Batendo um bolão: o futebol que entra em campo com o agronegócio
Conheça empresas que patrocinam o esporte mais querido do Brasil e que apostam em times de várias séries para ajudar a promover saúde, espírito de equipe e sustentabilidade
Wongsaphat Suknachon/GettyCada vez é mais comum o agro entrar em campo, não para cultivar ou criar, mas para mostrar suas marcas nos gramados do futebol
O futebol é o esporte mais relevante do país. Mesmo para aqueles que torcem o nariz ao esporte bretão, não há dúvida sobre a sua importância. Além de ser um dos pilares da cultura brasileira, os jogos movimentam a economia e fortalecem comunidades inteiras. O relatório da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de 2019, afirma que “o futebol brasileiro, em toda sua cadeia, direta e indiretamente, representa 0,72% do PIB nacional, o que significa um valor total de R$ 52,9 bilhões.” Justamente pelo poder de movimentar uma bolada dessa envergadura, o futebol fica na mira das empresas e aquelas que atuam no agronegócio não são exceção nesse jogo. Cada vez é mais comum o agro entrar em campo, não para cultivar ou criar, mas para mostrar suas marcas nos gramados.
Uma parceria entre os dois campos é capaz de trazer maior visibilidade às empresas e conta é simples. Antes da pandemia, a transmissão do Brasileirão pela Globo, em 2019, atingiu 44 milhões de pessoas, uma ótima vitrine para mostrar uma marca. Embora a pandemia tenha afetado esse mercado e os gigantescos números não se repetiram no ano passado, o lento retorno aos estádios deve dar fôlego aos milionários contratos, principalmente na elite do futebol.
No agro, os números são mais tímidos, mas não deixam de ter sua importância. Muitos clubes do interior do país estão onde ocorre a produção agropecuária que coloca alimento na mesa do consumidor. Por isso, não é de se espantar que nomes como Banrisul, NewHolland, AuroraAlimentos e outros busquem parcerias com times de diferentes divisões.
Conheça abaixo os clubes que realizaram ações ou fecharam parcerias em 2021 para entrar em campo junto com o agronegócio:
1 / 6Lucas Uebel/FBPA
Banrisul no Grêmio e no Internacional
Com o slogan “o Agro é o nosso chão”, o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) é uma das principais instituições financeiras que atuam no estado. Não por acaso é o patrocinador dos dois grandes times gaúchos: o Internacional e o Grêmio, eternos rivais dentro das quatro linhas.
Mas o Banrisul prega “o paz e amor” nessa relação. No mês passado, o banco aproveitou a partida clássica entre os times para destacar o início do Plano Safra 2021/22, período em que deve realizar a oferta de recursos no valor de R$ 5,2 bilhões, a maior da história da instituição. O slogam estava nas camisas dos dois times. “Dessa forma, a presença do Banco nos gramados é reforçada pela sua identidade e parceria com aqueles que produzem a comida que vai à nossa mesa”, disse, em comunicado, o Banrisul.
2 / 6Márcio Cunha/ACF
Aurora na Chapecoense
A história de superação, após um desastre de avião em 2016, que levou à morte praticamente todos os jogadores da Chapecoense, de Criciúma (SC), comove times e torcidas. A solidariedade tornou a esquadra verde e branca a “queridinha” do Brasil, sendo quase impossível torcer contra. O agro faz parte da luta pela continuidade e sucesso do time antes e depois dessa tragédia. No início do ano, a Cooperativa Central Aurora Alimentos, um dos maiores grupos agroindustriais de carnes do país, renovou seu contrato de patrocinadora master do time, levando a parceria para seu 14º ano consecutivo. Embora o valor não tenha sido anunciado, em 2020 o clube recebeu R$ 4,5 milhões.
“O espírito cooperativista e associativista da Aurora está no DNA da Chapecoense e da comunidade local. A Aurora tem papel fundamental na história e no legado do Clube”, afirma Gilson Sbeghen, presidente do clube de futebol. “A Aurora sempre acreditou na Chapecoense. Entrou como patrocinadora em um momento difícil do clube e o ajudou a superar e a escrever sua história”, diz Cesar Dal Piva, vice-presidente da Chapecoense.
Desde o início da parceria, em 2007, o clube ascendeu da série D para a A, onde está a elite do futebol. “Costumamos andar sempre em boa companhia e a Chapecoense nos dá esse conforto e divulga o nome da Aurora dentro e fora do Brasil com muita empatia e postura de quem é de fato um grande parceiro da nossa organização cooperativista”, declara Neivor Canton, presidente da Aurora.
