A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) alertou nesta quinta-feira que as tarifas dos Estados Unidos poderiam levar a novos ganhos de preços do café em um mercado global já sustentado por estoques apertados, ao cortar sua previsão para a safra de 2025 do país sul-americano.
A tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as importações de vários produtos brasileiros, incluindo o café, gerou preocupação com o abastecimento do mercado norte-americano, levando a um recente aumento nos futuros do café em Nova York.
Nesta quinta-feira, a Conab advertiu que não será fácil para os EUA substituir o café brasileiro por produtos de outras origens, afirmando em um relatório que a tendência de aumento dos preços globais pode persistir.
A Conab observou que os estoques estão em seu nível mais baixo em 25 anos e que os EUA enfrentarão uma forte concorrência de outros grandes importadores, como a Europa, pelo café proveniente de outros países produtores.
“Nesse contexto, a tendência é de aumento dos preços do café nos Estados Unidos e em outros importantes polos consumidores”, disse a Conab.
Os EUA são o maior consumidor de café do mundo, enquanto o Brasil é o primeiro produtor e exportador.
“Em 2024, o café brasileiro representava 33% do mercado americano, e os setores envolvidos na importação, processamento e comercialização do produto no país estão pressionando o governo americano a reduzir a tarifa de 50%”, disse a Conab.
A agência reduziu ligeiramente sua previsão para a safra de café de 2025 no Brasil, cuja colheita está quase concluída. Espera-se agora que a produção totalize 55,2 milhões de sacas de 60 kg, abaixo da previsão de maio de 55,7 milhões de sacas.
Redução da safra brasileira
A safra de café do Brasil deve alcançar 55,2 milhões de sacas de 60 kg em 2025, estimou a Conab, reduzindo o volume previsto em cerca de 500 mil sacas em relação à última previsão, em maio.
A estatal destacou que a safra, com colheita praticamente encerrada, deverá crescer mesmo em ciclo de baixa bienalidade do arábica, influenciada pela recuperação de 3% na produtividade das lavouras na média nacional, que teve impulso da produção de grãos canéforas (conilon/robusta).
A safra dos canéforas foi prevista em recorde de 20 milhões de sacas, ante 18,7 milhões da projeção passada. Na comparação anual, o salto é de 37,2%.
Já a produção de arábica deve alcançar 35,1 milhões de sacas, estimou a Conab, abaixo das 37 milhões previstas em maio, com uma queda anual de 11,2%.
A Conab notou que a safra anterior era de bienalidade positiva, mas que foi prejudicada por adversidades climáticas em diversas regiões produtoras. O clima em 2024 também prejudicou a colheita de 2025.
Recentemente, consultorias privadas reduziram a projeção de safra de café do Brasil, citando menor colheita de arábica do que o esperado.
Porém, como é tradição no Brasil, os números da Conab são mais baixos do que os do mercado. A StoneX estimou em agosto a safra total do país em 62,3 milhões de sacas. A Safras & Mercado projetou 63,35 milhões de sacas.
De acordo com dados da Conab, a área total destinada à cafeicultura avançou 0,9% no ano, para 2,25 milhões de hectares, mas com impulso do total de lavouras em formação, com crescimento de 11,9%, para 395,8 mil hectares, com “estímulo mercadológico em razão dos preços rentáveis para o café recentemente”, disse a Conab.
O total de cafezais em produção, por sua vez, caiu 1,2% em 2025 na comparação anual, a 1,86 milhão de hectares, já que muitos produtores optaram por manejos mais drásticos de poda, após problemas climáticos.