Brasil mantém mistura de biodiesel e estimula exportação de óleo de soja, diz Abiove

O governo reduziu a mistura de 13% para 10% para atender o mercado e lidar com os altos custos com o óleo de soja.

Redação
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Jamil Bittar/Reuters
Jamil Bittar/Reuters

Trabalhador com amostra de biodiesel em Iraquara (BA)

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A mistura de biodiesel no diesel será mantida em 10% no quarto bimestre (julho e agosto), segundo decisão tomada pelo governo, disseram associações de produtores ontem (12), com a Abiove citando que a manutenção do B10, ante o B13 regulamentar para 2021, está ampliando as exportações de óleo de soja.

O governo já havia reduzido a mistura de 13% –que passou a valer neste ano a partir de março– para 10% para atender o mercado em maio e junho, devido a altos custos com a principal matéria-prima, o óleo de soja.

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“A alteração da mistura já trouxe resultados negativos para o setor com volume recorde de exportações de óleo de soja em abril, bem como redução das projeções de esmagamento de soja, produção de farelo e óleo, gerando um aumento de custos para a produção de carnes de frango e de porco”, disse a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) em nota, ao lembrar que o farelo é importante componente da ração animal, cujos custos também dispararam na esteira dos preços internacionais.

O presidente da Abiove, André Nassar, já havia alertado em entrevista à “Reuters” que o Brasil exportaria mais óleo de soja e o grão in natura, após uma redução na mistura no leilão para atender a demanda em maio e junho.

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Em 2020, após a pandemia impactar o mercado de diesel e consequentemente de biodiesel, as tradings exportaram mais óleo de soja do que o esperado, com o Brasil fechando o ano com embarques de 1,1 milhão de toneladas.

“A decisão do governo representa mais uma intervenção no mercado e transfere todo o ônus da alta de preço dos combustíveis para o setor de biodiesel”, destacou a Abiove.

Segundo a associação, a medida “representa também uma quebra do compromisso que foi feito com o setor de que a redução temporária da mistura seria restrita ao L79, com a seguinte retomada da utilização do biodiesel nos teores estabelecidos pelo próprio Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)“.

O presidente da União Brasileira do Biodiesel e do Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, disse à “Reuters” que a medida levará o país a usar mais combustível fóssil e poluente, além de incentivar a importação de derivados de petróleo, como o diesel.

Segundo a Abiove, a decisão do CNPE “contraria ainda os compromissos ambientais brasileiros e vai piorar a qualidade do ar, ponto ainda mais crítico durante o cenário de pandemia que vivemos, além de prejudicar a posição brasileira na COP-26 do Clima que terá que levar uma matriz energética deteriorada”.

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De acordo com outra associação do setor, a Aprobio, “a cadeia de produção do biodiesel acaba sendo a única penalizada por uma condição macroeconômica que impacta os preços dos combustíveis, colocando o mercado de biocombustíveis num cenário de total incerteza”.

A medida prejudica mais de 1,5 milhão de trabalhadores e a continuidade dos investimentos do setor, disse a Aprobio.

“A sensação do setor é que ele está sendo preterido em favor de outros agentes da economia e que o governo verá os danos que serão consumados na segurança jurídica e nos avanços dos biocombustíveis, que são tão importantes para o futuro do Brasil.”

Procurado, o Ministério de Minas e Energia não comentou o assunto imediatamente. (Com Reuters)

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