3 / 6Divulgação
Fumacense Alimentos no Criciúma
A Fumacense Alimentos é uma empresa de meio século. O nome vem do local onde nasceu: o município de Morro da Fumaça, localizado ao sul de Santa Catarina. Tem no portfólio basicamente produtos a partir da dobradinha arroz e feijão. Neste ano, a empresa fez uma parceria com o Criciúma Esporte Clube, time catarinense da Série C do Campeonato Brasileiro.
A ação vai na linha do que faz a comunidade, ajudando o time com doações diversas. Nestes dias, por exemplo, há uma rifa na região, por R$ 10 cada, sorteando camisas autografadas para ajudar o time. No caso da Fumacense, a empresa de alimentos fornecerá mensalmente ao centro de treinamentos o Kiarroz, uma de suas principais marcas. Além da ajuda ao time, a ação também contribui para trazer maior visibilidade ao produto. E claro, saúde.
Maurício Buratto, nutricionista do clube, afirma: “[O arroz] fornece ácidos graxos essenciais que, posteriormente, são convertidos em moléculas de energia que, por sua vez, estimulam ainda mais o hormônio responsável pelo crescimento muscular e fornecimento de energia, denominado insulina.”
Sem divulgar valores, New Holland Agriculture anunciou em junho o seu patrocínio ao Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul (RS). Com o objetivo de “fortalecer e conectar o agro com todos os segmentos da sociedade”, a marca de tratores e colheitadeiras sediada em Turim, Itália, da CNH Global, que é parte do Grupo Fiat, fechou a parceria logo após o retorno do clube de futebol à série A.
“Luta e dedicação fazem parte do nosso dia a dia e isso nos conectou ao Juventude. Assim como o Agro, o Juventude é uma força que vem do interior e busca a cada dia resultados mais expressivos”, afirma Rafael Manfroi Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América do Sul.
O Esporte Clube Juventude é um dos maiores clubes do interior do Rio Grande do Sul, região produtora de trigo, cevada, canola e outras culturas importantes para a economia brasileira. “O Juventude tem mais de 100 anos de tradição, assim como a New Holland, e nossas raízes italianas nos aproximaram ainda mais”, diz Gustavo Taniguchi, diretor de marketing comercial da New Holland Agriculture para a América do Sul.
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Fiagril no Luverdense
Lucas do Rio Verde, município no coração de mato-grossense, é um dos principais produtores de grãos do Brasil. Embora sua área ocupe apenas 0,04% do território do país, os seus agricultores respondem por cerca de 1% de todos os grãos produzidos. Os produtores também têm garantido em campo o time de futebol da cidade, o Luverdense Esporte Clube.
O principal patrocinador é a gigante Fiagril, que nasceu no município como uma pequena fornecedora de insumos agrícolas e se tornou uma das maiores comercializadoras de insumos e sementes de soja e milho, além de investir no etanol de milho através de uma joint venture.
Nessa pandemia e sem público, o time teve uma ideia para as partidas solitárias, ao mesmo tempo que promovia o principal grão que move a economia da região: a soja. Durante uma partida no estádio Passo das Emas, em vez dos torcedores na arquibancada, havia mudas de soja no lugar de honra.
A forma diferente de ‘representar’ seus torcedores no jogo com o Brasiliense Futebol Clube, de Taguatinga (DF), pelas oitavas de final da Copa Verde, chamou a atenção. A Copa Verde de Futebol é uma competição regional disputada desde 2014, entre equipes das regiões Norte e Centro-Oeste, mais o Espírito Santo. “Resolvemos fazer uma ação com essas plantas, junto com a soja, para representar a questão de harmonização da parte verde, da floresta, junto com a produção agrícola”, Jaime Binsfield, atual presidente do Luverdense e um fanático torcedor.
“Nós somos um clube de Lucas do Rio Verde, da região do agro, mas do agro consciente que faz a produção agrícola, gera riqueza, distribuição de renda e também se preocupa com a preservação da natureza”, diz.
6 / 6Divulgação
Agro Amazônia no Cuiabá Esporte Clube
Com faturamento na casa de R$ 2 bilhões no ano fiscal de 2020/21, a Agro Amazônia, uma das principais distribuidoras de insumos presente nos estados Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins e Rondônia, fechou neste ano um contrato de patrocínio com o Cuiabá Esporte Clube. A empresa de origem mato-grossense investirá R$ 2,7 milhões no clube até abril de 2022.
"Junto aos outros patrocinadores, estamos empenhados e engajados em consolidar o futebol mato-grossense na elite nacional, pois o investimento está ligado diretamente à política e conduta do clube em relação a temas que já fazem parte do nosso escopo de trabalho, como responsabilidade social, ambiental e inclusão", afirma Luís Diniz, diretor de marketing da Agro Amazônia.
Com a marca da Agro Amazônia estampada nas camisas do clube, a empresa espera por maior visibilidade nos estados em que ainda não atua. A companhia é a única do setor de insumos agropecuários a apoiar um time da série A do Brasileirão.