Bem-estar animal: por que aves e suínos precisam ser incluídos nessa tendência

Uma das maiores empresas farmacêuticas de saúde animal, a MSD amplia seu programa de monitoramento animal visando maior sustentabilidade na cadeia produtiva.

Erich Mafra
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Desde 2015, a MSD tinha bovinos em sua agenda de bem-estar animal. Agora, suínos e aves também participarão de programa

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Com o consumidor e a indústria cada vez mais antenados ao bem-estar animal, produtores se engajam em número crescente a movimentos nesse sentido. E não estão sozinhos: indústria, logística e insumos também estão embarcando nessa corrida pela sustentabilidade. Essa é a aposta da MSD Saúde Animal, subsidiária da farmacêutica norte-americana no Brasil, com seu programa Criando Conexões. Projetado para promover o manejo de baixo estresse e o bem-estar animal, o programa da multinacional no país também será direcionado às criações de aves e suínos a partir de agora. Desde 2015, ele era exclusivo para bovinos. “Não é um programa engessado, pois fazemos um diagnóstico personalizado dentro das propriedades para entendermos todos os fatores de risco que podem oferecer perdas ao bem-estar dos animais”, diz Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de bem-estar animal da empresa.

O médico veterinário formado pela Universidade do Estado de Santa Catarina chegou na MSD em março passado, justamente quando a empresa decidiu expandir o seu programa para espécies que antes não eram contempladas. Desde então, já testaram a nova versão do Criando Conexões em cerca de 15 indústrias, como as empresas de alimentos JBS, Master e Granja Olinto.  “Nosso foco, desde 2021 quando iniciamos o projeto piloto, foi a sensibilização inicial para a importância desse tema de saúde e produtividade”, explica. “Além de também transformar o programa em multiespécie, começamos a trabalhar de ponta-a-ponta na cadeia. Agora, trabalhamos com fazenda, transporte e indústria.” 

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Com a etapa piloto finalizada, agora a MSD quer expandir o que considera uma plataforma segura para replicar. Com sua agenda de bem-estar animal, a MSD espera — ainda em 2022 — capacitar 30 novos profissionais que disseminarão as técnicas para cerca de 900 pessoas que trabalham em fazendas ou indústrias localizadas em estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul. São os chamados multiplicadores. Desde 2015, com o programa para os bovinos, a empresa estima que já levou o bem-estar a cerca de 5,5 milhões de animais e capacitou cerca de 7 mil vaqueiros e 50 colaboradores da MSD.

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Coordenador técnico de bem-estar animal, Filipe Dalla Costa entrou na MSD em 2021 para ajudar na implementação do bem-estar para aves e suínos

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A movimentação para a área de aves e suínos não é à toa. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores globais de carne desses animais. Abateu, no ano passado, 13,72 milhões de suínos e 1,54 bilhão de aves. Justamente pelo tamanho deste mercado, muitos desafios ainda existem para a adoção de uma produção com fortes bases em bem-estar animal.

Com o Criando Conexões Multiespécies, a MSD mira em questões como desperdício de ração, falta de espaço para os animais, conforto, uso correto de medicamentos antimicrobianos, dentre outras. “A gente trabalha dentro da teoria dos cinco domínios do bem-estar animal, desenvolvida pelos fisiologistas David Mellor e Cam Reid, que são alimentação, saúde, ambiente, comportamento e estados mentais”, conta Dalla Costa. “Todos contribuem para o estado mental dos animais, mas é neste último domínio em que o consumidor final associa o que é o bem-estar, pois ele reconhece os sentimentos. Ele quer saber se o animal está feliz ou doente, e é isso que a gente vem trabalhando.” 

Como a adoção do bem-estar animal pode ser positiva para uma produção

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Antony Luenenberg, gerente técnico de bem-estar animal da MSD Saúde Animal, acredita que a adoção do conceito vai desbloquear a evolução do setor de proteína animal

Segundo um levantamento realizado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) sobre a eficiência reprodutiva de fêmeas bovinas, os efeitos do estresse e da ausência de bem-estar podem reduzir a expectativa de vida dos animais e gerar problemas reprodutivos, causando prejuízos ao produtor que deseja tornar sua propriedade mais produtiva.

Com isso em mente, a MSD Saúde Animal realizou um estudo em conjunto com o professor Pietro Baruselli, especialista em reprodução animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, para entender como a adoção do Criando Conexões para o gado impactou a produtividade dos animais desde 2015. De acordo com o levantamento, a realização de diagnósticos e melhorias nas propriedades permitiu a redução de dois importantes indicadores de estresse para os animais: 66% menos vocalizações e velocidade de fuga 41% menor. Enquanto o primeiro ajuda a identificar se o animal está descontente através da quantidade de sons emitidos, o último fator indica se o ser é dócil (quanto menor a velocidade do animal em sua locomoção, melhor é o seu estado mental). A empresa também afirma que a adoção do bem-estar animal aumentou a taxa de prenhez dos animais em 7,8%.

“Há benefícios para todos, inclusive para os produtores que olham para as novas práticas, pois são mais bem recebidos no mercado, tanto interno quanto externo. Estamos em um novo horizonte produtivo, e com avanços estabelecidos nas relações de consumo e de produção”, pontua Antony Luenenberg, gerente técnico de bem-estar animal da MSD Saúde Animal. “Além de gerar ganhos importantes de eficiência operacional e produtividade, as boas práticas no campo impactam positivamente os três pilares da saúde única – animais, seres humanos e meio ambiente. Nesse cenário, a produção responsável é parte fundamental da evolução do setor.”

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