel de capim santo e club soda.

Leila

Divulgação Tropical, do Leila

Em um casarão nos Jardins, a mixologista Chula Barmaid assina uma carta que harmoniza com a decoração sofisticada. Para dias quentes, o Tropical une pêssego, abacaxi, maracujá e aquafaba. Já o Fênix é uma infusão de hibisco com frutas vermelhas e capim-santo.

A Pizza da Mooca

Sob o comando do chef Fellipe Zanuto e eleita a pizzaria brasileira mais bem posicionada no ranking internacional 50 Top Pizza, a casa estende o capricho das redondas aos copos. As opções sem álcool vão do Americano, feito com xarope de bitter, suco de uva branco e água com gás, até o Noce di Cocco, uma combinação de xarope de coco, suco de uva branco e água com gás.

Astor

DivulgaçãoMocktails do Astor

Na Vila Madalena, o Astor mantém a autenticidade também nos drinks sem álcool. Para quem busca frescor, o Virgin Mojito leva limão, hortelã, xarope simples e água com gás. Já o Sicilia Tropicale aposta no equilíbrio entre uva verde, maracujá, xarope de elderflower e Perrier.

Veridiana

Celebrando 25 anos, a pizzaria renovou sua carta com assinatura de Fabio La Pietra. As novidades sem álcool incluem o Iced Tea Mediterrâneo, gaseificado à base de Earl Grey e cascas cítricas, e o Green Boost, suco verde “turbinado” com pepino, limão e elderflower.

Sky Hall

DivulgaçãoAcalmomila, do Sky Hall

Com cartas assinadas por Renan Tarantino, o Grupo Sky explora ingredientes botânicos. O Passeio no Parque, mistura frutas vermelhas com xarope de amêndoas. O Acalmomila tem xarope de camomila e capim-limão, enquanto o Clever Club é uma releitura do clássico com chá de frutas silvestres e albumina para textura.

O Carrasco

DivulgaçãoVirgin Grape Perrier, d’O Carrasco

Com pegada speakeasy, escondido no piso superior do Guilhotina, o bar tem uma opção zero álcool de destaque: o Virgin Grape Perrier, elaborado com xarope de maçã verde, suco de limão, suco de uva e Perrier.

Donna

DivulgaçãoQuela Caramella, do Donna

No restaurante do chef André Mifano, a coquetelaria dialoga com a cozinha italiana moderna. Segundo o bartender Marcos Santos, o uso de chás traz complexidade às bebidas. Vale provar o Quela Caramella, que leva xarope de melão, limão siciliano, água e espuma de limão siciliano.

Tuy Bar, Cocina

Nos Jardins, a casa dedicada à gastronomia ibérica contemporânea oferece uma seção especial de drinks para acompanhar suas tapas e arrozes. O destaque sem álcool é o Hierba de Limon, feito com infusão de hibisco, limão kaffir e gengibre.

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